Retratos
Izan Petterle - 19/11/2009
Vou falar hoje a respeito de um dos mais difíceis temas da arte da fotografia. Fotografar gente, na minha opinião, é sempre muito complicado. Tento superar meus limites cada vez que faço isso.
Gosto de retratar pessoas de uma maneira onde elas fiquem a vontade com a minha presença e sejam cúmplices nessa tarefa. Jamais, nunca mesmo, sou invasivo. Só fotografo quem que deseja ser retratado. Se por acaso, eu sinta que alguém fique intimidado com a minha presença, saio de cena.
Acredito que um dos primeiros requisitos para dedicar-se a essa especialidade, é ter e saber demonstrar um genuíno interesse pela maneira como outras pessoas vivem.
Diz-se que todo fotógrafo é um tímido, que a câmera é uma maneira de lidarmos com isso de uma maneira criativa. Superar a timidez é outracoisa importante. As pessoas reagem da mesma maneira que você, se o fotógrafo estiver com medo, a pessoa do outro lado da lente vai sentir a mesma coisa.
Prefiro sempre, antes mesmo de sacar o equipamento, bater um papo prévio com meus personagens, é o famoso dedinho de prosa usado no interior do país antes de qualquer coisa mais importante. Cumprimente todo mundo quando chegar, demonstre respeito que você será respeitado.
Depois disso tudo vem o uso da técnica necessária para conseguir dar forma as nossas intenções estéticas. Nessa hora experiência e conhecimento acumulado valem muito. Tenho que mencionar também, talvez seja mais relevante do que possa parecer, o uso de câmeras e lentes de alta qualidade fazem a diferença final. Apresento aqui uma pequena coleção de retratos que faço dentro dessa perspectiva.
Finalistas do curso de fotografia Narrativas Visuais
Izan Petterle - 12/11/2009
Foto de Camila Fragazzi
Finalmente, depois de muitas reuniões e discussões, sairam os nomes dos finalistas aos prêmios oferecidos pelo curso de fotografia Narrativas Visuais.
Foto de Camila Fragazzi
Acredito que todos que acompanham os blogues do Luciano Candisani e o meu, tenham visto os posts a respeito da extraordinária oportunidade experiência de aprendizado fotográfico oferecido na praça Victor Civita.
Foto de Fernanda Nunes
Foi uma escolha difícil visto que os trabalhos estão muito equilibrados, todos os participantes das minhas classes tiveram um aproveitamento muito bom.
Foto de Fernanda Nunes
Tentei, na medida do possível, passar aos participantes um pouco das coisas que venho aprendendo em meu ofício, um aspecto particular que dediquei especial atenção, além de técnicas básicas de fotografia, foi a tentativa de ensinar a pensar como um fotógrafo, a ver coisas que outras pessoas não enxergam normalmente no seu cotiano.
Foto de Priscilla Aguiar
Foto de Priscilla Aguiar
Fotografia, assim como todas as artes em geral, diz respeito a criatividade, o mais importante é a busca por uma maneira original, pessoal e particular de ver o mundo, uma câmera fotográfica pode ser mais uma janela para termos uma nova abordagem do universo que nos cerca.
Foto de Rafaela Cavalcante
Foto de Rafaela Cavalcante
Vou postar hoje fotos dos 5 finalistas das minhas turmas, para ver a lista completa, acessem o site da praça,
pracavictorcivita.abril.com.br. Os ganhadores serão anunciados na abertura da exposição fotográfica que ocorrerá no dia 23 de novembro.
Foto de Rebecca Fernandes
Foto de Rebecca Fernandes
Feira do Livro de Porto Alegre
Izan Petterle - 05/11/2009
Paseo del Prado, em Havana, CubaEstive essa semana na Feira do Livro de Porto Alegre, fui lançar o livro "Cuba de Che" em um dos eventos mais tradicionais do genero no país, sua primeira edição ocorreu em 1955.
Minas del Frio, em Sierra Maestra
A editora Carlini e Caniato convidou-me, junto com a escritora Deborah Goldemberg, autora do livro "Fervo da Terra", para lançar esses dois trabalhos publicados pela editora em tão importante ocasião.

