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Roberto Linsker

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Roberto Linsker Roberto Linsker, fotógrafo e editor da Terra Virgem, está há 44 anos tentando entender o mundo através das imagens que o enraízam à geografia e revelam a sua essência. “Mar de Homens”, o seu mais recente trabalho autoral, documenta um Brasil essencial.

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A quantos metros se fotografa um jacaré em Itacaré?

Roberto Linsker - 24/07/2009



Fotografar a vida selvagem é quase sempre um exercício de paciência, perseverança e profundo amor e dedicação ao tema. Admiro os colegas que investem seus dias e, muitas vezes noites, atrás de um objetivo que em algumas ocasiões demora uma eternidade para se mostrar e quando aparece, foge velozmente. Em raras ocasiões me dediquei á fauna selvagem. De uma forma simplista devo creditar as boas imagens que tenho de animais, à providencia que me fez estar na hora certa, no local certo e... Com a lente certa. Como nunca carreguei nada além de uma 400mm, perdi a conta das cenas não captadas.

Distância é a chave para se manter um relacionamento adequado quando a questão é fotografia. E aqui não me refiro somente à fauna animal, pois serve também para a humana.

É praticamente impossível fotografar cenas de caça, ou outras, na natureza sem se ter uma poderosa teleobjetiva. Paralelamente, é muito improvável que o fotógrafo consiga cenas intimistas de convívio humano se não utilizar uma lente 50 mm ou grande angular.

Fotografando humanos - o diálogo, a prosa, a conversa e outras palavras - são ferramentas que encurtam as distâncias. Isso não acontece na mata, ao menos não comigo. Lembro do filme "O Homem Urso", de Herzog, onde o protagonista estabelece uma relação íntima com os ursos, resultando em imagens raras, de comovedora beleza, infelizmente o final é trágico. E bota trágico.

O jacaré da foto é um dos tantos que habita uma lagoa próxima ao mar nas bandas de Itacaré. Claramente não se trata de uma área totalmente selvagem e o animal, apesar de acostumado à presença humana - uma moradora eventualmente  lhe fornece restos alimentares -, não pode absolutamente ser considerado doméstico. Para fotografá-lo utilizei uma Canon G10, ISO 200  abertura f4.0 velocidade 1/25 sec e zoom na posição 21,5 mm com a câmera praticamente rente à lâmina d'água.

Passos
Sempre gosto de cuidadosamente reconhecer o terreno que piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.


 


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marta - Luiz Pacheco me desculpe , queria ter escrito sensacionalista - 31/07/2009 - 21:32

linsker - Luiz Rodrigues, eu sou feliz com a minha fotografia. nada tenho a reclamar. a natureza sempre foi benevola comigo, e nunca precissei pedir nada. neste post expressei a minha opção de não sair carregando teleobjetivas e, a minha admiração pela paciência e perseverança dos fotógrafos dedicados à documentação da fauna. eu por enquanto não pretendo mudar meus rumos. mas nunca se sabe... grande abraço - 31/07/2009 - 15:52

marta - Obrigada Luiz Pacheco, nao conhecia O trabalho de Araquem Alcantara.Fui ver.Realmente tecnicamente muito especial,e imensa quantidade de trabalho, que e' sempre de valorizar, no entanto algo de sensionalista no seu trabalho me incomoda... mas sempre que alguem se empenha em homenagear a natureza e sua beleza, como parece e' o que busca , tem valor, a meu ver. - 31/07/2009 - 12:10

Luiz Rodrigues - Linker, para fotografar vida selvagem deveríamos escutar as lições do "maior fotógrafo de natureza do país e um dos melhores do mundo", autoproclamação essa feita pelos seus próprios releases, o Luiz cita abaixo uma das lições: tem-se pedir licença para os "espíritos da floresta", ainda tem mais, está disponível no youtube um vídeo onde o mestre destila pérolas de sabedoria xamânica Segundo ele o segredo é mentalizar para que os animais venham até você, que ele faz isso e que dá certo...simples assim... abração - 30/07/2009 - 18:01

Luiz Pacheco - Oi Marta, que linda esta história que você contou. O contato com a natureza tem esta mágica de mudar a vida das pessoas. O grande fotógrafo de natureza, Araquém Alcântara (www.araquem.com.br) sempre defende em suas entrevistas que suas fotos são especiais porque quando entra na floresta ele pede auxílio e autorização aos "espíritos da floresta" para que consiga realizar fotos que prestem homenagem aquela beleza toda. Olhando o trabalho dele eu acredito que isso realmente funciona. Um grande abraço. - 29/07/2009 - 11:08

marta - Luiz Pacheco, achei bonito ouvir dizer algo que me soou como um eco longe na minha memoria''volto me sentindo leve e muito feliz por este contacto proximo com a natureza"...isso dizia uma prima , parente que me criou alguns anos durante a minha infancia...com 20 e poucos anos foi diagnosticada com uma irreversivel e quase fatal doenca de coracao...desde esse dia com seu querido marido e amor, decidiu que todos os dias que vivessem iriam andar 2 horas , pela natureza proxima.Sem excepcao ate hoje o fazem.Teem 85 anos e inda hoje sao as pessoas mais alegres e claras que alguma vez conheci.Pelas caminhadas e amor, disso nao duvido.Ela me dizia sempre "vamos andar ali pelas matas, quando voltarmos estaremos mais leves e felizes''.Um abraco e desejo de felizes caminhadas para ti tambem. - 28/07/2009 - 11:25

Carlos Oliveira - Bacana Linsker saber que você usou uma G10 uma maquina simples mais com muito recursos. - 27/07/2009 - 12:16

Fernando Melo - A conquista diária foi o que possibilitou a aproximação e excelente registro. Interessante é o excelente resultado que a série G da Canon apresenta. Abraços! - 27/07/2009 - 00:29

linsker - Luiz, você bem disse, o proveito do convívio com a natureza não pode nem deve ser medido pelo que concretamente conseguimos extrair dela. O prazer abstrato e inexplicável de estar lá, acho que contribui mais para essa leveza e felicidade que você comentou. Sobre o Mar de Homens, me alegra que ele tenha sido inspirador. Um grande abraço para você. - 25/07/2009 - 21:59

Luiz Pacheco - Grande Roberto, Fotografia de natureza é também meditação, encontro com a essência da vida. Sou apaixonado por este tipo de fotografia, mas infelizmente muitas vezes volto um pouco frustrado das minhas excursões fotográficas por não ter uma tele-objetiva com a qualidade necessária. Mas mesmo quando não consigo a imagem ideal, volto me sentindo leve e muito feliz por este contato próximo com a natureza. Parabéns pelo seu ótimo trabalho, seu livro "Mar de Homens" é uma das minhas grandes fontes de inspiração. Um grande abraço. - 25/07/2009 - 15:14

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