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Roberto Linsker

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Roberto Linsker Roberto Linsker, fotógrafo e editor da Terra Virgem, está há 44 anos tentando entender o mundo através das imagens que o enraízam à geografia e revelam a sua essência. “Mar de Homens”, o seu mais recente trabalho autoral, documenta um Brasil essencial.

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Saudades, loucura e Kodachrome

Roberto Linsker - 04/12/2009


Foto: ©R.Linsker


Foto: ©R.Linsker

Na terça-feira passada, após mais de dois meses de espera, aconteceu a apresentação daqueles slides, aqueles derradeiros rolos de kodachrome que foram clicados no dia 20 de setembro.


Foto: ©R.Linsker

A ideia de celebrar a longa vida e, irreversível morte, do Kodachrome foi do Dimitri Lee. O filme deixou de ser fabricado neste ano e a revelação vai até o próximo dia 13 de dezembro. Quem por acaso ainda tiver algum guardado, corra, it's now or never.


Foto: ©R.Linsker


Foto: ©R.Linsker

Foram trinta os fotógrafos participantes. Cada um recebeu um filme de 36 poses e total liberdade para usá-lo naquele domingo. Zé de Boni estava em Veneza, Iatã Cannabrava, em Paraty, Gal Oppido, em Paris, eu, em Porto Alegre, e o restante, na cidade de São Paulo ou arredores.


Foto: ©R.Linsker


Foto: ©R.Linsker

Trinta e seis, no máximo trinta e oito imagens no formato 24 x 36 mm é o quanto rende um filme! Hoje, olhando para o quase ilimitado mundo digital, tenho absoluta consciência da magia que a finitude representa. TRINTA E SEIS.


Foto: ©Luigi Stavale

Naquela noite eu vi momentos gloriosos do minimalismo que tinha esquecido no meio da multidão. Foto Clema028 ©Clemente Gauer
Todos, menos dois, toparam projetar as imagens sem edição prévia, na sequencia em que foram feitas. Inicialmente alguns foram contra essa proposta, eu me incluo, mas logo fomos convencidos a mostrar tudo, afinal não se tratava de um evento público, apenas uma ação entre amigos.


Foto: ©Clemente Gauer

E aqui vai uma confissão: para fotógrafos profissionais isso é quase uma terapia coletiva. Dificilmente alguém veria aquilo que não deu certo no nosso trabalho: erros de fotometragem, imagens fora de foco (sim, isso acontece nas câmeras com foco manual!!), enquadramentos precários, etcetera.


Foto: ©Toni Freder

E assim, depois de quase mil imagens projetadas, uma agradável sensação pairava naquele auditório da FNAC, algo que, sem qualquer conotação religiosa, nos irmanava comunitariamente.


Foto: ©Gui Mohallem


Foto: ©Fernanda Sá

As imagens dos outros fotógrafos não chegaram a tempo para publicação. erro meu que solicitei somente ontem. Na próxima semana colocarei mais algumas. 


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Sting no Brasil, Marina Silva (de novo), Alex Atala, etcetera

Roberto Linsker - 27/11/2009






A vida é realmente uma caixinha de surpresas. No post passado comentava a visão poética da Marina Silva sobre o Tempo. Dias mais tarde, coincidência ou leitura, Beto Ricardo do ISA me liga querendo saber se eu gostaria de participar de um jantar onde a senadora encontraria o cantor Sting. O meu compromisso seria apenas fotografar. Não pensei duas vezes.



 E lá fomos. Confesso que meu interesse maior era conhecer o Sting. The Police faz parte da minha memória afetiva e "Tea in the Sahara" sempre foi uma das minhas canções prediletas. Também, vinte anos tinham se passado desde o tempo em que Sting em Altamira conhecera o Raoni, um polêmico encontro que percorreu o mundo em inusitada turnê. E se eu não me engano, ele nunca mais tinha voltado a pisar no Brasil. 


Pois é, de vez em quando ganhamos presentes inesperados. 
Sexta feira 20 de novembro  foi um desses dias inesquecíveis: a boa comida de Alex Atala, conversa sustentável e outras histórias relembradas. Só faltou mesmo uma canja.



No dia 23 à noite  fui na abertura de um evento com nome bem esquisito, CLIX Conexões Imersão. Thomaz Farkas era o fotógrafo homenageado e reiteradamente contou para a platéia o quanto durante mais de meio século fotografar lhe dava felicidade, não lhe importando o assunto que desfilava perante os seus olhos.

