Filas de espera de duas horas e trinta minutos de durao todos os dias, reservas de ingressos j esgotadas at 2 de fevereiro de 2009. No o show de estria de uma turn do U2, no a final da Liga dos Campees. uma exposio de arte, a mais bem-sucedida exposio de arte em mais de uma dcada na Frana. Mais de 700 mil pessoas passaro pelos corredores do Grand Palais, em Paris, a principal sede das trs em que se realizam a exposio Picasso e os Mestres - a prova de que a maior inspirao do espanhol foi a prpria pintura.
Realizada em trs dos principais museus da Frana - Louvre, Orsay e Picasso -, em Paris, a megaexposio um sucesso to estrondoso de pblico que o assdio levou a Reunio dos Museus Nacionais (RMN), sua organizadora, a abrir as portas pela madrugada, durante 83 horas consecutivas. A maratona acontecer s vsperas do fim da mostra, a partir das 9 horas de 30 de janeiro.
E a exceo ser aberta depois de receber 6,5 mil visitantes por dia, o limite estabelecido pela organizao, durante as 14 horas dirias de abertura. Segundo a RMN, as cifras s no so mais grandiosas porque h 15 anos o nmero de freqentadores passou a ser controlado em nome do conforto dos apreciadores e da segurana das obras. Mesmo com as restries, sabe-se que a aclamao de pblico ser maior do que os fenmenos Czanne, em 1995, e Picasso-Matisse, em 2002. S em vendas do catlogo, 100 mil exemplares, a renda pode atingir 1 milho.
A razo de tamanho triunfo est na conjuno entre uma tese arrebatadora e uma reunio indita de obras que contam um tanto da histria dessa arte. Picasso e os Mestres, como seu nome insinua, agrega em um mesmo ambiente clssicos da obra do gnio malaguenho e as telas que o inspiravam. O objetivo tornar claro para o leigo a influncia que artistas como Greco, Vlasquez, Goya, Delacroix, Manet, Courbet, Lautrec, Czanne, Renoir, Gauguin, Rembrandt e Van Gogh, entre muitos outros, exerceram sobre sua obra.
Pelas salas do Grand Palais, o espectador comum descobre que em cada fase de Pablo Picasso sua fonte de alimentao mais constante era a pintura de exceo. Nos estudos que fazia no Museu do Prado, em Madri, entre 1898 e 1899, ou no Louvre, em Paris, a partir de 1900, est uma chave para compreender seu brilhantismo. Tamanho fascnio no o levava a copiar seus inspiradores, mas a os reinterpretar, subverter, deturpar, ironizar, cultuar. Mais do que nutrir profunda admirao por gnios que o antecederam - ou que lhe eram contemporneos -, Picasso os usava como energia criativa. (Abril.com)