"Quer uma mãozinha?" Ao parar numa esquina, parque ou café, basta abrir um mapa ou qualquer livro com cara de guia para um neozelandês abordá-lo com essa pergunta, entre um largo sorriso. Depois de ajudar você a se achar, ele ainda faz questão de uma última delicadeza: "Está se divertindo?", indaga, na maior sinceridade. Essa atitude só comprova duas coisas. A primeira é que os kiwis - como são chamados os nascidos por aqui - são infinitamente mais doces do que azedos, ao contrário da fruta nativa. E bem mais sociáveis do que o pássaro-símbolo do país, também chamado kiwi, tão tímido que muitos dos kiwis-homens nunca o viram. A segunda é que diversão é assunto seriíssimo na terra natal do bungy jumping (por aqui é bungy mesmo, com "y" no final) e dos esportes radicais. Dá até para entender essa vocação. Afinal, para chegar a este lugar longínquo, algum espírito aventureiro sempre foi e continua sendo necessário.
Os primeiros habitantes, os maoris, aportaram aqui no século 14, após enfrentar o Pacífico desde as ilhas polinésias, em embarcações a vela. Suas primeiras vilas, feitas de madeira, pedra e palha, hoje são reproduzidas apenas como peças de museus ou em reservas, mas fazem a gente babar em cada detalhe caprichado construído pelos engenheiros-artesãos. Alguns de seus costumes, porém, acabaram enraizados no cotidiano dos kiwis, sejam eles descendentes dos maoris ou dos pakehas, como foram apelidados os europeus que chegaram no século 17. Um bonito exemplo de respeito entre povos.
Isso é levado tão a sério que, no início de cada partida do All Blacks - o mais importante time de rúgbi -, todos os jogadores se reúnem no meio do campo para cantar e dançar o haka, coreografia que os maoris faziam para se concentrar, canalizar energia, afastar o medo e intimidar os adversários. Que um dia já foram os pakehas. O primeiro deles, o holandês Abel Tasman, notificou, em 1642, a existência da Nieuw Zeeland, mas não aportou ali. O desembarque de europeus foi mais uma obra do capitão inglês James Cook, que chegou em 1769 e transformou o lugar em colônia britânica por 178 anos. O termo pakeha pegou e hoje é utilizado para se referir aos neozelandeses de pele clara que, junto a outros imigrantes e aos maoris, somam os 4 milhões de habitantes do país. A origem, no entanto, não importa: o fato é que os kiwis são mesmo bons samaritanos. E a cordialidade do povo é a primeira maravilha que a Nova Zelândia apresenta aos visitantes.
A seguir, as maravilhas naturais se mostram bem rapidinho, literalmente. Baías de areia dourada no mar do Pacífico, descampados em tons de marrom, lagos turquesas e rios cristalinos são cercados por cordilheiras, cujos picos nevados podem culminar em fiordes espetaculares, a poucos minutos de enormes geleiras e praias de areia acinzentada, no bravio Mar da Tasmânia. É possível ver tudo isso no mesmo país e num único dia, dirigindo apenas cerca de 6 horas em estradas que cortam a Ilha Sul de leste a oeste. Sem falar nos vulcões, nas cavernas, nos gêiseres e no litoral da Ilha Norte.
Locomover-se entre as ilhas também é fácil - elas estão separadas pelos 20 quilômetros de mar do Estreito de Cook e conectadas por algumas linhas de ferry que, em 3 horas, transportam pessoas e carros entre Picton, no sul, e Wellington, no norte. E o melhor de tudo: quem não se contentar em apenas admirar estes cenários tão diferentes pode também se jogar no imenso cardápio de esportes radicais - que vão muito além do bungy jumping, você vai ver. Uma espécie de parque de diversões radical que caberia em metade do estado de Minas Gerais. Segure o queixo e kia ora!
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