Hoje, o bungy pioneiro é apenas uma das incontáveis opções do menu de adrenalina de Queenstown. "Seriam precisos 37 dias e um pique frenético para conseguir fazer todas as modalidades de esporte que esta região oferece", comenta o guia que leva um grupo até a rua Shotover. O lugar é um shopping center da aventura a céu aberto. Há uma empresa para cada tipo de atividade e suas 1 002 variações, criadas sob medida para determinada paisagem. Sobre rios cristalinos, entre cânions e florestas ou sobre montanhas nevadas, faz-se de rafting a pára-quedismo, passando por jetboating, canyoning e tudo o mais que termine com "ing" ou dê um frio na barriga só de pensar.
Não é preciso, no entanto, embarcar numa dessas loucuras para se apaixonar pelo lugar. Com apenas 7 500 moradores e aninhada sob uma cadeia montanhosa, adequadamente apelidada de The Remarkables (As Notáveis), Queenstown também sabe entreter seus hóspedes com programas relaxantes. Você pode passar a tarde jogando sinuca no lounge aquecido (mesmo as noites de verão chegam a 10º C) de um hotel com vista para uma bela paisagem, o que é facinho de achar. Ou então embarcar num passeio de gôndola pelo Lago Wakatipu. Durante o dia, a massa de turistas ávidos por aventura se embrenha na natureza e desaparece do centro, que só volta a ferver na hora da balada.
A noite de Christchurch também é agitada, e sua fama percorre o país. Mas a luz do dia é ainda melhor para apreciar a beleza da cidade mais inglesa da Nova Zelândia. Às margens do Rio Avon, há terraços repletos de cafés e restaurantes, praças e o Jardim Botânico (Rolleston Avenue. 7h/17h. Entrada gratuita). Ao lado, está o gigantesco Hagley Park, que só é menor que o Hyde Park, de Londres, e o Central Park, de Nova York. Bondes do século 19 ainda circulam pelo centro, mas levando turistas desde a Cathedral Square, onde a escultura metálica de 18 metros criada por Neil Dawson, para celebrar a chegada do milênio, contrasta com a arquitetura gótica da Catedral de Christchurch (03/366-0046. 8h30/19h, seg. a sex.; 9h/18h, sáb. e dom), de 1881. Para saber mais sobre a história do lugar, leve um lero com o bem-humorado senhor Michael, que guia gratuitamente os visitantes pelo interior da igreja.
Não deixe também de curtir as lojinhas, restaurantes e cafés do Arts Centre (2, Worcester Street, 03/363-2836, www.artscentre.org.nz. 9h30/17h), instalado no prédio da antiga Universidade de Canterbury, o Museu de Canterbury (Rolleston Avenue, 03/366-5000. 9h/17h) e a modernosa Galeria de Arte de Christchurch (Worcester Street com a Montreal Street, 03/941-7300, www.christchurchartgallery.org.nz. 10h/17h, qui. a ter.; 10h/21h, qua.). Nenhum desses lugares cobra entrada.
Da cidade, já é possível ver o perfil do majestoso Monte Cook, a 330 quilômetros. O pico mais alto do país, com 3 755 metros, desponta entre as montanhas dos Alpes do Sul, cadeia que se estende por 650 quilômetros no sentido norte-sul. Ela é a grande responsável pela drástica mudança na paisagem, surpreendendo a todos os que cortam o sul da Nova Zelândia de leste a oeste. Os Alpes barram as correntes de ar carregadas de umidade que chegam do Mar da Tasmânia. Resultado: do lado oeste, há densas florestas fertilizadas pela média de 200 dias de chuva por ano. Mas nem por isso deixe de fazer um cruzeiro pelo fiorde de Milford Sound no Red Boat Cruises (0800-657444, www.redboats.co.nz). Depois de tanta água, os ventos chegam fracos e sequinhos ao lado a leste das montanhas. Por isso, a vegetação de lugares como a pequena cidade de Te Anau é rarefeita e amarronzada, mesmo beirando o segundo maior lago do país. Os contrastes fazem com que a estrada que liga Milford Sound a Te Anau seja uma das mais belas do país.
Outra vedete da Ilha Sul é o Fox Glacier - de beleza semelhante, mas menos badalado que seu irmão, Franz Josef Glacier, a 25 quilômetros. É uma montanha de puro gelo, espremida entre outras duas encapadas por florestas verdejantes. Acompanhado de um guia e com equipamento apropriado, caminha-se sobre a geleira. A aventura dura 4 horas¿ no Glacier Walks & Ice Adventures (03/751-0825, www.foxguides.co.nz). Tanto essa como todas as trilhas e atividades praticadas entre a natureza da Nova Zelândia são monitoradas pelo Departamento de Conservação (DOC) do país.
É superfácil viajar pela Nova Zelândia. Em toda cidade, por menor que seja, há um Visitor Information Centre (centro de informação), identificado pelo símbolo i-SITE (www.i-site.org). Ali se fica sabendo de tudo: os melhores lugares para ir, conforme os passeios e atividades que procura, dicas de hospedagem para todos os bolsos, como chegar. Dá até para fazer as reservas. Se resolver alugar um carro, cuidado nas estradas. Não que elas sejam ruins - o asfalto é liso e não há pedágio. Mas porque é fácil se distrair observando o gigantismo de uma natureza que se transforma em poucos quilômetros, sempre virgem, plena, inspiradora. Dirige-se por horas sem ver praticamente ninguém. Somente ovelhas! São 40 milhões delas espalhadas pelo país - dez para cada kiwi. E, além de não ajudá-lo a achar seu caminho, ainda podem atrapalhar - e muito - se cruzarem a estrada.
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