Nos fins de semana e na alta temporada, a vida noturna é animadíssima.O menino descalço passa vendendo cocadas. A mulher abre a bolsa Louis Vuitton, pega o dinheiro e troca algumas notas pelo doce. Ao lado, um grupo de amigos combina o programa do dia seguinte - um sobrevôo sobre as praias da região - enquanto derruba algumas garrafas de cerveja. Estão em dúvida: de avião ou de parasail? Um mochileiro de cabelos longos e barba por fazer pergunta onde há um camping barato. Balaio repleto às costas, o pescador oferece ao dono do bar o resultado do trabalho do dia. A Praia do Forte ainda é uma vila de pescadores, mas é também o mais badalado destino da Linha Verde, estrada litorânea ao norte de Salvador. Abriga dois dos melhores resorts do Brasil, o Praia do Forte Eco Resort, um dos pioneiros, inaugurado em 1985; e o Iberostar, ambicioso: quando concluído deve ser o maior do país.
Mas não são apenas os mega-resorts a acolher os visitantes. Pousadas de charme, como a Refúgio da Vila e a Farol das Tartarugas, tratam de mimar os hóspedes que preferem algo menos impessoal. Para badalar, endereços bacanas, como o Bar do Souza, epicentro do agito noturno, onde são preparados ótimos bolinhos de peixe, e o Tango Café, mais intimista e sempre cheio, com repertório de drinques interessantes, como o que combina sorvete de creme, conhaque, chocolate e café. Não faltam lojas de grife, joalherias nem shoppings. Mas ainda assim a Praia do Forte conserva a atmosfera rústica. Tem igrejinha, algumas ruas de terra, casebres coloridos, saveiros ao vento.
A Avenida ACM, fechada ao tráfego de veículos, delimita esses dois universos. Ao longo dela, os artigos de primeira necessidade dos turistas: bares, restaurantes, farmácias e um comércio bacana. Explorando as ruas transversais, a vida real. Nas portas das casas há gente consertando redes de pesca. Outras se ocupam confeccionando artesanato. Crianças brincam ao lado de panelas e roupas secam ao sol. Fica fácil entender por que o lugar, o sexto colocado este ano, nunca deixou de estar entre as dez melhores praias do Brasil, segundo os leitores da VT.
A noite da Praia do Forte acompanha a tendência de embaralhar tribos e classes sociais - sob o céu quase sempre estrelado. O luau reúne gringos, soteropolitanos e nativos. A rave atrai os moderninhos. Casais preferem um programa mais intimista, se entregando às iguarias do Fata Morgana e do O Europeu. Os 14 quilômetros de praia alternam trechos desertos com pontos agitados, onde há barracas e muito movimento. Areia branquinha, águas límpidas e corais formam uma paisagem caribenha. Durante o dia, além da preguiça à beira-mar, pode-se experimentar um mergulho de snorkel nas piscinas naturais transparentes e de fauna variada. Ou, ainda, explorar uma das muitas trilhas da Reserva de Sapiranga, um dos raros resquícios de Mata Atlântica do litoral baiano.
Os atributos naturais e os trabalhos de preservação desenvolvidos ali transformaram a Praia do Forte em sinônimo de consciência ambiental. Nasceu ali, em 1980, o mais bem-sucedido projeto de conservação ecológica (quando poucos sabiam o significado da palavra) do Brasil: o Tamar, que estuda e protege as tartarugas marinhas. A base principal tem ótima estrutura para receber visitantes, com tanques de criação, aquários com peixes da costa brasileira, painéis explicativos, loja, bar e restaurante. Biólogos acompanham os ninhos entre setembro e março - mas o melhor período para observar o trabalho é entre dezembro e fevereiro, quando são soltos os filhotes.
Passeios de quadriciclo exploram os arredores, com paradas no farol e no Castelo Garcia d'Ávila, a única construção medieval da América do Sul. No Parque de Aventuras Bicho-Preguiça, um circuito de arvorismo com rapel e tirolesa dá o toque de emoção. Mas, quer saber? O que emociona mesmo é observar o pescador fazendo a rede, o desajeitado primeiro encontro das tartaruguinhas com o mar, o espetáculo das baleias, o rostinho do vendedor de cocadas...
6º lugar no Prêmio VT
Onde fica: Praia do Forte, BA
O que tem: 14 quilômetros bem preservados, com areia clara, coqueiros, mar cristalino, recifes, cardumes coloridos, tartarugas e, entre julho e novembro, baleias jubarte. Ao redor, o verde de cinco reservas ambientais dá o tom.
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