Izan Petterle e a escritora Deborah Goldemberg durante a Feira do Livro de Porto Alegre
Tivemos a oportunidade de participar de dois debates a respeito de cada uma das publicações, onde Deborah mediou a minha palestra e eu mediei a dela.

Izan e gaúchos na Feira do Livro de Porto AlegreFoi uma experiência gratificante vir à Porto Alegre para este lançamento, teve um significado especial para mim, afinal, foi aqui que comecei a fotografar quando entrei para a faculdade de Medicina Veterinária da UFRGS, era o ano de 1975.
Seguem alguns links para os acontecimentos da feira que contaram com a nossa participação:
Cuba de CheFervo da Terra Blogs que Deborah Goldemberg escreve
ressurgenciaicamiaba.blogspot.com fervodaterra.blogspot.com
Fotografia e Casamento - uma experiência em Ilhabela
Izan Petterle - 28/10/2009


No sábado passado, dia 25, estava em Ilhabela (SP) como convidado de uma festa de casamento de um casal de amigos, Carol e Caio Catto. É lógico que levei uma de minhas câmeras e duas lentes, uma 24mm f/1.4 e uma 50mm f/1.2, que usei na maior parte das fotos.



Seria impossível para mim deixar de fotografar uma ocasião na qual eu tinha certeza que teria uma carga emocional muito grande. Mais do que um compromisso social, vejo essa cerimônia como um dos mais importantes ritos de passagem da existência humana, condição quase inexorável para a realização do destino de cada um. Esse aspecto existencial sempre despertou minha atenção como fotógrafo, minha intenção era a de tentar captar nuances poéticas desse momento tão importante.



Conheço alguns profissionais muito criativos em fotografia de casamento. Vejo trabalhos, apesar de raros, muito interessantes e instigantes nessa área. Existe uma tendência mundial em se usar um estilo fotojornalístico nesse tipo de fotografia, pelo menos para mim, isso parece mais um rótulo do que realmente uma linguagem.



Minha presença nesse evento era como simples convidado, os noivos tinham contratado dois bons fotógrafos para fazerem a documentação de tudo. Aproveitei essa liberdade para fazer um ensaio que tivesse a leveza e alegria reinante nessa ocasião e que, principalmente, captasse a emoção e o sentimento de amor mútuo que a Carol e o Caio irradiavam entre todos os presentes. Desejo toda sorte do mundo a esse jovem casal, parabéns queridos amigos!



Chapada dos Guimarães - Quilombolas
Izan Petterle - 23/10/2009

O trabalho que apresento hoje é a sequência de um longo ensaio que faço na Chapada dos Guimarães há mais de 15 anos. As fotos que aqui aparecem foram feitas em julho de 2009 e são de pessoas descendentes de escravos, na comunidade originária de quilombolas da Lagoinha de Baixo e no bairro da Aldeia Velha.


Somente em 2008, a Lagoinha de Baixo - após décadas de esquecimento, abandono e expropriação de suas terras por parte dos fazendeiros que circundam o local - foi reconhecida como território quilombola. A população dessa pequena vila é composta por cerca de 70 pessoas que vivem em uma área de 6 hectares (ou 60 mil metros quadrados), localizada entre os rios Lagoinha e Abrilongo.


Encontra-se aqui parte do saber tradicional relacionado com o uso de plantas medicinais e práticas de cura por meio de benzeções. A presença humana nessa região, sabe-se hoje, ocorre há mais de 10 mil anos. Conhecer um povoado como esse me faz lembrar a nossa finitude como seres humanos.


O planeta Terra agoniza, a necessidade de uma nova consciência em relação a nossa nave-mãe é a prioridade maior nos dias atuais. Hoje, junto com a preservação do meio-ambiente, há que se pensar no combate a pobreza das pessoas menos favorecidas, como caso dessa localidade, e na luta contra o fim das guerras que destroem nosso mundo de uma maneira brutal e desumana.


A lição que aprendi após essa visita é a crença na capacidade de superação dos seres humanos contra as dificuldades da vida. Mesmo vivendo em condições materiais desfavoráveis, encontrei um povo honrado e orgulhoso das suas origens.

