Milagre! Um rio sem poluição corre no meio da mata ciliar preservada e invade antigas paisagens marcadas pelo tempo, bem no centro geográfico do estado de São Paulo, a menos de 300 quilômetros da capital. É o caudaloso Jacaré-Pepira, berço de riachos, nascentes, ribeirões, cascatas e cachoeiras, que começa na Serra de Itaqueri, a 960 metros de altitude. Ele se espraia por uma extensa e preservada bacia hidrográfica e tem uma vazão média de 9 metros cúbicos por segundo. O epicentro desse "planeta água" é a cidade de Brotas, sede de um pacato município agrícola do interior, que a cerca de uma década descobriu sua verdadeira vocação: o turismo de aventura. Lá tem de tudo: bóia-cross, rafating, trekking, rapel, canyoning, mountain biking, flutuação e até arborismo. Ufa! Quer mais? Então arrume a mochila, alongue todos os seus músculos e vamos lá!
O traçado montanhoso, com vales, várzeas irrigadas e manchas de floresta nativa, favorece o mountain biking e o trekking. Muitas dessas atividades são realizadas em fazendas, no entorno e dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Corumbaí. E que tal rapel, tirolesa e flutuação num pacote só? O roteiro que leva às cachoeiras do Cassorova e do Quati oferece tudo isso. Começa com um rapel de 30 metros. A segunda queda, de 15, vem a seguir. É menor, mas nem por isso menos emocionante. A corda acaba antes de chegar ao chão. Os 10 metros restantes são por conta da tirolesa. Aí é preciso deslizar até a água num outro cabo e mergulhar no poço que se forma no fundo do cânion.
Ótima pedida para acalmar e recompor o fôlego para mais uma etapa: vencer a correnteza do rio, às vezes caminhando, outras flutuando, até chegar à terceira cachoeira, a dos Quatis. Lá, a descida tem 45 metros e é feita no meio de um jato d'água que despenca com força. Todo o circuito leva cerca de duas horas e meia e a segurança é feita pelos instrutores e guias especializados. Os iniciantes recebem treinamento obrigatório. Aprendem a usar o equipamento e conhecem as coordenadas de como será a descida. A Cachoeira do Astor, com 35 metros, tem boa infra, como área de camping e restaurante, também é boa para o canyoning. A das Três Quedas, como o nome sugere, tem duas menores, de 7 e 20 metros, e outra maior, com 47 metros. Perfeita para quem gosta de ficar pendurado num cabo no meio da água gelada. Mas atenção: canyoning e outros esportes que exigem risco só devem ser praticados por quem já tem experiência e com o acompanhamento de instrutor e guia da região.
Ralando no Jacaré
Vamos ralar entre corredeiras e cascatas? As águas do Jacaré-Pepira alternam trechos de remanso e corredeiras classes 3 e 4 (numa escala que vai até 6), com desníveis, tobogãs e travessões de vários formatos. São ideais para bóia-cross e rafting, as atividades mais procuradas por lá. O rio é a alma da pacata cidade, cortando Brotas de ponta a ponta.
Tudo começou quando um bando de garotos espertos resolveu descer as corredeiras numa câmara de pneu de caminhão inflada. Hoje, o esporte é feito de forma profissional e com toda a segurança, com tênis impermeável, roupas de neoprene, luvas e capacete. As antigas bóias cederam lugar a modelos coloridos, mais confortáveis e seguros. A criatividade dos locais foi longe, a ponto de criar até o Superbóia-cross, desfile de Carnaval a bordo dos infláveis. Dois roteiros estão disponíveis: o básico, cujo percurso de 4 quilômetros é feito em 1h30; e o radical, com uma descida de 6 quilômetros e duas horas de duração.
Trilhas como a do Morro Oco, do Bom Jardim, do Morro da Sela, do Rio do Peixe e do Paredãocontornam os rios e riachos, passam por pastos, campos e canaviais. No caminho, paradas para curtir as cachoeiras e muitas formações rochosas da era paleolítica. A Trilha do Martello está entre as mais procuradas. Ela passa pela Cachoeira da Primavera e chega até a Queda do Martello, com 40 metros. Lá de cima dá para curtir uma visão panorâmica da cidade. A Trilha do Morro da Sela, por sua vez, é marcada por uma paisagem de paredões de arenito desgastados pelo tempo.
Bisbilhotar a copa das árvores é a grande novidade. Essa prática, conhecida como arvorismo ou verticália, foi importada da Costa Rica e exercita as técnicas do rapel, escalada e tirolesa. Consiste numa maratona no topo de troncos imensos, usando escadas, cabos, pontes suspensas. O primeiro passo é criar coragem e escalar uma escada de corda de 30 a 40 metros rumo ao topo. Chegando lá em cima é hora de contemplar os insetos estranhos e pássaros multicores. Se você ficou com água na boca, crie coragem, vença seus limites e trepe nas árvores como Tarzan. Ninguém vai achar estranho.
+ Ação
Na Furna do Jacaré
A trilha da Furna do Jacaré percorre uma antiga estrada da usina hidrelétrica. A caminhada, às margens do rio mais famoso da região, dura cerca de uma hora e meia. Todos têm a opção de nadar, mergulhar e saltar da pedra da furna. No final do caminho chega-se à usina, construída em 1940, e hoje desativada.
Trilha da Primavera
Num percurso de três horas pode-se ver todo o vale de Brotas do alto, além de conhecer as cachoeiras do Cipó e dos Escravos. No final do passeio, um gostoso café caipira com pão feito no forno A lenha, servido com todo o capricho na fazenda
Cavalgada no Paredão
Pronto para cavalgar por trilhas em meio à mata nativa e a fazendas centenárias? Então segure bem as rédeas durante os dois dias do roteiro. A primeira etapa é explorar a furna do rio do Peixe, seguindo seu leito e passando por duas cachoeiras. O pernoite é feito em barracas, perto das ruínas da Fazenda Santa Cruz do Paredão.
O que você só verá aqui
A "areia que canta" é retirada de um olho d'água e produz um som muito característico, similar a uma cantoria da natureza. O Ribeirão Tamanduá passa próximo e forma piscinas naturais. No programa também está incluída uma visita à fazenda que dá nome ao ribeirão.
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