Muitos turistas passam apenas um dia em Bonaire, uma ilha extremamente árida situada a 81 quilômetros da costa da Venezuela. Eles chegam de barco da vizinha Curaçao, fotografam os flamingos que enfeitam as lagoas próximas da capital, Kralendijk, e partem no final do dia. Perdem o que a ilha tem de melhor: o fundo do mar. Pois Bonaire não é margeada nem fica perto de um recife coralíneo. Ela é um grande recife, onde vivem mais de 500 espécies de peixes e cerca de 130 tipos de coral. Por isso, para chegar aos melhores dos 87 points, nem é preciso entrar num barco: a estrada que corta a ilha está cheia de pedras pintadas de amarelo, sinalizando que ali há um ponto de mergulho.
Basta estacionar o carro, se equipar, caminhar alguns passos pela areia e pôr o rosto na água para encontrar cardumes de frades, xaréus e tartarugas. Na ausência de rios despejando sedimentos no mar, a água é sempre cristalina. O próprio píer da cidade proporciona um mergulho noturno espetacular. Delicados pólipos de coral laranja aderiram aos pilares do atracadouro, que virou abrigo para moréias, cavalos-marinhos e peixes-borboleta.
Um pouco mais afastado da costa, apoiado no fundo de areia a 32 metros de profundidade, repousam os destroços do Hilma Hooker, conhecido como o naufrágio da maconha. O cargueiro foi a pique em 1984 com uma carga de 7 toneladas da erva.
Bonaire é a ilha mais ecologicamente correta do Caribe. A natureza subaquática está toda protegida por lei: nada pode ser tocado, coletado ou danificado. Também é proibido ancorar na costa, e a pesca submarina foi banida para sempre. A consciência ecológica é regra também na superfície. No aeroporto, por exemplo, os turistas podem doar as moedas que sobraram para alimentar burricos carentes. Mas, apesar de ser natureba, Bonaire tem a estrutura que se espera de um ilha caribenha: há grandes resorts, bons restaurantes e até cassinos. Os programas secos também valem a pena. Um dos melhores é pegar a estrada rumo ao norte curtindo a vista a bordo de uma scooter. Em alguns pontos, basta olhar para a água para ver peixes e corais sem sair do asfalto.
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