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Viaje na Viagem

Ricardo Freire
Depois de 22 anos como publicitário, Ricardo Freire resolveu tornar-se turista profissional. Já publicou três livros sobre viagens, e além de colaborar com a Viagem e Turismo escreve na revista Época e no blog Viaje na Viagem

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Qual foi a coisa mais bacana que o teu pai te ensinou?

Ricardo Freire - 12/10/2008

O meu pai me ensinou a boiar.

Não que eu tenha aprendido a boiar como ele. Meu pai foi um dos dez melhores boiadores do planeta. Só não ficou registrado oficialmente por falta de campeonatos internacionais :-)

Ele conseguia boiar até quando tinha marola; não sei como não entrava água pelo nariz.

Claro que a infância passada nas redes do casarão da Atalaia Velha, em Aracaju, devia ter alguma influência na naturalidade zen-boiante do pai.

Só sei que, sempre que eu consigo boiar o tempo suficiente para me esquecer que estou boiando, eu acabo lembrando dele.

Essa semana aconteceu duas vezes: na Boca da Barra, em Boipeba, e na Ponta do Mutá, em Barra Grande.

Só que, ao contrário da imagem aí de cima, em Cayo Largo, há seis anos, dessa vez não tinha ninguém para fotografar :-)

Feliz Dia das Crianças atrasado!


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Porto de Galinhas: o Pontal do Cupe é a minha praia

Ricardo Freire - 10/10/2008

O tempo não ajudou (os dias estavam amanhecendo nublados em Pernambuco, e o sol só saía de verdade mais para perto do meio-dia), mas acho que finalmente encontrei o ângulo para mostrar por que a praia do Pontal do Cupe é a melhor de Porto de Galinhas.

No canto esquerdo da imensa praia do Cupe -- que é bem perigosa para banhos -- há este pontal protegido (mas não totalmente bloqueado) por recifes.

Na maré baixa, a praia não seca demais, e fica perfeita para crianças.

E na maré alta, fica gos-to-sís-si-ma, um tancão maravilhoso.

Para aproveitar essa praia sem pegar carro é preciso ficar nos hotéis Pontal de Ocaporã ou Tabapitanga, que são dois mini-resortinhos não muito emocionantes (hoje prefiro a Tabapitanga ao Ocaporã).

Para chegar de carro, siga as placas para o Pontal de Ocaporã e depois passe por um portão com um arco (que impede a entrada de ônibus) onde está escrito "propriedade particular" :-)

Se você vai sem carro, ou prefere se hospedar em pousadinha, a pedida é a praia da Vila, que é quase tão boa quanto essa, só que mais muvucada.

Por ali, escolha entre as pé-na-areia Luar das Marés (mais central, mas com quartos nos fundos) e a Canto do Porto (um tantinho só mais longe, mas com quartos com vista para o mar). Ou, para economizar com conforto, a Pousada Marahú, na vila.


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A bordo de Bethânia

Ricardo Freire - 10/10/2008

Minha crônica no Guia do Estadão de hoje.

Se você entra de carro em Salvador pelo norte, pode pegar uma avenida chamada Dorival Caymmi que leva a Itapuã. Se sair para o sul via Itaparica, talvez tome um ferry boat chamado Maria Bethânia. (Não, não existe nenhum ferry boat chamado João Ubaldo.)

Fiz a minha estréia no Maria Bethânia para Itaparica quarta passada, de manhã cedo, no momento em que o rádio do carro anunciava uma união dos bancos centrais do mundo inteiro para baixar os juros e salvar a economia global.

Os reflexos no Brasil já começavam a aparecer. O mingauzinho no copo, que às 8h05, na fila de embarque, custava R$  1, às 8h40 já estava custando R$ 1,50, no convés de Bethânia. Tem de carimã? "Não, mas tem de tapioca, que é do mesmo propósito".

