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Roberto Linsker

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Roberto Linsker Roberto Linsker, fotógrafo e editor da Terra Virgem, está há 44 anos tentando entender o mundo através das imagens que o enraízam à geografia e revelam a sua essência. “Mar de Homens”, o seu mais recente trabalho autoral, documenta um Brasil essencial.

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Estética do dia a dia, a ordem das coisas e a Feira de São Joaquim

Roberto Linsker - 28/08/2009

 

O conceito está até na nossa bandeira nacional, e cada qual tem a sua particular concepção deste assunto tão diverso. Cada um arruma suas tralhas segundo um padrão próprio, seguindo alguma ordem intuitiva. Qualquer que seja, é sempre uma tentativa de escapar do caos.

Outro dia, numa conversa transversal, ouvi dizer que cada ser humano lida com milhares de itens ao longo de sua existência na face do planeta. Vamos acumulando além de conhecimento e experiências, copos, talheres, livros, sapatos, cds, ferramentas, fotografias, presentes e ausências e um longo etcetera que cada qual bem sabe o quanto ocupa no tempo e no espaço.

Quando entro em casa, tem vezes que num lapso de abstração, me surpreendo ao contemplar o panorama. Os armários envidraçados da cozinha me mostram pratos, taças, víveres e demais utensílios. Chego a questionar, quem afinal fez tudo isso? Quem ordenou os assuntos? Nem preciso acordar para saber que fomos nós, habitantes dessa casa, que através de uma lógica, consciente ou não, agrupamos objetos com funções correlatas, ocupando espaços da forma mais racional possível, num ato que se denomina comumente de organização. Na sala, as estantes mostram livros enfileirados, revistas empilhadas, as cadeiras ao redor da mesa...

Viajando a sensação se repete continuamente. Nas feiras, botequins, nas moradas alheias, sempre há um princípio que mistura estética e utilitarismo, que deixa transparecer o gosto do dono. Para mim esta é uma expressão da arte cotidiana impregnada em todos. Às vezes é praticamente uma obra final, tipo instalação, digna de uma Bienal. Só falta arrancá-la de lá e afixá-la no Pavilhão.

Na semana passada não pude escrever, estava cobrindo uma pauta para esta revista, que mais adiante poderei comentar com vocês.

Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.



Neste sábado, dia 29 de agosto, um belo livro, e a respectiva exposição fotográfica, são apresentados no Memorial do Imigrante em São Paulo: ORIGEM, Retratos de Família no Brasil, da fotógrafa Fifi Tong, que durante quase duas décadas documentou gerações de brasileiros e as suas singulares histórias. Um original panorama da pluralidade brasileira.

 

Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba,1316 - Brás. A partir das 13h00. E, como fica a dois minutos de caminhada da estação Bresser do metrô, nem preciso recomendar o transporte.


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Fernando Melo - Desde pequeno ouvi dizer que a bagunça está nos olhos de quem vê. Mas que as pessoas organizam o que precisam por sequência de importância. Seria bom se não fosse uma certa desculpa pela desordem. Muito boas as imagens e texto. Olho para a minha estante e vejo uma série de tralhas que não sei quando voltarei a usar... - 02/09/2009 - 20:48

linsker - Marta, mais um poeta portugues para guardar na memória, buscar com tempo e arrumar na estante. - 01/09/2009 - 00:10

linsker - Adenor, que surpresa boa te ouvir. eis a vida confirmando encontros inesperados. persigo teu nome tão enraizado na tua terra bahia e nunca te acho, apenas as falas de amigos em comum, diógenes, aristides e, claro, as tuas imagens, lindas, gloriosas ao assentar tudo aquilo que bem disses: vai-se sem volta. teu divã é para mim um recanto de descobertas, embebido na liberdade que o envolve. não somente o bairro. um grande abraço. - 01/09/2009 - 00:07

Adenor Gondim - Rapazzz, que olhares bonitos sobre a Feira de São Joaquim.São Joaquim é meu divã, é o que resta de uma Bahia que aos pouco esta perdendo a sua baianidade sentida, vivida nas ruas nas festas do povo.Tenho ido lá copiosamente tentando segurar como fiz com as barracas das festas de largo de Salvador.São Joaquim vai mudar. O pior que mudança aqui é sinônimo de extinção. E assim foi com o Mercado Modelo que botaram fogo e hoje não representa absoutamente nada da cultura anterior de pura baianidade.Bom ver tuas fotos.abs.adenor gondim - 31/08/2009 - 18:00

marta - Belas imagens e palavras,como sempre. ola, tava mal disposta, nao sei se triste, se deprimida se oprimida com este filha da puta de calor que voltou de repente outra vez, ja a gente pensava que era outono...mas inda nao...e pus-me aqui a arumar coisas e loisas a' volta ...pensando pra que e' que a gente arruma e depois desarruma...quando dei por mim tinha a secretaria arrumadinha e sem po....coisa que ja nao via ha muito tempo..hehehe...fuuu! que bom, ja me deu a fome vou almocar! beijinhos e um poema de Antonio Gedeao que me lembrou agora''O Tempo e' Poesia, o arrumar do caos e a confusao da harmonia'' - 30/08/2009 - 02:36

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