Antes de qualquer consideração sobre Vail, a meca do esqui nas Montanhas Rochosas, no Colorado - e um dos melhores lugares do mundo para a prática do esporte -, saiba que esquiar é uma atividade pesada, queima cerca de 500 (!) calorias por hora, é tecnicamente complicada (pelo menos até você pegar o jeito) e, enfim, absolutamente viciante. Uma vez que você está bem equilibrado sobre as duas pranchas e elas passam a deslizar - rápido, cada vez mais rápido - pela encosta gelada, as manobras começam a sair, sua performance vai ficando melhor descida após descida e essa brincadeirinha não termina jamais - mesmo que você se torne uma fera das montanhas.
É esse prazer, afinal, que, 40 anos atrás, levou experts a escolherem a dedo os enormes montes cobertos de neve (de outubro a abril), absolutamente debruçados sobre o que hoje é Vail, desmatassem parte da encosta e fizessem as pistas mais perfeitas dos Estados Unidos - para esquiadores de todos os níveis, diga-se.
Embaixo delas, uma estrutura invejável e peculiar, principalmente se comparada com a outra famosa estação vizinha, Aspen.
Enquanto essa é (muito) mais aristocrática e com um charmoso twist de Velho Oeste, época em que a cidade surgiu, Vail lembra um conjunto de condomínios elegantes e confortáveis, planejados, antes de tudo, para cumprir uma finalidade: servir aos amantes do esqui.
Isso quer dizer, então, que a cidade é propícia apenas para essa finalidade e ponto? Sim, mais ou menos isso. Principalmente, porque boa parte de quem vem para Vail põe os esquis nos pés às 9h da matina, hora em que "abre" a montanha, e fica até o fim do dia, no delicioso e instigante aperfeiçoamento citado parágrafos atrás.
E há ainda quem vá além. Juntinho a Vail, interligadas por microônibus (gratuitos) há mais duas estações: Beaver Creek e Keystone. Essa última, com pistas iluminadas que funcionam até as 21h (!). Mas isso para viciados.
Gente mais normal, que esquia, digamos, umas 8 horas por dia, pratica outro esporte: o chamado après-ski. Isso significa reunir-se nos charmosos bares e cafés da região para tomar drinques exóticos e comentar - adivinhe - as aventuras vividas ao longo do dia nas montanhas. E tem mais: Vail abriga também ótimos restaurantes especializados em carnes de caça. Alguns, mais temáticos, ficam distantes do centro e lembram uma cabana de Daniel Boone, com música country ao vivo, lareira e luz de velas - tudo muito típico. Até no horário. Como o objetivo - lá vamos nós, de novo - é dormir bem para subir (e descer, claro) tinindo a montanha, no dia seguinte, a noitada termina cedo.
Bem, mas, se a nevasca da madrugada for intensa demais e as pistas não abrirem, os hóspedes de Vail batem perna pelos vários corredores de lojas e vão gastar seu precioso dinheirinho em itens de grife, vinhos, arte e, principalmente, numa infinidade de ofertas de tudo o que há de mais novo em vestuário - casacões, impermeáveis e afins - e em equipamentos para esquiar.
Feito isso, hora de ir para outra mania local: os spas. São vários, todos completíssimos. O maior deles é o Vail Athletic Club, que tem uma área equivalente ao tamanho de três campos oficiais de futebol. Ali há desde tratamento com lama quente (para a pele) até suadas aulas de escalada indoor.
Voltinhas, piruetas e tombos na pista de patinação e passeios em snowmobile (há uns pequenos que crianças a partir de 6 anos adoram) completam a programação, digamos, off-esqui.
Falando nos pequenos, aliás, eles têm - sim, senhor - muito que fazer numa estação de esqui como Vail. Isso porque, bem de acordo com o jeitão americano de se relacionar com as crianças, eles defendem a seguinte máxima: "Enquanto elas viverem os grandes momentos de suas vidinhas, você também viverá os seus". Ou seja, um para cada lado. Isto é, além das aulas de esqui, há monitores (muitos chegam a falar portunhol) e atrações à vontade. A maior delas é o Adventure Ridge, um tobogã em que os garotos sobem em bóias infláveis e deslizam pela neve. Além disso, dias temáticos, mapas das trilhas da região feitos como se fossem impressos do Velho Oeste e até restaurantes exclusivos para menores, definitivamente, deixam as crianças muito ocupadas - e exaustas no final de cada dia. Aliás, assim como os pais. Que, só para lembrar, costumam passar seus dias inteiros esquiando.
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