O que é?
A febre amarela é uma doença febril aguda, provocada por um vírus. Tem gravidade variável e pode durar até dez dias.
Como se pega?
Por um mosquito que carrega o vírus, o que acontece, geralmente, em áreas de floresta. O que ocorre é que mosquito pica uma pessoa ou um macaco infectado e, depois, transmite a doença a uma pessoa saudável.
A doença é comum no Brasil?
Não. O último caso conhecido de febre amarela contraída no ambiente urbano foi em 1942. O risco maior é na natureza, onde mosquitos selvagens não podem ser exterminados e por isso ainda transmitem o vírus.
Quais são os sintomas?
Dependendo da gravidade, a pessoa pode sentir febre, dores musculares e de cabeça, calafrios, náuseas, vômito e perda de apetite. A maioria dos pacientes melhora até o quarto dia da doença. Cerca de 15% dos infectados, no entanto, entram na “fase tóxica”, quando o branco dos olhos fica amarelado (daí o nome da doença) e os vômitos voltam com intensidade. Os rins podem parar de funcionar e há chances de sangramento em órgãos como boca, nariz, olhos e estômago. Cerca de metade dos pacientes que chegam a essa fase da doença morrem.
Como prevenir-se?
A única forma de prevenção é por meio de vacinação.
Quem deve tomar a vacina?
Quem for viajar para áreas de risco. A vacina exige antecedência de, no mínimo, dez dias e vale por dez anos. Quem já tomou a vacina há mais de 10 anos, basta tomar uma dose de reforço e seguir viagem, não sendo necessário esperar 10 dias para garantir sua proteção.
Quais são as áreas de risco no Brasil?
No Brasil, os locais de risco são as áreas de matas e rios das seguintes regiões: todos os Estados do Norte e Centro-Oeste, parte da Região Nordeste (Estado do Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste e extremo-sul da Bahia), Região Sudeste (Estado de Minas Gerais, oeste de São Paulo e norte do Espírito Santo) e Região Sul (oeste dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
Onde posso me vacinar?
Nos postos de saúde, gratuitamente, e, desde setembro de 2008, em clínicas particulares. Ambos devem fornecer o Cartão Nacional de Vacina, com o qual você obtém o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), necessário para viajar.
Onde consigo o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP)?
Nos postos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), localizados em portos, aeroportos e fronteiras. Para obter o certificado, leve um documento com foto e o Cartão Nacional de Vacina, que você recebe após tomar a vacina. Esse cartão deve conter os seguintes dados: nome, lote, fabricante, data da vacinação, assinatura e nome do vacinador, além da identificação da unidade de vacinação. E se quiser agilizar o atendimento, antes de ir ao posto faça seu cadastro no site na Anvisa (
anvisa.gov.br/viajante). Atenção: até junho de 2008, esses postos, chamados de Centros de Orientação de Viajantes, também vacinavam contra febre amarela. Desde então, eles apenas emitem o certificado e orientam sobre os riscos sanitários do país de destino e as exigências internacionais que devem ser providenciadas para a viagem.
Anvisa:
Tel.: 0800-61-1997
Lista completa de Centros de Orientação de Viajantes
Posso tomar a vacina no mesmo dia da viagem?
Não. A vacina deve ser tomada dez dias de antecedência.
A vacina tem contra-indicação?
A vacina é contra-indicada para bebês com menos de 6 meses, gestantes e pessoas com alergia ao ovo ou com alguma alteração no sistema imunológico (causada por doença ou remédios, por exemplo). Nesses casos, consulte um médico antes de optar pela vacinação.
Quais países pedem certificado internacional de vacinação?
Dezenas, pois a presença da febre amarela no Brasil é considerada permanente. Para obter o certificado é preciso, após ser vacinado, ir até um posto da Anvisa e apresentar o cartão de vacina e um documento de identidade com foto (para as crianças, basta a certidão de nascimento). Veja lista dos países abaixo:
Afeganistão; África do Sul; Albânia; Angola; Antígua e Barbados; Antilhas Holandesas; Arábia Saudita; Argélia; Anguilla; Áustrália
Bahamas; Bangladesh; Barbados; Belize; Benin; Bolívia; Botsuana; Brasil; Brunei; Burkina Faso; Burundi; Butão
Cabo Verde; Camarões; Camboja; Cazaquistão; Chade; China; Colômbia; Congo; Costa do Marfim
Djibuti; Dominica
Egito; El Salvador; Equador; Eritréia; Etiópia
Fiji; Filipinas
Gabão; Gâmbia; Gana; Granada; Guadalupe; Guatemala; Guiana; Guiana Francesa; Guine; Guine Bissau; Guine Equatorial
Haiti; Honduras
Iêmen; Ilhas Pitcairn; Ilhas Salomão; Ilhas Seicheles; Índia; Indonésia; Irã; Iraque
Jamaica; Jordânia
Kiribati
Laos; Lesoto; Líbano; Libéria; Líbia
Malásia; Malawi; Maldivas; Mali; Malta; Maurício; Mauritânia; Moçambique; Montserrat; Myanmar
Namíbia; Nauru; Nepal; Nicarágua; Níger; Nigéria; Niue; Nova Caledônia
Omã
Palau; Panamá; Papua Nova Guiné; Paquistão
Quênia
República Centroafricana; República Democrática do Congo (Zaire); Reunião; Ruanda
Samoa; Samoa Americana; Santa Cristóvão e Névis; Santa Helena; Santa Lucia; São Tomé e Príncipe; São Vicente e Granadinas; Senegal; Serra Leoa; Singapura; Síria; Sirilanka; Somália; Suazilândia; Sudão; Suriname
Tailândia; Tanzânia; Togo; Tonga; Trindad e Tobago; Tunísia
Uganda; Uruguai
Venezuela; Vietnã
Zimbábue
Por que o número de casos está aumentando?
A cada cinco ou seis anos de “calmaria”, há um surto da febre amarela na natureza. A chave para esse ciclo parece estar na população de macacos: durante o surto, o vírus infecta e mata uma grande quantidade dos bichos. Depois disso, acaba ficando restrito a poucos indivíduos. Conforme o tempo passa, a população de macacos volta a crescer e permite que a doença se espalhe de novo – o que aumenta a chance de que humanos sejam contaminados. Em 2007 foram 13 casos confirmados, com 10 óbitos. De acordo com o último relatório do Ministério da Saúde, de 16 de dezembro de 2007 a 23 de maio de 2008 foram 45 casos confirmados, com 25 óbitos confirmados até aquele momento.