Todo kiwi conhece essa história, contada e recontada nas escolas e em grandes museus do país. O Museu da Nova Zelândia (Cable Street, 04/381-7000, www.tepapa.govt.nz. 10h/18h, sex. a qua.; 10h/21h, qui. Entrada gratuita), em Wellington, é o ponto de partida para entender a riqueza cultural dos maoris e vivenciar a história do lugar em espaços interativos - você pode até sentir-se em um terremoto! Só rivaliza com o Museu de Auckland (Maunsell Road, 09/309-0443, www.aucklandmuseum.com. 10h/17h.), a maior cidade neozelandesa. Lá, procure a guia voluntária Colleen Williams. Nascida nas Ilhas Fiji e apaixonada pelo país, onde mora há 50 anos, ela já é uma kiwi nata e saca da manga observações inusitadas. "Ao contrário dos africanos, que têm pernas longas e costas curtas, os maoris possuem o tronco mais comprido e pernas menores. Isso os ajuda no rúgbi. Fintam com o corpo mais perto do chão, em alta velocidade, para driblar o adversário", explica a torcedora do All Blacks. O rúgbi é para a Nova Zelândia o que o futebol é para o Brasil.
Mas não reserve mais que dois dias para Auckland ou Wellington - é no caminho entre elas que se concentra o mais legal da Ilha Norte. A 203 quilômetros de Auckland, a pequena Waitomo tem apenas duas ruas, mas em seus arredores estão alguns dos maiores atrativos do país: mais de 300 cavernas calcárias. São vários os modos de conhecê-las, sendo que o mais radical é encarar o Black Water Rafting. Vale a pena, por mais que a idéia de descer 65 metros em direção ao fundo da terra, boiando sobre uma câmara de pneu no rio que corta a Caverna Ruakuri, lhe pareça assustadora. Roupas de borracha, capacetes com lanternas e as piadas dos guias ajudam a espantar o medo e a esquecer o frio (que chega 10º C no inverno). A aventura começa por pequenas corredeiras que levam à caverna cheia de estalactites e estalagmites. Mas o êxtase vem assim que todos apagam as lanternas e o teto se transforma num céu de estrelas verdes. A mágica é obra das famosas glowworms, pequenas minhocas luminescentes que habitam o lugar. A Legendary Black Water Rafting Company (585, Waitomo Caves Road, 07/878-6219, www.blackwaterrafting.co.nz. 9h/15h) leva grupos, e há saídas a cada 1 hora e meia. Para conhecer um cenário parecido, mas a seco, a pedida é o tour de 45 minutos na Caverna Glowworm (07/878-8227, www.waitomocaves.co.nz. 9h/17h. Saídas a cada 30 minutos), a mais famosa da região.
Outra celebridade da Ilha Norte está a 150 quilômetros dali. Trata-se de Rotorua, um complexo de gêiseres, borbulhantes piscinas de lama e nascentes de água quente, que abastecem os tratamentos de pele e relaxamento vendidos nos spas da região. Fica bem em cima de um gigante platô vulcânico, portanto vapores de enxofre brotam da terra. Não torça o nariz - o cheiro de ovo não impediu que, no passado, o lugar tenha reunido o maior número de maoris do país e muito menos que, no presente, tenha virado o destino turístico mais popular e comercial da Nova Zelândia. O Te Whakarewarewa Thermal Valley (Hemo Road, 07/348-9047, www.tepuia.com. 8h/18h, out. a mar.; 8h/17h, abr. a set) é imperdível. Além dos fenômenos naturais, há um museu, a réplica de uma antiga vila maori e um show típico sempre às 12h25. O show da noite (às 17h15, no inverno, e às 18h15, no verão) inclui o jantar. O mais impressionante da região, no entanto, é o gêiser Pohutu. Entra em erupção até 20 vezes por dia, jorrando água quente no ar, a dezenas de metros de altura.
Pertinho, a 1 hora de carro, Taupo também tem reservas geotérmicas parecidas, embora menos turísticas, como a Craters of the Moon, a 7,5 quilômetros do centro. A cidade fica na beirada nordeste do lago homônimo, cujo nome significa "o coração do peixe pescado por Maui". Alojado na cratera de um vulcão que explodiu há 26 mil anos, o Lago Taupo é o maior da Nova Zelândia (606 quilômetros quadrados) e o paraíso dos pescadores de truta. Após fuçar nas graciosas lojinhas do centrinho e escolher um dos vários cafés para fazer uma boquinha, a boa é curtir um fim de tarde num minicruzeiro. Os barcos saem do Taupo Boat Harbour.
Apenas caminhar pela borda do lago já é um programaço. A paisagem é nada menos que os picos nevados do Tongariro National Park, reserva transformada em patrimônio mundial que abriga três vulcões ainda em atividade: o Ruapehu, o Ngauruhoe e o Tongariro. Para explorar o lugar no verão, o negócio é fazer tramping, que significa o mesmo que hiking, ou seja, caminhada, no inglês dos kiwis. Já no inverno, o quente por aqui é esquiar. E, o ano inteiro, é possível fazer um vôo cênico. A região de Taupo também é das mais procuradas pelos que querem fazer pára-quedismo ou bungy jumping. Mas, se você pretende ir à Ilha Sul, se segure. A capital mundial dos esportes radicais é mais embaixo.
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