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Luciano Candisani

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Luciano Candisani Luciano Candisani, fotógrafo de natureza há 12 anos, recebeu cinco Prêmios Abril de Jornalismo por trabalhos publicados pela National Geographic. É autor de cinco livros e centenas de matérias em vários países. Em 2007, foi nomeado membro permanente da prestigiosa ILCP - International League of Conservation Photographers.

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Expo Narrativas Visuais

Luciano Candisani - 26/11/2009



Durante os meses de agosto e setembro passados, eu e Izan Petterle, ministramos o curso básico de fotografia Narrativas Visuais para cerca de 120 participantes, divididos em seis turmas - uma iniciativa da editora Abril e da National Geographic Brasil.



Já dedicamos vários posts ao assunto aqui no blog. A novidade é que o belo trabalho desenvolvido pelos alunos acaba de ganhar uma exposição caprichada no museu da sustentabilidade, na praça Victor Civita, o mesmo espaço utilizado para as aulas do curso. Recomendo a visita. A praça fica na Rua Sumidouro, 580 (diariamente, das 7h00 as 19h00; entrada franca).



Durante a abertura da exposição, na segunda-feira, houve também a cerimônia de divulgação das quatro melhores reportagens fotográficas desenvolvidas durante as aulas práticas. Para as minhas turmas, o tema foi a própria praça e todos apresentaram trabalhos excelentes, conforme pode ser conferido nas ampliações 30x40 expostas no museu. Os premiados foram Cyndi Diniz e João Paulo Costa, ambos com 17 anos de idade e matriculados no ensino médio da rede pública. 

Parabéns a todos!
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O primeiro Urutau

Luciano Candisani - 16/11/2009

Luciano Candisani em ação - Foto de Daniel de Granville

É sempre um prazer viajar a Bonito. Conheci a cidade em 1995 e ,depois disso, já voltei inúmeras vezes. Neste sábado, porém, foi diferente: pela primeira vez cheguei ali sem meu equipamento de fotografia subaquática - nem uma mascarazinha sequer. E a sensação foi estranha. Afinal o local é internacionalmente famoso pelos rios de águas claras repletos de peixes de grande porte e plantas, jardins submersos também frequentados por sucuris e jacarés. Eu conheço muito bem cada um dos rios; eles já estiveram na pauta de inúmeras matérias que fiz nos últimos anos.

Mas, desta vez meu compromisso me colocou no centro de convenções, a uma boa distância da água. Fui convidado pelo renomado ictiólogo José Sabino para apresentar o meu trabalho na National Geographic no I Simpósio Latino Americano de Etologia, um evento que reuniu alguns dos principais especialistas do mundo no estudo do comportamento do animal e evolução. Foi, sem dúvida, uma oportunidade excelente.

Ave Urutau - Foto de Luciano Candisani

Depois da palestra, enquanto conversava com Sabino, chegou o nosso amigo em comum, o Daniel de Granville. Para quem gosta de fotografia de natureza, nem é preciso apresentar o Daniel: suas belas imagens aparecem em algumas das principais publicações do Brasil e exterior. E, além disso, ele reúne ainda as qualidades de naturalista e guia de expedições. 

O que você pretende fazer amanhã?,  perguntou o Daniel.

Gelei. Pensei que ele fosse me convidar para algum mergulho interessante; e eu ali sem nada para água…

Por sorte, a descoberta dele, desta vez, estava em terra: era um ninho de Urutau, uma ave rara e com camuflagem tão perfeita que é muito difícil perceber sua presença na natureza.

No dia seguinte, pela manhã, estávamos os dois sobre uma árvore com tripés e lentes longas tentando um retrato da ave.

Tenho feito grandes amigos em minhas andanças pelo Brasil. E, graças a dois deles - O Sabino e o Daniel - pude fazer a minha primeira foto de um Urutau.

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Palestra para finalistas do Viagem do Conhecimento

Luciano Candisani - 13/11/2009

Foto de Madalena Leles

Ontem, tive a chance de falar do meu trabalho na National Geographic para os 60 participantes da última etapa do projeto Viagem do Conhecimento  - um grande concurso nacional de geografia promovido pela revista com o objetivo de despertar nos entre os estudantes do ensino fundamental e ensino médio o interesse por temas relevantes do mundo contemporâneo. 

