As baleias jubarte, também conhecidas como baleias cantoras, estão dando um show nas águas de Itacaré, pequena cidade baiana cercada de lindas praias e de Mata Atlântica preservada, a 70 quilômetros de Ilhéus. Há dois meses, surgiu um passeio de barco que sai diariamente em busca das célebres visitantes - depois de uma breve palestra em terra firme. O barco balança um pouco, mas o encontro com os filhotes nadando junto da mãe, em um festival de borrifos, vale o incômodo. Com sorte, os turistas presenciam saltos e exibições de cauda. Os recém-nascidos avistados nas águas profundamente azuis de Itacaré foram batizados pela tripulação com o nome das praias locais: Prainha e Itacarezinho, por exemplo.
Quando os pequenos aparecem, fazem brilhar os olhos - e disparar as câmeras - dos visitantes. Instantes depois surge a mãe, gigantesca e protetora, na cola do filhote. Os bebês jubarte têm entre 3 e 4 toneladas ao nascer. Durante a amamentação, bebem até 400 litros de leite e engordam 50 quilos por dia. As fêmeas medem até 16 metros e chegam a pesar 40 toneladas. Antes restritas aos arredores de Abrolhos, nos últimos anos as grandalhonas passaram a visitar praticamente todo o litoral da Bahia entre julho e novembro, temporada em que fogem do frio da Antártida para namorar e ter filhotes em águas quentes. A cada ano, o número de jubartes que visitam o Brasil aumenta, em média, 9%, segundo Márcia Engel, diretora do Instituto Baleia Jubarte - a estimativa atual é de 3 mil delas na nossa costa. Isso fez com que surgissem passeios particulares de avistagem fora de Abrolhos e Praia do Forte, os domínios do instituto.
Segundo Márcia, mesmo na ausência dos biólogos do instituto, os passeios turísticos são um estímulo à preservação da espécie, desde que sejam seguidas as regras do Ibama (que pregam, por exemplo, que o motor do barco deve ser colocado em ponto morto a uma distância de 100 metros das baleias e que a embarcação não deve ficar mais de meia hora perto de um mesmo grupo de animais). "O turismo de avistagem de baleias é uma boa arma contra a caça. Vê-las de perto sensibiliza as pessoas a defender esse animal maravilhoso.", diz Márcia. As jubartes foram praticamente dizimadas da costa baiana antes da proibição da caça, em 1987. Agora elas estão voltando. E, no que depender de turistas emocionados com o encontro, têm tudo para ficar.
Capriche no clique!
As dicas de Washington "Zig" Zaude, o experiente guia que acompanha os turistas no barco, para que as baleias saiam bem na foto:
> Não espere o melhor momento da exibição da baleia para o clique. Faça imagens seqüenciais quando elas aparecerem que a chance de registrar uma bela cena aumentará.
> Mantenha os olhos abertos quando estiver olhando no visor para que a área de cobertura seja maior.
> Mesmo que as baleias estejam na contraluz, não deixe de fazer a foto. O efeito fica muito bonito.
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