
Meu ultimo post de 18 de setembro foi enviado de Montevideu no Uruguai, onde estava documentando parte de uma história para a National Geographic Brasil, para uma reportagem que será publicada em 2010.Â

Retornando ao Brasil passamos pela cidade de Rio Grande, cidade portuária com um interessante casario. No porto inúmeros barcos pesqueiros estavam ancorados à espera do bom tempo. Nesses dias ventos que atingiram velocidade de até 70km/h impediam as embarcações de se lançarem ao mar.

No dia 20 de setembro, já em Porto Alegre, me deparei com um dos grandes momentos da pátria gaucha, a comemoração da revolução farroupilha.


Que nenhuma região do Brasil defende a sua identidade com tanta energia quanto o Rio Grande do Sul, isso é de domÃnio publico, mas o acampamento que é montado no parque próximo ao Guaiba surpreende quem nunca viu, tamanha a quantidade de participantes e empenho. Assemelha-se a uma cidade cenográfica.
 
Nesse dia, coincidentemente rolava o "Último rolo de Kodachrome". A ideia foi do Dimitri Lee, fotógrafo amigo que queria se despedir desse filme, pois a Kodak decretou o fim do processo Kodachrome e somente até dezembro de 2009 poderão ser revelados os exemplares ainda circulando por todos os continentes. Depois disso, nunca mais.

Dimitri convidou 30 amigos, deixou um rolo de 36 poses com cada, com o compromisso de utilizá-lo no dia 20. Bom, agora só resta aguardar, pois o resultado poderá ser visto somente em algumas semanas.
Até 2006 eu não utilizava câmeras digitais. Hoje totalmente adaptado a esse novo mundo, parece muito distante esse passado analógico. Nada de saudosismo, ficou muito mais fácil produzir imagens, sobrando mais tempo para pensar.
E no dia 25, em vez de escrever o meu post, fui participar do Paraty em Foco: rever os amigos que moram distantes e aqueles, que mesmo próximos, raras vezes temos a chance de encontrar.
Para mim é cada vez mais notório que a fotografia no Brasil ganhou um enorme impulso. Tornou-se presente em espaços antes restritos às outras artes, desenvolveu festivais, encontros, galerias, novas publicações e principalmente público. Enfim, está cada vez mais democrática e isso é claramente uma vitória do advento digital, tanto aqui quanto no resto do mundo.

Postei aqui uma imagem que reproduzi de um negativo em vidro no Instituto histórico de Jaguarão. Desta forma, quem quiser rememorar o passado analógico, pode revelar esta imagem no Photoshop. O autor é desconhecido mas obviamente trata-se de um gaucho, seu cavalo e seu cachorro.
Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.