

Continuo em Tóquio, percorrendo bairros e ruas que parecem não ter fim. Os trens não param nunca, tampouco se atrasam. Não sei que horas a cidade acorda, começo a suspeitar que nunca dorme. Outro dia cruzei no elevador um dos moradores deste bloco de apartamentos no qual me hospedo, eram oito horas da manhã, eu voltava de comprar qualquer coisa para o café-da-manhã e ele retornava, terno e pasta de executivo, imagino que do trabalho, imagino que para dormir.



Entrar em um supermercado é um atraente perigo, pode se passar horas tentando decifrar o que as embalagens claramente explicitam, em japonês, e no final arriscar levar algo que poderá não ser nem de longe aquilo que você acreditava pudesse ser. Anteontem comprei uma verdura que era o que mais se parecia com espinafre, mas claro que não era, o talo era muito grosso. Enquanto refogava a tal verdura, fui acometido por um pensamento quase tétrico: e se essa verdura fosse que nem a mandioca brava que precisa ser cozida durante horas a fio para liberar as suas toxinas? Felizmente a minha curiosidade foi mais forte que os temores. E como dois dias já se passaram e, estou escrevendo este post, deverei sobreviver.



Gosto de experimentar novidades. Encontrei expostos na seção de peixes, alguns pedaços, que acreditei, fossem de alguma espécie de carne branca, com o detalhe de estarem escarificados transversal e perpendicularmente. Numa bandeja havia alguns temperados com alguma pasta de pimenta e noutra com ervas frescas. Comprei um de cada. Chegando na cozinha rapidamente fui ver de que se tratava, joguei na frigideira para selar e qual não foi a minha surpresa ao constatar que parecia imune ao fogo, ou seja queimava mas parecia não cozinhar por dentro, não aumentava nem diminuía de tamanho. Mesmo assim experimentei. Não consegui identificar. A textura parecia de polvo e o sabor relembrava vagamente nuanças de algum ser do mar.
Passos
Sempre gosto de cuidadosamente reconhecer o terreno que piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.

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