Na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, Cauã Reymond se prepara para entrar em cena mais uma vez. Só que agora ele encara as lentes do fotógrafo Rogério Faissal para ilustrar a reportagem de capa desta edição especial. Ali, nada de personagens: é o próprio Cauã que exibe seu carisma. A cada clique, uma pequena platéia se forma para conferir a performance do rapaz. Simpático e nada tímido, ele faz questão de atender a todos que o procuram.
Mas não foram a simpatia nem o rostinho bonito de Cauã que chamaram a atenção de Susan Batson, uma das mais renomadas coaches dos Estados Unidos, que o convidou para fazer um curso de interpretação na escola Black Nexus, em Nova York. Para ter uma idéia, Susan foi a coach - ou professora particular - de nomes como Nicole Kidman, Tom Cruise e Juliette Binoche, entre outros. "Posso dizer que esse curso foi determinante para o que escolhi. Minha base está toda lá", diz ele.
Na verdade, a treinadora das grandes estrelas de Hollywood ajudou Cauã a descobrir sua verdadeira vocação. Antes de participar do curso, o carioca de 25 anos havia escolhido Nova York como destino por outros motivos. Primeiro, por gostar de voar de um lugar a outro. "Em tupi, meu nome significa 'gavião', 'ave de rapina'. Quando vejo um gavião, me identifico. Gosto de bater asas", diz ele, que já viveu também em Friburgo, Santa Catarina, Milão e Paris. A segunda razão de sua opção foi aproveitar a estada para aperfeiçoar seu inglês.
Foi só quando já estava voltando ao Brasil que esbarrou em Susan Batson, que considera sua "fada-madrinha". "Nessa época, nem pensava em ser ator. Fui fazer apenas uma aula de teatro. Mas Susan gostou muito de mim, me deu uma bolsa de estudos e eu resolvi ficar", diz. As fãs agradecem. Mas o galã adverte que não foi fácil passar por essa experiência. "Todo mundo acha que morar fora é uma maravilha, mas é bem difícil. Foi a época mais casca-grossa da minha vida", diz. Para conseguir ganhar algum dinheiro, ele se desdobrava em vários. "Como estava sempre duro e tinha aulas só pela manhã, dedicava as tardes para lavar banheiro, pintar parede, atender telefone, varrer chão. Enfim, eu era o faz-tudo", diz, achando graça da situação. A recompensa, segundo ele, foi mais do que satisfatória. "Estava com a auto-estima bem baixa e a Susan disse que eu tinha talento. Hoje me vejo realizando várias coisas, e muitas delas foram ditas pela Susan há quatro, cinco anos", diz.
Além de boas recordações, ele também coleciona histórias hilárias, como a vez em que foi esnobado por um mendigo. "Eu costumava comer sentado na calçada, perto de onde estudava. Como não tinha dinheiro para o lanche, sempre andava com uma barra de proteína, uma maçã e uma banana. E havia um mendigo que sempre ficava por ali. Um dia ele veio me pedir dinheiro. Eu falei que não tinha e resolvi oferecer a banana e a maçã. Mas ele respondeu que não comia aquelas coisas", diz.
Cauã tem várias dicas de Nova York. Para comer, recomenda o The Spotted Pig, no bairro de West Village. Para se divertir, sua sugestão é o bairro Williams Burn. "É uma espécie de Soho de 20 anos atrás", compara. Os museus de História Natual e o Guggenheim também são dicas do ator. Para relaxar, ele indica o Hudson River. "Foi o primeiro lugar com o qual me identifiquei. De certa forma, era uma maneira de estar mais próximo do Rio e do mar."
O ator também freqüentava várias lojas de comida natural e orgânica. Na época de vacas magras, no entanto, optava por lugares mais simples, entre eles um restaurante cubano localizado na Broadway, perto da Houston Street. O cardápio era sempre o mesmo: arroz, feijão, banana e um pedaço de frango. Mas o preço de 4,50 dólares também era fixo - uma grande vantagem para quem tinha um orçamento diário de 20 dólares.
Apesar de todas as dificuldades, Cauã garante que o sucesso que conquistou é resultado do que enfrentou lá fora. "Para aqueles que pretendem estudar no exterior, duas coisas são muito importantes: saber exatamente o que se quer e aproveitar o tempo para aprender a língua local", diz.
Sobre seus planos, a resposta é imediata: "Estou pensando em fazer um curso em Cuba. Estudar se tornou algo básico pra mim. Tem gente que, depois que faz sucesso, pára de estudar. No exterior, nenhum ator é assim. Eles têm fome de aprender, e acho que trouxe esse hábito de lá. Quero evoluir."
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