Compartilho dessa crença onde a fotografia pode ser espelho que reflete o viver ao redor. Da fotografia um tanto quanto descompromissada com pautas. Dessa fotografia que visa somente o prazer de criar uma imagem. Coisas que muitas vezes desinteressam "inexplicavelmente" aos outros enquanto nos emocionam profundamente. Imagino que todos saibam ao que estou me referindo.

Estas fotografias por exemplo, se não envolvessem figuras públicas, e a curiosidade que o público tem em relação ao privado, não caberiam como ilustrações de qualquer discurso.

Na proxima 4ª feira dia 2 de dezembro estarei em Belo Horizonte. O convite é de Eugênio Sávio organizador do Foto em Pauta, evento que acontece na cidade desde 2004. Nessa noite projetarei imagens e contarei um pouco sobre os meus caminhos fotográficos e editoriais. Aos leitores da cidade aqui vai o meu convite. E como a transmissão é ao vivo pela internet, é só clicar www.fotoempauta.com.br.

SERVIÇO FOTO EM PAUTA COM ROBERTO LINSKER
DATA: QUARTA-FEIRA, 2 DE DEZEMBRO DE 2009
HORÁRIO: 19 HORAS
LOCAL: MULTIESPAÇO / OI FUTURO
ENDEREÇO: AV. AFONSO PENA 4001 - TÉRREO
ENTRADA GRATUITA COM LUGARES LIMITADOS!

Passos

Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.




 


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Marina Silva e o tempo que vivemos

Roberto Linsker - 16/11/2009


Na semana passada recebi o lembrete do Mesa de Luz para o seu novo post. Como havia um texto intitulado "Um Avião Quase Parado no Céu" de Marina Silva sobre o tempo, decidi conferir. Não vou me alongar muito, digo apenas uma coisa, é LINDO de MORRER. 


Quis postá-lo na semana passada mas decidi antes conferir se realmente o texto pertencia a nossa ex-ministra, senadora e candidata à presidência da República. 


Liguei para o Carlos Carvalho que junto com o Ubiratan Oliveira editam o blog. Confirmada a fonte e a veracidade do texto, liguei hoje para a editora Livre que edita a revista S/nº (www.snbrasil.com) em cujo volume 12, recém lançado, soube que constava originalmente o relato da Marina. Os editores dessa revista são Bob Wolfenson e Helio Hara.



As palavras da Marina me transportaram para um Acre que conheci em 1998, quando documentava o capítulo sobre o Chico Mendes para o livro "Brasil Aventura No Caminho dos Heróis", época em que por livre e espontânea vontade decidimos incluir o seringueiro no panteão dos heróis brasileiros. 



Essa escolha veio a ser formalizada anos mais tarde, no atual governo Lula. Mas chega de falatório pois o que vem a seguir é muuuuito mais interessante.



Um avião quase parado no céu
Por Marina Silva

Quando penso em velocidade, e acho que com a maioria das pessoas é assim, tenho a ideia de algo acontecendo muito rapidamente, de um tempo e um espaço a serem vencidos. Embora velocidade também tenha a ver com lentidão, raramente pensamos nela com esse sentido.


Para mim, ela só é perceptível numa relação comparativa. Minha primeira percepção a esse respeito foi por volta dos seis anos, quando vi os primeiros tratores e caminhões na BR-364, então recém-aberta, que passava perto da colocação Breu Velho do seringal Bagaço, no Acre, onde nasci.


Colocação é o espaço de vida e trabalho de cada família seringueira. Um seringal se compõe de várias colocações. Numa parte da colocação fica a clareira com a casa, a pequena roça de subsistência, árvores frutíferas, local para a criação de alguns animais e um terreiro. Em torno, numa certa faixa da floresta, identificam-se as árvores para o corte e retirada do latex que vai virar borracha. Andam-se diariamente cerca de 14 quilômetros, o que corresponde a fazer duas vezes o percurso que sai da casa e vai serpenteando por todas as árvores selecionadas, retornando ao ponto inicial. Na primeira passada faz-se o corte, na segunda a coleta. É o que se chama estrada de seringa.


Esse era o nosso universo espacial e temporal. De certa forma ele se transferia para dentro de nós e estabelecia formas de conhecimento do mundo.


