Mas não é só a língua que fará você se sentir em casa. O coração colonial de Willemstad lembra o do Recife, também com canais. O mais importante deles - o de Santa Ana - divide o centro histórico em duas partes: Punda ("ponto"), onde a cidade começou, eOtrobanda ("outro lado"), para onde a capital se expandiu no século 18. A margem de Punda tem o mais bonito skyline do Caribe, com prédios de arquitetura holandesa emcores fortíssimas - segundo a lenda, por ordem de um governador que atribuía sua eterna enxaqueca ao branco das fachadas de então. A ligação entre as duas partes é feita por uma ponte flutuante,que é rebocada até a margem de Otrobanda toda vez que um navio precisa passar.
Mesmo que você se hospede num hotel na praia, vai ter muitos motivos para voltar com freqüência a Willemstad. De manhã cedo, para passar em revista o Mercado Flutuante, em Punda, uma feira em que as barracas são os barcos que vêm da Venezuela (a apenas 60 quilômetros dali) com peixes, frutas e legumes (os gringos aproveitam para fotografar essa raiz estranha, a mandioca); na hora do almoço, para traçar um PF indonésio (vamos, coragem!) num dos restaurantes populares do Mercado Público; à tarde, para visitar o impressionante Museu Kurá Hulanda, especializado na história do comércio de escravos. Ou para fotografar os casarões restaurados da região do Scharloo, onde moravam os judeus aristocratas. Ou ainda visitar a Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel, em Punda, fundada em 1732, que é a mais antiga das Américas em funcionamento contínuo (a do Recife é anterior, mas parou de funcionar) e tem chão de areia, para lembrar os anos em que os judeus erraram no deserto. Você também vaiquerer voltar à noite para jantar num dos restaurantes instalados em antigos fortes (como o francês Le Clochard, no Forte Riffort, em Otrobanda, e o italiano La Pergola, no Forte Waterfort, em Punda) ou em casarões coloniais (como o nativo Gouverneur, na antiga residência do governador em Otrobanda).
As praias de Curaçao são relativamente pequenas e delimitadas por rochedos que parecem brotar do mar. Nenhuma das praias nota 10 é ocupada com hotéis. Algumas são públicas, como a belíssima Grote Knip, a 25 quilômetros a oeste do centro, e a pequena Playa Kalki, 8 quilômetros adiante. Outras cobram a entrada, como a perfeita Cas Abou, a 15 quilômetros a oeste do centro (3 dólares para entrar, mais 7 para estacionar), ou Port Marie, que tem duas barreiras de recife e é ótima para o snorkeling, a 12 quilômetros a oeste (2 dólares). A praia mais muvucada fica a cinco minutos de táxi de Willemstad: é a Seaquarium Beach. Pagam-se 3 dólares para entrar e escolher entre cinco clubes de praia - a juventude sarada fica no Mambo Beach, que à noite vira um night club na areia. Ali ao lado fica o Seaquarium, onde se nada com golfinhos. Detalhe: a exemplo das praias da maioria dos hotéis de Curaçao, a Seaquarium Beach foi feita pelo homem: a barreira de recifes é artificial e a areia branquinha veio de longe.
Por um lado, Curaçao é o oposto absoluto de Aruba. Mas, por outro, é seu complemento perfeito: os pacotes com as duas ilhas não têm erro.
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