Esta região do Mato Grosso do Sul abriga grutas, lagoas, cachoeiras, cavernas, nascentes,rios e riachos cristalinos. O segredo da cor azul-turquesa das águas é a presença em abundância do calcário. Dissolvido no meio líquido, esse mineral filtra as impurezas, garantindo uma transparência caribenha, que chega a mais de 50 metros nas cavernas de fundo de areia.
Hoje é comum esbarrar em mergulhadores vestidos de neoprene caminhando pelos pastos, confundindo-se com a boiada, que já se acostumou com as roupas coloridas. Muitas das atrações naturais estão situadas dentro de fazendas de gado, cujos proprietários cobram pequenas taxas dos turistas. O que não faltam por lá são atividades outdoor, como caminhadas com pernoite na mata, passeio de bote nas corredeiras do Rio Formoso, vôo de parapente, off road, mountain bike nas encostas da serra e os imbatíveis mergulhos. Para os mais radicais, o cardápio tem rapel e espeleomergulho (realizado em cavernas).
Quem não quiser correr grandes riscos pode ficar apenas no relaxante e superficial mergulho livre. As águas rasas e calmas aceitam qualquer principiante. Bastam máscara e snorkel, equipamentos fornecidos pelas operadoras locais. O único esforço é cair na água bem de mansinho, para não turvar o fundo. A sensação agradável e calma proporciona uma interação muito grande com a natureza, especialmente no Rio da Prata, considerado o mais inóspito entre os nove cursos-d'água que banham a região. Seu leito de areia e pedras é repleto de plantas aquáticas, peixinhos coloridos, dourados, pacus e piraputangas.
A maneira mais emocionante de desbravar o Rio da Prata é deixar-se levar pela correnteza. Essa manobra típica do canyoning, conhecida como flutuação, também pode ser feita no Rio Sucuri e no Aquário Natural, formado pelas águas das várias nascentes do Rio Baía Bonita, num percurso de 900 metros. Cardumes coloridos rodopiam e envolvem, sem cerimônia, os mergulhadores. Todas essas belezas submersas ficam a poucos metros de profundidade.
Os rios de Bonito são ótimos para o primeiro mergulho autônomo, o chamado "batismo". Acompanhados de perto por instrutores, os iniciantes arriscam uma descida de até 6 metros de profundidade, que pode ser feita em trechos mais fundos do Rio Formoso ou no Rio da Prata. Já os mergulhadores de carteirinha não devem perder a oportunidade de conhecer a fascinante Lagoa Misteriosa. Para chegar até ela é preciso descer uma colina íngreme, com a ajuda de cordas. A lagoa tem esse nome porque até hoje ninguém conseguiu enxergar o fundo, embora alguns especialistas já tenham chegado aos 220 metros de profundidade.
A Gruta do Mimoso é uma das únicas cavernas inundadas do país onde o espeleomergulho é permitido. Raras formações geológicas de diversos tamanhos oferecem visões delirantes do mundo subterrâneo e aquático, acessíveis apenas a divers tarimbados. Já o Buraco das Abelhas é uma caverna de 1 800 metros, com túneis de até 50 metros de profundidade, repleta de peixes e raras formações geológicas. A época ideal para o mergulho é de agosto a outubro, quando chove pouco e a água dos rios fica mais cristalina. Para conhecer melhor essas águas, vale a pena descer o Rio Formoso de bote inflável, num percurso de 7 quilômetros, até a Ilha do Padre, passando por três cachoeiras e duas corredeiras.
Que tal encarar 72 metros de vão livre pendurado num cabo? Topou? Descer até que é fácil, o difícil é subir o Abismo Anhumas, programa que atrai os visitantes mais ousados Para isso os praticantes devem se enfiar numa imensa caverna, cuja boca se abre como um buraco no chão. A descida começa com um túnel estreito de 10 metros, que depois se abre num grande salão. Não adianta esticar os pés e as mãos à procura de apoio nas rochas, pois o restante do trajeto deverá ser feito em rapel negativo. No fundo do abismo, um lago azul do tamanho de um campo de futebol o aguarda, revelando seus mistérios aos mergulhadores credenciados. E o melhor ainda está por vir. É a subida. Para evitar problemas, os guias aplicam um teste, um dia antes, para ver se a pessoa tem preparo físico suficiente para encarar o tranco.
Por ser muito preservada e explorada com responsabilidade, Bonito tornou-se um destino exemplar de ecoturismo. A rígida fiscalização proibiu recentemente o rapel no Buraco das Araras, pois no interior da fenda vivem araras, gralhas e outras aves menores. Por questões ambientais não é mais permitida uma serie de atividades. Qualquer desequilíbrio pode afetar de maneira irreversível esse pedaço especial do planeta.
+ Ação
Rapel na Boca da Onça
A Fazenda Boca da Onça, situada no coração da Serra da Bodoquena, a 50 km de Bonito, oferece, além de caminhadas pela mata virgem e banhos de cachoeira, um rapel de 100 metros, com vista para a Cachoeira Boca da Onça, a mais alta da região, com quedas de até 156 metros.
Cachoeira do rio Aquidabã
Localizada na fazenda Baía das Garças, a 54 km de Bonito, pela estrada para Campos dos Índios. O passeio, com duração média de 4 horas, passa por trechos tortuosos, piscinas naturais, reservas indígenas e cachoeiras, como a do Aquidabã, uma das mais altas da região, com 120 metros. O local fica a 600 metros de altitude e permite uma vista da planície pantaneira e da Serra da Bodoquena.
O que você só verá aqui
A Gruta do Lago Azul, com 100 metros de largura e 30 de altura, é a maior galeria submersa do mundo. O contraste entre o azul intenso das águas e a brancura das pedras calcárias proporciona um espetáculo único.
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