Palm Beach é uma mini-Cancún: sabe aquele paredão de hotéis pé-na-areia, com a avenida passando nos fundos? É assim, só que numa escala mais humana. Você sai do hotel e pode caminhar pela avenida de cima a baixo, olhando vitrines (nada muito sério: roupa de praia, suvenires, conveniências) e escolhendo seu restaurante. Na praia, um calçadãozinho conecta os hotéis e leva a centros náuticos (que alugam equipamentos e organizam passeios e mergulhos), bares e restaurantes simpáticos (experimente o Moomba, entre o Holiday Inn e o Marriott, e o Bugaloe, na ponta do píer). Quase todos os hotéis têm cassino - que começam a funcionar já de manhã. Palm Beach é tão auto-suficiente que você pode passar sua temporada inteira sem sair de lá.
Mas a ilha é pequena, e alugar um carro fica muito em conta: dá para conseguir um compacto, com seguro, por 35 dólares por dia. A capital, Oranjestad (a 15 minutos de Palm Beach), é quase uma cidadezinha cenográfica, que existe em função do terminal de megacruzeiros. Mas não descarte o centrinho: por ali se escondem restaurantes charmosos, como o cubano Cuba's Cooking, o contemporâneo Qué Pasa?, o colombiano Cafetal e o surinamês Warung Enah.
Aproveite seus dias de carro para trocar o mar de espreguiçadeiras de Palm Beach por areias menos povoadas (para não sentir falta do serviço de bordo, leve uma geladeirinha e abasteça num supermercado). Na ponta norte ficam Malmok Beach, cercada pormansões, e Arashi Beach, que tem um lindo recorte e cabanas de sapé grátis. Já no extremo sul da ilha ficam duas praias calmíssimas: Roger's Beach e Baby Beach - esta, uma verdadeira piscininha para crianças (mas tente abstrair do seu campo de visão a refinaria que vai estar do lado direito). Na ida, faça um pit stop no Charlie's Bar, no centrinho da vila de San Nicolas, decorado com quinquilharias. Na volta, almoce ou jante em outra instituição da ilha, o Brisas del Mar, em Savaneta. Peça o "Aruba plate", com cinco especialidades: peixe ao molho créole, bolinhos de peixe, kiri kiri (um picadinho de peixe condimentado), pan bati (o pão local) e funchi (um parente da polenta).
A costa leste da ilha, com mar bravio e desprovida de estradas, é melhor explorada em passeios organizados - de jipe, quadriciclo ou cavalo. Infelizmente, a maior atração topográfica da ilha, a Ponte Natural (uma espécie de Pedra Furada que dava para caminhar por cima), não existe mais: desabou em 2005. Mas por ali continua fácil achar o outro símbolo de Aruba: a divi-divi, a árvore retorcida pelo vento que parece um bonsai que resolveu crescer.
Tirando a divi-divi, porém, não espere encontrar muito exotismo, não. Para ouvir papiamento - o divertido idioma local, derivado de português e espanhol e outras línguas -, ligue o rádio do carro na 99,9 FM. Apesar de fazer parte do Caribe holandês, Aruba mais parece um posto avançado dos Estados Unidos. Tudo é feito ao gosto americano, do estilo dos hotéis ao tamanho das porções nos restaurantes. Você não precisa nem trocar dinheiro na moeda local: até o troco vem em dólar. Todo mundo fala inglês - mas você pode se comunicar em portunhol, já que os atendentes normalmente são imigrantes (em Aruba, eles vêm da Venezuela e da Colômbia). A diferença entre Aruba e os Estados Unidos (ou mesmo Cancún) é que você não precisa de visto. Não falei que era descomplicado?
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