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Blog National: Por trás das lentes

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Blogs National Geographic Todos os dias, agora, os principais colaboradores da National Geographic Brasil irão discutir seu trabalho com os internautas. Você vai poder descobrir as aventuras que às vezes eles vivem na busca de uma imagem, ouvir dicas sobre situações delicadas de luz ou partilhar da experiência pessoal deles durante a documentação de um tema.

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Expo Narrativas Visuais

Luciano Candisani - 26/11/2009



Durante os meses de agosto e setembro passados, eu e Izan Petterle, ministramos o curso básico de fotografia Narrativas Visuais para cerca de 120 participantes, divididos em seis turmas - uma iniciativa da editora Abril e da National Geographic Brasil.



Já dedicamos vários posts ao assunto aqui no blog. A novidade é que o belo trabalho desenvolvido pelos alunos acaba de ganhar uma exposição caprichada no museu da sustentabilidade, na praça Victor Civita, o mesmo espaço utilizado para as aulas do curso. Recomendo a visita. A praça fica na Rua Sumidouro, 580 (diariamente, das 7h00 as 19h00; entrada franca).



Durante a abertura da exposição, na segunda-feira, houve também a cerimônia de divulgação das quatro melhores reportagens fotográficas desenvolvidas durante as aulas práticas. Para as minhas turmas, o tema foi a própria praça e todos apresentaram trabalhos excelentes, conforme pode ser conferido nas ampliações 30x40 expostas no museu. Os premiados foram Cyndi Diniz e João Paulo Costa, ambos com 17 anos de idade e matriculados no ensino médio da rede pública. 

Parabéns a todos!
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Retratos

Izan Petterle - 19/11/2009

Vou falar hoje a respeito de um dos mais difíceis temas da arte da fotografia. Fotografar gente, na minha opinião, é sempre muito complicado. Tento superar meus limites cada vez que faço isso. 



Gosto de retratar pessoas de uma maneira onde elas fiquem a vontade com a minha presença e sejam cúmplices nessa tarefa. Jamais, nunca mesmo, sou invasivo. Só fotografo quem que deseja ser retratado. Se por acaso,  eu sinta que alguém fique intimidado com a minha presença, saio de cena. 



Acredito que um dos primeiros requisitos para dedicar-se a essa especialidade, é ter e saber demonstrar um genuíno interesse pela maneira como outras pessoas vivem. 



Diz-se que todo fotógrafo é um tímido, que a câmera é uma maneira de lidarmos com isso de uma maneira criativa. Superar a timidez é outracoisa importante. As pessoas reagem da mesma maneira que você, se o fotógrafo estiver com medo, a pessoa do outro lado da lente vai sentir a mesma coisa. 


Prefiro sempre, antes mesmo de sacar o equipamento, bater um papo prévio com meus personagens, é o famoso “dedinho de prosa” usado no interior do país antes de qualquer coisa mais importante. Cumprimente todo mundo quando chegar, demonstre respeito que você será respeitado. 


Depois disso tudo vem o uso da técnica necessária para conseguir dar forma as nossas intenções estéticas. Nessa hora experiência e conhecimento acumulado valem muito. Tenho que mencionar também, talvez seja mais relevante do que possa parecer, o uso de câmeras e lentes de alta qualidade fazem a diferença final. Apresento aqui uma pequena coleção de retratos que faço dentro dessa perspectiva. 









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O SERTÃO - Primeira parte

Adriano Gambarini - 19/11/2009


Voltei recentemente do sertão baiano. Cada investida pela caatinga e alma sertaneja é como um tapa de luva de pelica em nossos padrões e individualismo urbanos. Andar pelo chão ressequido do sertão é um caminho de mão única, rumo a uma reconstrução de valores e conceitos até então aparentemente sólidos. 


Mas basta o olhar puro de uma criança, o sorriso ingênuo de outra, o carinho desapegado dos que te recebem, para tudo que é sólido desmoronar. E você se vê sem tempo para desfrutar tanta felicidade, tanta paz de espírito, tanto envolvimento nos gestos simples daquelas pessoas; que cedem a cama pra visita, matam a maior galinha para comemorar a vida com a visita, andam léguas para comprar café no mercado para a visita. E você, sem se dar conta do tempo, nem percebe que já voltaram e passaram um café no coador de pano, na chaleira empretejada pelo fogão a lenha, para a visita.


E você, sem perceber que não existe o tempo, pára de perceber a parede de taipa, a colcha poída, a xícara trincada, e sente que aquelas pessoas não te veem como visita - afinal, você é uma pessoa! E cuidar da pessoa, não importa quem seja, é tudo que o sertanejo faz. “A água é pouca, a terra é árida, o sol é quente, a rotina é doída! Então, vamos cuidar das pessoas... nossos irmãos.” 


E você, agora se tornando cúmplice do tempo, agora percebendo que a vida é para ser vivida, e não visitada, começa a reconhecer a si mesmo...


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Povos Guarani no Mato Grosso do Sul

Rodrigo Baleia - 17/11/2009

Semana passada recebi um convite da escritora britânica Ella Windsor para produzir as imagens de uma reportagem que ela está escrevendo sobre a situação dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul. Fui. E rodamos mais de 700 quilômetros por lá.
 
