

Gustavo Victorino acabou de ganhar um Leão de Ouro em Cannes por estes anúncios.
Para mim, são uma síntese perfeita da atual condição humana: estamos e ao mesmo tempo não estamos no lugar que nos rodeia. Talvez seria melhor dizer: queremos sempre estar onde não estamos. A minha ressalva em relação aos anúncios é que não se aplicam somente aos momentos de vivência rotineira.
O pensamento nos transporta facilmente para onde nunca estivemos, mas sonhamos em conhecer, seja por ter visto filmes e fotografias ou por ter lido relatos. A lembrança nos carrega para os distantes recantos que um dia tivemos a chance de percorrer. E assim, oscilantes entre sonhos e lembranças, preenchemos os momentos que o agora deixou vazios.
A Chapada Diamantina é um dos lugares que há quase duas décadas assumiu espaço na minha rotina. E atendendo ao seu chamado, fielmente compareço no mínimo uma vez por ano. A cada ida, retorno com uma sensação diferente: animado com alguns progressos na área ambiental, descrente das vontades políticas, esperançoso com as novas propostas urbanísticas, desiludido com o barulho, exultante com o trabalho de algumas ONGs...

Retorno sempre com uma dúvida: como poderia me envolver mais com as questões urgentes que todos esses preciosos lugares carecem discutir? Na cidade, o tempo para esses pensamentos vai se diluindo e desaparece sem alarde. Permanece, no entanto, a estranha sensação de que algo distante foi abandonado. É hora de voltar.

Chapada Diamantina, águas no sertão é um dos títulos da coleção Tempos do Brasil (www.terravirgem.com.br). Livros são, de uma certa forma, o testemunho de um tempo e de um espaço. Uma maneira de compartilhar conhecimento e beleza. E uma declaração de não esquecimento ao lugar ou tema.
Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.
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