A coluna vertebral de um ser humano pode sofrer vários tipos de desvios. Três são muito comuns: cifose, lordose e escoliose. Sem entrar em detalhes, geram problemas e incômodos, que vão de má postura a noites insones, especialmente em aviões. Como eu sei? Porque sofro deles. "E eu com isso?", pergunta-se você. Ora, vamos voar juntos na South African Airways, a empresa aérea sul-africana que, depois do fim do apartheid, renasceu, modernizando métodos, mentalidade, serviços e frota. É uma das poucas empresas aéreas que servem o Brasil com camas a bordo na classe executiva intercontinental. E não são camas quaisquer - mas as melhores do mundo, segundo pesquisa da Skytrax Research.
Elas estão nos airbus A340-300E, novíssimas aeronaves quadrimotoras que a South African Airways usa nos serviços diários para o Brasil. E, como tais, incorporam os últimos avanços tecnológicos. Mas - decepção - não foi em uma delas que embarquei em Guarulhos rumo à África. Topei com um modelo mais antigo (A340-200). Do ponto de vista aeronáutico, pouca diferença. Para os passageiros da executiva, uma mudança e tanto: em vez das poltronas-camas, modelos tradicionais de assentos, que reclinam bastante e ponto. Ao tentar descansar, a poltrona pareceu um castigo, especialmente para quem esperava passar as 8 horas seguintes na horizontal.
Eram 18h03 quando decolamos, os quatro motores roncando, a exemplo do meu estômago, que, com apetite de leão africano, rugia pelo jantar. Examinando o cardápio, encontrei duas opções de entrada. Em seguida, ataquei um filé mignon correto, com purê de mandioquinha e legumes, uma das quatro alternativas de pratos quentes. Uma seleção de queijos e frutas e, para arrematar, sorvete de creme com cobertura de chocolate e avelãs deram cabo à minha fome. Passava das 21h, horário de Brasília. Em menos de 6 horas estaríamos na África do Sul.
Sem conseguir me acomodar, avaliei o sistema de entretenimento do A340-200. Eram apenas seis programações de vídeo em 12 canais, um padrão que, para os dias de hoje, deixa a desejar. No canal de desempenho da aeronave, observei a velocidade em relação ao solo, quase supersônica: a mil km/h, éramos empurrados por um vento fortíssimo, de mais de 200 km/h. Isso reduziria nosso tempo de vôo e chegaríamos antes do horário previsto, 6h55. De fato, completamos a travessia do Atlântico Sul em 7 horas e 23 minutos de vôo, marca excelente.
Melhor na volta
A viagem de retorno começou de madrugada, na Cidade do Cabo. Após o curto vôo doméstico, fiz uma conexão descomplicada em Johannesburgo e logo entrava no airbus que me traria de volta ao Brasil. Desta vez, um dos modernos. A impressão não poderia ser melhor: avião estalando de novo. Acomodei-me na espaçosa e elegante classe executiva, a premium class. Sim, na melhor poltrona do mundo.
Às 10h50, o airbus tomou o rumo oeste. Logo após estabilizarmos, os cardápios foram oferecidos. Condiziam com os da ida, mas apresentando produtos sul-africanos - das frutas ao vinho. Peguei meu laptop e, sem dificuldades, conectei-o. Quando o sono deu o ar da graça, aproveitei a reclinação de 180º das poltronas e fiz um sleep-drive de 3 horas. Despertei descansado, relaxado e testei o sistema de entretenimento: 21 filmes, 16 canais de áudio, 12 de jogos. Os monitores individuais de 10 polegadas tornam prazeroso o sistema controlado individualmente até na econômica. Ou seja: você pode avançar, parar, voltar, recomeçar cada um dos programas de áudio e vídeo disponíveis a seu bel-prazer. Olhei o flight map, que informa dados interessantes sobre o vôo: nossa velocidade era de 680 km/h, pois voávamos contra os ventos fortíssimos que adiantaram o nosso vôo de ida.
Duas horas antes da chegada, uma refeição foi servida: entrada, dois pratos principais, seguidos de tortas, doces, chá e café. Completamos a travessia do Atlântico em 10 horas e 14 minutos, 2 horas e 51 minutos a mais que no trecho de ida.
Os quatro vôos que fiz, incluindo dois trechos domésticos, me deixaram positivamente impressionado com a South African Airways. O grupo de vôo, comissários e pilotos, é de primeira linha: nesses quatro vôos, foram todos impecáveis, eficientes, cordiais. Já o mesmo não pode ser dito dos aeroviários, do pessoal de terra, que tanto no Brasil como na África ficou devendo. De qualquer forma, a South African Airways é uma excelente opção para voar não apenas entre o Brasil e a África, mas para outros pontos no Oceano Índico, para a própria Índia e vários destinos no Extremo Oriente e Oceania, com apenas uma conexão em Johannesburgo. Some a isso os encantos da África do Sul, e você tem uma excelente opção para dar uma variada nos seus roteiros.
* Gianfranco Beting é publicitário e apaixonado por aviões. Já fez mais de mil vôos, percorrendo 2,5 milhões de quilômetros.
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