
O conceito está até na nossa bandeira nacional, e cada qual tem a sua particular concepção deste assunto tão diverso. Cada um arruma suas tralhas segundo um padrão próprio, seguindo alguma ordem intuitiva. Qualquer que seja, é sempre uma tentativa de escapar do caos.

Outro dia, numa conversa transversal, ouvi dizer que cada ser humano lida com milhares de itens ao longo de sua existência na face do planeta. Vamos acumulando além de conhecimento e experiências, copos, talheres, livros, sapatos, cds, ferramentas, fotografias, presentes e ausências e um longo etcetera que cada qual bem sabe o quanto ocupa no tempo e no espaço.

Quando entro em casa, tem vezes que num lapso de abstração, me surpreendo ao contemplar o panorama. Os armários envidraçados da cozinha me mostram pratos, taças, víveres e demais utensílios. Chego a questionar, quem afinal fez tudo isso? Quem ordenou os assuntos? Nem preciso acordar para saber que fomos nós, habitantes dessa casa, que através de uma lógica, consciente ou não, agrupamos objetos com funções correlatas, ocupando espaços da forma mais racional possível, num ato que se denomina comumente de organização. Na sala, as estantes mostram livros enfileirados, revistas empilhadas, as cadeiras ao redor da mesa...

Viajando a sensação se repete continuamente. Nas feiras, botequins, nas moradas alheias, sempre há um princípio que mistura estética e utilitarismo, que deixa transparecer o gosto do dono. Para mim esta é uma expressão da arte cotidiana impregnada em todos. Às vezes é praticamente uma obra final, tipo instalação, digna de uma Bienal. Só falta arrancá-la de lá e afixá-la no Pavilhão.
Na semana passada não pude escrever, estava cobrindo uma pauta para esta revista, que mais adiante poderei comentar com vocês.
Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.
Neste sábado, dia 29 de agosto, um belo livro, e a respectiva exposição fotográfica, são apresentados no Memorial do Imigrante em São Paulo: ORIGEM, Retratos de Família no Brasil, da fotógrafa Fifi Tong, que durante quase duas décadas documentou gerações de brasileiros e as suas singulares histórias. Um original panorama da pluralidade brasileira.
Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba,1316 - Brás. A partir das 13h00. E, como fica a dois minutos de caminhada da estação Bresser do metrô, nem preciso recomendar o transporte.
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