Mais uma vez meu trabalho me coloca diante de realidades desconhecidas. Já havia visitado alguns povos indígenas no Norte do Brasil. No entanto, desconhecia a realidade do povo Guarani. Assim como ameaças de morte, assassinatos e centenas de pessoas passando fome.  Uma imagem nada coerente com a que eu tinha do estado.
 
A reportagem vai sair em uma revista do Reino Unido. Posteriormente, deve ser enviada a outras que demonstraram interesse. Mas minhas imagens terão também um outro uso, o que me deixou feliz. Elas foram solicitadas por uma organização de direitos humanos, e vão contribuir para ajudar a vida destes povos.


Foto: Canon 5D Mark II  Lente 17-35mm f/9.0  Velociadade 1/100 ISO100. Coordenadas: Latitude: 22,2.349-S Longitude: 54,51.923-W+

Realocados em uma reserva próxima à cidade de Dourados, cerca de 13 mil indígenas vivem em uma área de três mil hectares. Muitos buscam manter suas tradições, principalmente a vida espiritual e comunitária, e também se alimentar da caça e da pesca. Em busca de alimento alguns saem da reserva para pescarem nas terras em que um dia foram suas. Hoje em dia, resultado de um programa de colonização, estas terras foram distribuídas pelo governo e agora pertencem a fazendeiros.


Foto: Canon 5D Mark II  Lente 17-35mm f/7.1 Velociadade 1/125 ISO400. Coordenadas: Latitude: 22,29.7166-S Longitude: 54,38.987-W+

Após anos de disputas judiciais, algumas famílias conseguem reaver a posse de suas terras. A construção de uma casa tradicional e o plantio para subsistência são trabalhos compartilhados por toda a comunidade.


Foto: Canon 5D Mark II  Lente 17-35mm f/4.5 Velociadade 1/60 ISO500. Coordenadas: Latitude: 22,29.7095-S Longitude: 54,39.0374-W+

Sementes de arroz são estocadas para o plantio da próxima safra.


Foto: Canon 5D Mark II  Lente 17-35mm f/11.0 Velociadade 1/125 ISO100. Coordenadas: Latitude: 22,54.2834-S Longitude: 54,31.897-W+

Senhor mostra o poço com água contaminada. Algumas famílias vivem em acampamentos nas margens das rodovias. Buscam reaver suas terras e muitas vezes são vitimas de agressões e ameaças. Além de não terem condições mínimas de saúde.


Foto: Canon 5D Mark II  Lente 17-35mm f/9.0 Velociadade 1/320 ISO100. Coordenadas: Latitude: 22,54.2323-S Longitude: 54,31.8487-W+

Em acampamento nas margens da BR-163, menina bebe água. As condições do acampamento são precárias, colocando em risco a saúde de todos.


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O primeiro Urutau

Luciano Candisani - 16/11/2009

Luciano Candisani em ação - Foto de Daniel de Granville

É sempre um prazer viajar a Bonito. Conheci a cidade em 1995 e ,depois disso, já voltei inúmeras vezes. Neste sábado, porém, foi diferente: pela primeira vez cheguei ali sem meu equipamento de fotografia subaquática - nem uma mascarazinha sequer. E a sensação foi estranha. Afinal o local é internacionalmente famoso pelos rios de águas claras repletos de peixes de grande porte e plantas, jardins submersos também frequentados por sucuris e jacarés. Eu conheço muito bem cada um dos rios; eles já estiveram na pauta de inúmeras matérias que fiz nos últimos anos.

Mas, desta vez meu compromisso me colocou no centro de convenções, a uma boa distância da água. Fui convidado pelo renomado ictiólogo José Sabino para apresentar o meu trabalho na National Geographic no I Simpósio Latino Americano de Etologia, um evento que reuniu alguns dos principais especialistas do mundo no estudo do comportamento do animal e evolução. Foi, sem dúvida, uma oportunidade excelente.

Ave Urutau - Foto de Luciano Candisani

Depois da palestra, enquanto conversava com Sabino, chegou o nosso amigo em comum, o Daniel de Granville. Para quem gosta de fotografia de natureza, nem é preciso apresentar o Daniel: suas belas imagens aparecem em algumas das principais publicações do Brasil e exterior. E, além disso, ele reúne ainda as qualidades de naturalista e guia de expedições. 

O que você pretende fazer amanhã?,  perguntou o Daniel.

Gelei. Pensei que ele fosse me convidar para algum mergulho interessante; e eu ali sem nada para água…

Por sorte, a descoberta dele, desta vez, estava em terra: era um ninho de Urutau, uma ave rara e com camuflagem tão perfeita que é muito difícil perceber sua presença na natureza.

No dia seguinte, pela manhã, estávamos os dois sobre uma árvore com tripés e lentes longas tentando um retrato da ave.

Tenho feito grandes amigos em minhas andanças pelo Brasil. E, graças a dois deles - O Sabino e o Daniel - pude fazer a minha primeira foto de um Urutau.

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