A palavra Apartheid, em africâner, significa separação. Para a maioria da população sul-africana, composta por negros, significou sofrimento. Afinal, foi meio século de opressão e humilhação nas mãos dos governantes brancos. O turista que visita a África do Sul tem a chance de conhecer a fundo um dos mais tristes capítulos da história contemporânea, que, para o bem de todos, é página virada há dez anos. Em toda parte, alguém terá algo a dizer a respeito. Por isso, acostume-se: você ouvirá falar muito de Nelson Mandela, o grande ídolo nacional. E, se for mais curioso, vai seguir seus passos, visitar museus e interessar-se pelo assunto. E, no final, vai entender por que eles fazem questão de ser chamados de nação arco-íris.
Em Johannesburgo
Museu do Apartheid: Northern Parkway e Gold Reef Road, Southdale, 11/309-4700, www.apartheidmuseum.org. É o mais completo museu sobre o apartheid. Faz o visitante sentir na pele a experiência dos anos de segregação racial. Logo na entrada, recebe um cartão de identificação de "white" e "non-white". Salas muito bem montadas contam a história do regime, por períodos, com áudios e vídeos aterrorizantes - como os de governantes defendendo que os negros pertencem a uma raça inferior. De ter. a dom., das 10h às 17h.
Na Cidade do Cabo
Ilha Robben: em Table Bay, a 11 km da costa, 21/413-4200, www.robben-island.org.za. Em um tour que dura 3 horas e meia, conheça a ilha onde, por 18 anos, esteve preso Nelson Mandela, e que serviu de confinamento de presos políticos por mais de três séculos. A viagem começa na Nelson Mandela Gateway, no Waterfront, em barcos que saem de hora em hora, entre 9h e 15h (se houver mau tempo, os tours não saem). Recomenda-se reservar três dias antes.
District Six Museum: 25-A, Buitenkant Street, 21/461-8745, www.d6.co.za. Em 1966, o bairro do District Six - um importante centro cultural da Cidade do Cabo - foi declarado área de brancos. Mais de 60 mil negros foram expulsos de lá, e, suas casas, demolidas. Em 1989, foi criada ali uma fundação independente para recuperar a história dessas pessoas. Desde 1994 funciona como museu, com fotografias, objetos, áudios e vídeos. De seg. a sáb., das 9h às 16h.
Pelo país:
Nas tribos: Cada região tem diferentes ofertas para experiências com as tribos nativas. KwaZulu-Natal, terra dos zulus, é palco perfeito para a interação. A Ethnic Tours (97, Pardy Road, 31/902-1250, www.ethnictours.co.za), em Durban, faz passeios de um ou mais dias.
Entenda o Apartheid:
> O apartheid foi o regime político da África do Sul de 1948 a 1994. Os brancos determinavam que tipo de direitos, educação, empregos e moradias cada um poderia ter. Os negros eram 76% da população.
> Inspirados nos ensinamentos de Mahatma Gandhi, os negros organizaram-se em grupos de oposição, especialmente no Congresso Nacional Africano (CNA), de Nelson Mandela.
> Em março de 1960, 20 mil manifestantes saíram às ruas de Shaperville, em protesto pacífico contra a lei que obrigava os negros a portar cartões de identificação. Foram recebidos com tiros pelo exército - 67 pessoas foram mortas.
> Mandela criou um braço armado do movimento. Os planos eram preparar a população negra para uma iminente guerrilha. Pela sabotagem, Mandela foi condenado à prisão perpétua. O CNA foi posto na clandestinidade.
> Em 1984, a Organização das Nações Unidas determinou sanções políticas e econômicas ao país. No fim da década de 80, a crise era irreversível. O CNA ganhou novamente a legalidade.
> Mandela foi libertado em fevereiro de 1990, após 27 anos de prisão, e eleito presidente em abril de 1994.
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