Fui tomar meu mingau na popa, vendo Salvador ficar para trás: de um lado, o forte de São Marcelo e os espigões onde moram os bacanas no Corredor da Vitória; do outro, a colina sagrada do Bonfim e o forte de Montserrat. Pára o ferry que eu quero voltar!

Cartazes espalhados pelo navio anunciavam a proibição de ambulantes não-autorizados. Os autorizados, porém, proliferavam, vendendo de castanha de caju a cafezinho na térmica com cigarro avulso. O bonequinho de massa de modelar com cara de pintinho tava pra 2 reais. É chinês, amigo? "Não, aqui da Bahia mesmo."

Um casal de mochileiros grisalhos usava suas mochilas de um metro de altura como apoio para ler calhamaços de 600 páginas. Mais à frente, sentado junto ao corredor, um homem levava no colo uma bandeja com um enorme bolo confeitado, com cobertura de chocolate granulado e maçã. Fiquei curioso: maresia conserva ou desanda glacê?

Para passar o tempo, comecei a filar as manchetes dos jornais dos outros. "Vereador-travesti polemiza antes de assumir", dizia um. "Baêa ganha à moda antiga", berrava outro. (Traduzindo: "Baêa" é uma espécie assim de "Curíntia".)

Alheio a tudo isso, nos monitores de TV pendurados no teto, Jun Sakamoto ensinava os chefs participantes de um reality show de Ana Maria Braga a fazer sashimi.

E o ministério das travessias a Itaparica adverte:  "Enquanto durar o processo de dedetização das lanchonetes os nossos produtos não estarão sendo expostos na vitrine, mas os mesmos continuam sendo vendidos. Kibe, coxinha, pastel, sonho, doces, sanduíches, etc.".  Obrigado pela sinceridade.

E quando dei por mim, já tínhamos chegado. Me diga uma coisa: por que todo show de Maria Bethânia passa tão rápido?


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Fernando de Noronha continua lindo

Ricardo Freire - 09/10/2008

Fernando de Noronha continua sendo.

Você pediu mais fotos? Lá vão!

Cacimba do Padre:

Boldró: piscina natural do lado esquerdo

Boldró: bar Meu Paraíso, no lado direito

Conceição:

E dois detalhes para quem já está arrumando as malas para ir.

De outubro a fevereiro o mar fica agitado e formam-se ondas em várias praias do Mar de Dentro. O Sancho fica menos cristalino (mas a Praia do Leão e a do Sueste, no Mar de Fora, ficam mais transparentes).

(Por sinal, eu dei sorte. Este ano, segundo me contaram, entrou swell -- ondas -- pelo menos uma vez por mês.)

E a boa notícia: como choveu muito no inverno, nesse verão não tem perigo de faltar água na ilha.


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Noronha a dois

Ricardo Freire - 09/10/2008

No post anterior vocês comentaram (e suspiraram) sobre casamentos em Noronha.

Pois saibam que uma das minhas fontes quentes da ilha, a querida Patrícia, agora na Noronha Expedições ( 81/3119-3686 ), está se especializando nisso -- não só em casamentos, como também em confirmação de votos, caso você e sua cara-metade já estejam comprometidos :-)

Outro dia ela botou um pastor e seis músicos de câmara do Recife ao pôr-do-sol na Cacimba do Padre para uma confirmação de votos surpresa (a "noiva" não sabia, chorou a não mais poder, e só reclamou de não ter podido se produzir para a ocasião).

Ela me contou que está desenvolvendo até uma confirmação de votos GLS :-)))

Outro charminho que a Patrícia produz são piqueniques ao entardecer. Você roda a ilha e, na hora marcada, e no lugar em que combinou, estão lá a tenda, a esteira, as almofadas, as comidinhas, o champã...

(Essa produção aí não foi ao entardecer porque eu ia pegar o vôo antes, he he.)

O pacote mais básico sai R$ 60 por pessoa -- o que, na moeda corrente de Noronha, não é caro, não.


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