


O meu pai me ensinou a boiar.
Não que eu tenha aprendido a boiar como ele. Meu pai foi um dos dez melhores boiadores do planeta. Só não ficou registrado oficialmente por falta de campeonatos internacionais :-)
Ele conseguia boiar até quando tinha marola; não sei como não entrava água pelo nariz.
Claro que a infância passada nas redes do casarão da Atalaia Velha, em Aracaju, devia ter alguma influência na naturalidade zen-boiante do pai.
Só sei que, sempre que eu consigo boiar o tempo suficiente para me esquecer que estou boiando, eu acabo lembrando dele.
Essa semana aconteceu duas vezes: na Boca da Barra, em Boipeba, e na Ponta do Mutá, em Barra Grande.
Só que, ao contrário da imagem aí de cima, em Cayo Largo, há seis anos, dessa vez não tinha ninguém para fotografar :-)
Feliz Dia das Crianças atrasado!

O tempo não ajudou (os dias estavam amanhecendo nublados em Pernambuco, e o sol só saía de verdade mais para perto do meio-dia), mas acho que finalmente encontrei o ângulo para mostrar por que a praia do Pontal do Cupe é a melhor de Porto de Galinhas.
No canto esquerdo da imensa praia do Cupe -- que é bem perigosa para banhos -- há este pontal protegido (mas não totalmente bloqueado) por recifes.

Na maré baixa, a praia não seca demais, e fica perfeita para crianças.
E na maré alta, fica gos-to-sís-si-ma, um tancão maravilhoso.
Para aproveitar essa praia sem pegar carro é preciso ficar nos hotéis Pontal de Ocaporã ou Tabapitanga, que são dois mini-resortinhos não muito emocionantes (hoje prefiro a Tabapitanga ao Ocaporã).
Para chegar de carro, siga as placas para o Pontal de Ocaporã e depois passe por um portão com um arco (que impede a entrada de ônibus) onde está escrito "propriedade particular" :-)
Se você vai sem carro, ou prefere se hospedar em pousadinha, a pedida é a praia da Vila, que é quase tão boa quanto essa, só que mais muvucada.
Por ali, escolha entre as pé-na-areia Luar das Marés (mais central, mas com quartos nos fundos) e a Canto do Porto (um tantinho só mais longe, mas com quartos com vista para o mar). Ou, para economizar com conforto, a Pousada Marahú, na vila.

Minha crônica no Guia do Estadão de hoje.
Se você entra de carro em Salvador pelo norte, pode pegar uma avenida chamada Dorival Caymmi que leva a Itapuã. Se sair para o sul via Itaparica, talvez tome um ferry boat chamado Maria Bethânia. (Não, não existe nenhum ferry boat chamado João Ubaldo.)
Fiz a minha estréia no Maria Bethânia para Itaparica quarta passada, de manhã cedo, no momento em que o rádio do carro anunciava uma união dos bancos centrais do mundo inteiro para baixar os juros e salvar a economia global.
Os reflexos no Brasil já começavam a aparecer. O mingauzinho no copo, que às 8h05, na fila de embarque, custava R$ 1, às 8h40 já estava custando R$ 1,50, no convés de Bethânia. Tem de carimã? "Não, mas tem de tapioca, que é do mesmo propósito".
Fui tomar meu mingau na popa, vendo Salvador ficar para trás: de um lado, o forte de São Marcelo e os espigões onde moram os bacanas no Corredor da Vitória; do outro, a colina sagrada do Bonfim e o forte de Montserrat. Pára o ferry que eu quero voltar!
Cartazes espalhados pelo navio anunciavam a proibição de ambulantes não-autorizados. Os autorizados, porém, proliferavam, vendendo de castanha de caju a cafezinho na térmica com cigarro avulso. O bonequinho de massa de modelar com cara de pintinho tava pra 2 reais. É chinês, amigo? "Não, aqui da Bahia mesmo."
Um casal de mochileiros grisalhos usava suas mochilas de um metro de altura como apoio para ler calhamaços de 600 páginas. Mais à frente, sentado junto ao corredor, um homem levava no colo uma bandeja com um enorme bolo confeitado, com cobertura de chocolate granulado e maçã. Fiquei curioso: maresia conserva ou desanda glacê?
Para passar o tempo, comecei a filar as manchetes dos jornais dos outros. "Vereador-travesti polemiza antes de assumir", dizia um. "Baêa ganha à moda antiga", berrava outro. (Traduzindo: "Baêa" é uma espécie assim de "Curíntia".)
Alheio a tudo isso, nos monitores de TV pendurados no teto, Jun Sakamoto ensinava os chefs participantes de um reality show de Ana Maria Braga a fazer sashimi.
E o ministério das travessias a Itaparica adverte: "Enquanto durar o processo de dedetização das lanchonetes os nossos produtos não estarão sendo expostos na vitrine, mas os mesmos continuam sendo vendidos. Kibe, coxinha, pastel, sonho, doces, sanduíches, etc.". Obrigado pela sinceridade.
E quando dei por mim, já tínhamos chegado. Me diga uma coisa: por que todo show de Maria Bethânia passa tão rápido?

Fernando de Noronha continua sendo.
Você pediu mais fotos? Lá vão!
Cacimba do Padre:

Boldró: piscina natural do lado esquerdo


Boldró: bar Meu Paraíso, no lado direito


Conceição:




E dois detalhes para quem já está arrumando as malas para ir.
De outubro a fevereiro o mar fica agitado e formam-se ondas em várias praias do Mar de Dentro. O Sancho fica menos cristalino (mas a Praia do Leão e a do Sueste, no Mar de Fora, ficam mais transparentes).
(Por sinal, eu dei sorte. Este ano, segundo me contaram, entrou swell -- ondas -- pelo menos uma vez por mês.)
E a boa notícia: como choveu muito no inverno, nesse verão não tem perigo de faltar água na ilha.

No post anterior vocês comentaram (e suspiraram) sobre casamentos em Noronha.
Pois saibam que uma das minhas fontes quentes da ilha, a querida Patrícia, agora na Noronha Expedições ( 81/3119-3686 ), está se especializando nisso -- não só em casamentos, como também em confirmação de votos, caso você e sua cara-metade já estejam comprometidos :-)
Outro dia ela botou um pastor e seis músicos de câmara do Recife ao pôr-do-sol na Cacimba do Padre para uma confirmação de votos surpresa (a "noiva" não sabia, chorou a não mais poder, e só reclamou de não ter podido se produzir para a ocasião).
Ela me contou que está desenvolvendo até uma confirmação de votos GLS :-)))
Outro charminho que a Patrícia produz são piqueniques ao entardecer. Você roda a ilha e, na hora marcada, e no lugar em que combinou, estão lá a tenda, a esteira, as almofadas, as comidinhas, o champã...

(Essa produção aí não foi ao entardecer porque eu ia pegar o vôo antes, he he.)
O pacote mais básico sai R$ 60 por pessoa -- o que, na moeda corrente de Noronha, não é caro, não.