Para saber mais sobre essa bela iniciativa, acesse o site 
www.viagemdoconhecimento.com.br. A fotógrafa Madalena Leles esteve presente e registrou alguns momentos do evento. 

Desejo boa sorte aos 20 finalistas; mas saí do evento com a certeza que todos já são vencedores.


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Reservas Extrativistas

Luciano Candisani - 09/11/2009


Castanhas, Resex Cajarí, Amapá

As Reservas Extrativistas - RESEX - são parte do legado de Chico Mendes para a conservação dos povos da floresta amazônica. 


Açaí, Resex Cajarí, Amapá

Ao contrário das unidades de conservação de proteção integral, como os Parques Nacionais, a RESEX cria condições para que as populações tradicionais continuem vivendo e retirando seus recursos da mata, de forma sustentável.  As pessoas ganham o direito sobre o ambiente em que vivem há várias gerações e também a responsabilidade de conservá-lo.


Latex, resex Tapajós-Arapiuns, Pará

Açaí, Resex Cajarí, Amapá

A ideia surgiu com a comunidade de seringueiros do Acre, a primeira a se organizar para lutar contra a destruição da floresta e pela posse das áreas de extrativismo da seiva da seringueira, matéria-prima para a indústria da borracha. Hoje, a Amazônia já abriga dezesseis reservas extrativistas, com uma área total de 3,8 milhões de hectares e 27 mil habitantes, e várias unidades já funcionam ao longo do litoral do país.  Dessas reservas são extraídos produtos como a castanha do Pará, o açaí, o urucum, o palmito e a pupunha, o peixe e o caranguejo. A produção chega diretamente ao mercado consumidor através de cooperativas administradas pelos próprios extrativistas, sob supervisão do CNPT (Centro Nacional de Populações Tradicionais e Desenvolvimento Sustentável), ligado ao Ibama. 

Transporte para a escola, Rio Cajarí, Amapá

Açaí, Resex Cajarí, Amapá

Ainda há muitos problemas nas reservas extrativistas. O próprio CNPT indica que existe ainda um longo caminho a percorrer até que os projetos estejam funcionando a contento. Mas é inegável que a iniciativa trouxe avanços consideráveis. A cultura tradicional de muitas populações vem sendo mantida e a floresta continua de pé em locais que, de outra forma, já poderiam ter virado desertos. 

Açaí, Resex Cajarí, Amapá

Castanhas, Resex Cajarí, Amapá

Castanhas, Resex Cajarí, Amapá

Uma dos desafios dos ambientalistas para o futuro das RESEX é controlar melhor a caça, ainda largamente difundida na Amazônia em geral.

Pesca, Resex Tapajós-Arapiuns, Pará

Hoje, publico parte de um trabalho em andamento: a de documentação das RESEX da Amazônia. 

Tapajós, Pará

Rio Cajarí, Amapá

Açaí, Resex Cajarí, Amapá

Abacaba, Resex Cajarí, Amapá

Pesca, Resex Tapajós-Arapiuns, Pará


Resex Tapajós-Arapiuns, Pará

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Xapuri, a casa de Chico Mendes

Luciano Candisani - 19/10/2009




Nessa pequena casa de madeira, igual a tantas outras das ruas de Xapuri, no Acre, o maior herói dos povos da floresta, o seringueiro Chico Mendes, se foi de forma trágica. Ele fora atingido por tiros disparados do fundo do quintal - as marcas de sangue ainda são visíveis na porta da cozinha que dá para o quintal. 

Seu legado, porém, o mantém vivo em toda Amazônia; especialmente nas reservas extrativistas criadas para proteger o modo de vida tradicional do homem amazônico: a coleta da castanha, a borracha, o açaí, a pesca e outras atividades capazes de promover o bem estar das comunidades sem prejuízo à floresta. Já estou preparando um post com imagens de Reservas Extrativistas na Amazônia - publicarei em breve.

Sobre a história de Chico Mendes, recomendo a leitura do livro "Chico Mendes, crime e castigo", de Zuenir Ventura,  editora Companhia das Letras. Li em 2004. O texto de Zuenir é tão preciso (além de elegante, claro) que, ao entrar na pequena casa, na quarta-feira passada,  tive a nítida sensação de já ter pisado ali. Emocionante.


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