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João Marcos Rosa

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

João Marcos Rosa João Marcos Rosa é fotógrafo e jornalista. Desde 1998 se dedica a documentar a natureza e a cultura brasileira. Seus trabalhos já foram publicados pela National Geographic Brasil, na Espanha, nos EUA e na Alemanha. Atualmente, vive em Belo Horizonte, sede da Agência Nitro de fotografia, da qual é um dos fundadores.

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João Marcos Rosa - 30/09/2009


Foto: Só levantei da cadeira pra fazer essa foto.

Voltei dia 10 de setembro de Carajás e desde então não consegui parar para escrever esse post. Ainda estou tentando me acostumar com essa nova plataforma de comunicação e tentar me disciplinar para manter esse canal o mais atualizado possível.

Esse atraso, pelo menos, tem uma razão específica e muito especial. Demos início ao trabalho final de edição do livro sobre as harpias, e como esse é o meu primeiro rebento, tenho dedicado praticamente todo o meu tempo na empreitada. Afinal de contas, são cinco anos batalhando por esse projeto.

Mas voltando ao começo do mês quando estávamos em Carajás...

Dessa vez comecei o trabalho quebrando um tabu. Pela primeira vez em cinco anos estive em cima da árvore com a bióloga Tânia Sanaiotti, coordenadora do Programa de Conservação do Gavião Real. Foi ela quem me encorajou a subir pela primeira vez em Parintins num tauari enorme e fez com que eu criasse gosto pela coisa (apesar de ainda continuar com meu eterno medo de altura).


Foto: Eu e Tânia pela primeira vez juntos no dossel.

Lá de cima, pudemos ver o quanto o filhote cresceu. Com quarto meses, ele já começa a ensaiar as primeiras batidas de asas para treinar o vôo. O filhote do ninho do Igarapé Bahia completou sete meses e já está voando e dormindo em outras árvores no entorno do ninho.


Foto: Filhote do ninho Águas Claras.


Foto: Filhote do ninho do Igarapé Bahia.

Visitamos também a Escola Rural Jorge Amado, que fica na Área de Proteção Ambiental do Igarapé do Gelado. Lá a equipe do Gavião Real e do ICMBio conversou com os alunos sobre a importância da participação da comunidade na manutenção da floresta e também na busca por novas informações sobre as harpias.


Foto: Fred Drumond, do ICMBio ensina as crianças a usarem aves uma luneta.


Foto:  A garra empalhada de um filhote de harpia, arregala os olhos do guri.

Fizemos também uma visita à Serra Sul, região de canga da FLONA Carajás. Esse local tem uma vegetação bem diferente da floresta, quase uma mancha de caatinga no meio da Amazônia. Num post pra frente vou falar desse lugar com mais calma. Pra chegar no amanhecer saímos do acampamento as 02:30 da manhã, no meio do caminho uma árvore quebrada quis acabar com nossos planos de ver o nascer do sol do ponto mais alto da Serra de Carajás. Mas nada que Seu Manoel e a turma do Jaborandi não possam resolver. Pegamos um nascer do Sol maravilhoso e num fim desse mesmo dia a luz cheia brotou em meio as árvores.


Foto: Força na madrugada pra poder passar.


Foto: Amanhecer no alto da Serra Sul.


Foto: Lua cheia rasgando o céu de Carajás.


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Novos amigos

João Marcos Rosa - 11/08/2009

Emocionante! Essa é a palavra que pode descrever essa campanha para a Floresta Nacional de Carajás. Todos os elementos pareciam estar ao nosso lado e os encontros foram simplesmente incríveis.

Comecemos pelo título desse post. Antes dessa viagem, Seu Manoel, Olivier e Mesquita, eram apensas nomes que até então eu só ouvira falar. Tudo bem, ouvira falar muito, mas até então não tinha visto a sombra de nenhum deles nessas diversas viagens que temos feito, desde fevereiro, para o Pará.


Foto: Encontro franco-brasileiro; Seu Manoel e Olivier.

Apresento-lhes primeiro o mais experiente do trio: Seu Manoel, responsável pelo acampamento dos folheiros de Jaborandi (que com certeza terão um post, quem sabe uma matéria dedicada a eles) nas margens do rio Águas Claras. Conhece como poucos a floresta. A força desse senhor de 74 anos e seu cafezinho são inesquecíveis.


Foto: Seu Manoel, guardião do rio Águas Claras.

Mesquita foi a alma dessa viagem. Com seu bom humor e sua presença de espírito, conseguia tornar leve até uma madrugada fria debaixo do ninho ou uma tarde infestada de mutucas. Bolsista do Projeto de Conservação do Gavião Real em Carajás, ele esteve ausente durante alguns meses, mas agora está de volta com toda sua experiência para fortalecer a equipe.


Foto:  Mesquita (no centro) leva folheiros de Jaborandi para ver o ninho.

Olivier é o homem das alturas. Ainda não havia falado dele aqui no blog porque não tinha visto sua cara. Queria saber quem era esse francês, que tinha construído a plataforma na qual passei e ainda passarei muitos dias. Especialista em trabalhos em altura no Velho Continente, esse franco-brasileiro trouxe sua experiência para proporcionar aos integrantes do projeto um visual até então impossível da floresta.


Foto: Olivier e sua dança do dossel.

Os filhotes continuam crescendo. O mais velho já ensaia alguns voos para árvores próximas ao ninho e o caçula, que completou dois meses no dia 22, já começa a mostrar pequenos cartuchos de penas cinzas na asa e um verdadeiro apetite de harpia.


Foto: O filhote com cinco meses já mostra seu novo visual.


Foto: A fêmea e seu filhote descansam após o lanche da tarde.


Foto: No último dia, um merecido banho no Águas Claras pra comemorar.


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Visitantes nas alturas

João Marcos Rosa - 25/06/2009

Sábado voltei de mais uma viagem para Carajás e ainda não me acostumei em passar o dia inteiro em cima de árvores. Aliás, acho que nunca vou me sentir bem. Talvez um pouco mais confortável, seguro. Mas bem, bem mesmo não tem jeito. Nos dias de chuva fico pensando nos raios e quando não chove, quase sempre venta muito no meio do dia, balançando demais a copa das árvores e trazendo uma sensação imensa de instabilidade: ossos do ofício.

Tremedeiras à parte, recebo quase todos os dias visitantes ilustres, que parecem não se importar com nossa presença no dossel.

 
Foto: Pica-pau de banda branca.


Foto: Gavião ripina.


Foto: Pipira.


Foto: Gavião branco.


Foto: Saíra de mascara preta.

Nessa etapa já pudemos ver o filhote bem maior. A mãe ainda fica o dia inteiro com ele, saindo poucas vezes para buscar galhos com folhas  para refrescar o ninho. Geralmente, ela o alimenta nas primeiras horas e no fim do dia com presas trazidas pelo macho. Esse, alias, nos deu o ar da graça por duas vezes e proporcionou um show de imagens, que com certeza entrarão para as páginas do livro.


Foto: A fêmea e seu filhote de 1 mês.


Foto: O filhote, pequenino no ninho, esperando a volta da mãe.

No outro ninho, o filhote está prestes a completar 4 meses e já ensaia alguns pulos, batendo as asas dentro do próprio ninho. Em pouco tempo já estará voando para os galhos da copa e ficando totalmente à vontade na árvore. Contrário do João, que sempre vai chegar lá em cima pensando: "O que estou fazendo aqui de novo?"


Foto: O filhotão de Carajás.


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