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Roberto Linsker

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Roberto Linsker Roberto Linsker, fotógrafo e editor da Terra Virgem, está há 44 anos tentando entender o mundo através das imagens que o enraízam à geografia e revelam a sua essência. “Mar de Homens”, o seu mais recente trabalho autoral, documenta um Brasil essencial.

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Ilhabela e a Península de Maraú: pontes e estradas

Roberto Linsker - 17/07/2009


Foto: Semana de vela de Ilhabela.

Nestas duas semanas passadas estive, por motivos diversos, em duas regiões de intrínseca beleza: Ilhabela, em São Paulo, e Itacaré, na Bahia.


Foto: No canal de São Sebastião petroleiros  aportam diariamente.

Para aqueles que não conhecem a Ilhabela é preciso explicar que nela somente se chega navegando e a maioria de seus visitantes usa as balsas para atravessar o mar. Balsas, todos sabemos, são geralmente sinônimo de intermináveis filas de espera. Em inúmeras ocasiões se cogitou a construção de uma ponte para sortear o canal, essa curta distância que separa a ilha do seu continente. Essa ideia, no entanto, nunca vingou e a ilha continua assim, ilhada, feliz e controversa.


Foto: Embarcações diversas no canal de São Sebastião.

Para chegar em Itacaré por terra é necessário seguir pela estrada litorânea que cruza uma porção de Mata Atlântica ainda preservada. Estradas na concepção humana servem para aproximar mundos, pessoas, culturas, etcetera. Neste sentido uma estrada é a linha a unir dois pontos.


Foto: O rio Canoeiros deságua na praia de São José, em Itacaré.

Ao mesmo tempo toda estrada divide a paisagem em duas metades, a da esquerda e a da direita. Sob esta ótica ela provoca uma cisão e se transforma numa perigosa fronteira para aqueles que não tem o visto do saber: os animais. Quando estes, desavisados, cruzam essa linha, inúmeros deixam a sua vida na tentativa. É sempre muito triste ver os cadáveres destes bichos estirados no asfalto e saber que a nossa pressa é a maior culpada.

Nesta estrada eu vi algumas estreitas passarelas suspensas feitas de cordas, arquitetadas para que os saguis e outros pequenos mamíferos, no seu diário percurso atrás do alimento, possam cruzar a estrada de forma segura. Nada mais justo. Mesmo sendo um paliativo, pois outras espécies continuarão a cruzar por terra, é uma pequena alegria. No futuro poderão vir os túneis se é que eles já não estão lá e eu não os vi.


Foto: Teias de aranha à beira-mar.

Mais adiante, o Rio de Contas separa a Península de Maraú de Itacaré. Ainda não há ponte e as balsas cumprem essa função. Como estávamos de bicicleta não careceu aguardar a próxima leva, procuramos um canoeiro que numa rápida negociação fechou em seis reais a travessia. Através dele soubemos que a ponte estará pronta em breve, espalhando veloz os confortos da civilização e, obviamente, seus consequentes desconfortos.


Foto: A foz do rio Piracanga, na península de Maraú.

Enquanto pedalava em silêncio pelas desertas areias da península, estradas e pontes assaltavam meus pensares em busca de um cruzamento capaz de equilibrar aquilo que se une com aquilo que se separa. Não posso dizer que achei, mas intuo que o tempo consciente, aquele que nos permite apreciar o entorno de forma real, seja um caminho para se chegar lá.

Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.

 


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Suéllen - Simplesmente adorei !Lugar lindo..=) - 28/10/2009 - 18:05

marta - obrigada pela informacao.Mica quartzo e feldespato, e' quase como a divina trindade para os ceramistas...uma boa argila se pode misturar com muita coisa. Sim e' experimentar!Estive a ver sobre o Amapa...belo e estranho mesmo so pelas fotos....imagino como sera...nao gostei muito foi de onsssas... essas sao lindas sim, mas so em fotos, pra mim...Mas pelo que investiguei muitas industrias ceramicas tambem na regiao, nao sei se sera usando esse barro mesmo, mas me pareceu outro, vindo de outras regioes para manter padroes de qualidade que exige o processo industrial...ou sera por ser que a foz do amazonas e'regiao protegida...?O processo industrial no entanto me fascina, paradoxalmente para quem trabalha num atelier privado,e sozinha, pois nele percebo que reside a resposta e poder de resolver imensos problemas ecologicos e sociais, e com um impacto quase imediato...que este planeta bem precisa.Abrassso! - 27/07/2009 - 01:32

linsker - Michele, bemvinda sempre.Marta, o lindo barrinho é na realidade "aréia", finas lâminas de mica preta que resultam da decomposicão das biotitas dos granitos da região de Itacaré. Não são os grãos de quartzo que definem comumente o termo aréia mas se misturam a estes nas praias. Não sei se poderiam ser misturados a alguma argila para fins cerâmicos. Barro mesmo, imensas práias lodosas encontraras na foz do Amazonas, todo o litoral do Amapa é um barreiro só. Lindamente estranho. Beijo - 21/07/2009 - 15:14

Michele - Parab¿ns. As imagens s¿o fascinantes! - 19/07/2009 - 12:34

marta - Roberto,uiiiiii que lindo mar e que lindo barrinho para fazer uns copinhos...onde esta'?tambem quero ir!beijo - 18/07/2009 - 06:37

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