A existência de carros rápidos, de que meu pai falava, só ficou palpável com a BR 364. Primeiro, meu pai abriu um caminho até a estrada. Depois mudou a casa para perto dela, num lugar ao qual demos o nome de Breu Novo.


Aí comecei a prestar atenção também nos aviões que passavam de vez em quando. Olhava para o céu e parecia que eles iam tão devagarzinho, de uma maneira tão suave, chegava a imaginá-los quase parados. O avião, o trator, os caminhões passaram a ser referências novas, diferentes do cavalo, da bicicleta. O caminhão, para mim, era de longe o mais rápido.


Passei também a associar velocidade a perigo. Minha mãe e minha avó diziam o tempo todo que era preciso ter muito cuidado. Aparecia um caminhão hoje, outro lá pela semana seguinte ou até mais, mas a criançada tinha que estar sempre atenta “pra atravessar a BR”. Mesmo naquele ermo, tinha-se que olhar para um lado, depois para o outro e só depois atravessar. E, ainda assim, com certo medo.


Mas o impacto maior de conhecer experiências e coisas diferentes de nossas práticas cotidianas, aconteceu quando vi pela primeira vez um fogão.


Desde uns dez anos de idade, eu acordava todo dia por volta de quatro da manhã para preparar a comida que meu pai levava para a estrada de seringa. A rotina era imutável e demorada: levantar, pegar gravetos no monte de lenha, colocar sernambi - pedacinhos de latex coalhado - para queimar no fogão de lenha, jogar os gravetos por cima. Com lenha molhada, então, fazer o fogo era uma verdadeira batalha.


Todo dia preparava farofa. Às vezes com carne, mas quase sempre com ovo e um pouquinho de cebola de palha, acompanhada de macaxeira frita. Aí punha dentro de uma lata vazia de manteiga, com tampa.


Manteiga era comprada só quando minha mãe ganhava bebê. Meu pai encomendava no barracão - o entreposto de mercadorias mantido pelo dono do seringal - , pra fazer caldo d’água durante o período de resguardo. Por incrível que pareça, a manteiga vinha da Europa para as casas aviadoras de Manaus e Belém e dali chegava aos seringais do Acre. A lata era uma coisa preciosa. De bom tamanho, muito útil, tinha tampa e desenhos lindos e elegantes.


O ritual de fazer fogo, preparar o café e a farofa e entregar a lata a meu pai levava uns 45 minutos. O que eu sabia de cozinhar se resumia àquilo. Até que vi pela primeira vez um fogão a gás, em Rio Branco, quando tinha uns doze anos. Estava muito doente e fui com minha mãe. Ficamos na casa do meu tio, na periferia da cidade. Fiquei encantada com o fogão. Como era rápido! Subia de repente um fogo azul e era só botar a panela em cima!


Muito mais tarde, morando já em Brasília, estava atrasadíssima para uma votação no Senado e precisava comer alguma coisa antes de sair de casa. Programei o microondas para 45 segundos e fiquei na frente, estalando os dedos, agoniada, como se pudesse apressar ainda mais a máquina: vamos, vamos, vamos! E enquanto estava ali, nessa coisa meio maluca e ridícula, me veio de uma vez à mente a rotina do seringal. Me vi queimando o sernambi, a lenha, fazendo a farofa, preparando a lata de manteiga. O fogo vermelho e barulhento dos gravetos, a descoberta da chama azul do gás.


Acho que a vida toda fui manejando as coisas do tempo e da velocidade, sem perder o meu tempo e a minha velocidade internos. No meu aprendizado de vida, as coisas velozes sempre se associavam à cidade, e as mais vagarosas à floresta. De nossa colocação até o Piratinim, um dos barracões do Bagaço, eram onze horas de caminhada. Dali até a margem do rio, era mais uma hora. E da margem do rio para Rio Branco, em torno de dois dias e meio. Hoje se leva menos de uma hora, por asfalto, para vencer os 75 quilômetros daquele ponto até Rio Branco.


Em geral as pessoas me acham muito calma. Talvez isso tenha a ver com a minha conformação emocional, mas é também um jeito de me relacionar com as dimensões do cosmos, de tal modo que vou internalizando e conciliando a frequência tecnológica e o ritmo frenético da vida urbana e da política com a potência do rudimentar que faz parte de mim e sempre fará.


Na floresta, onde todo deslocamento demandava muito tempo, paradoxalmente recorríamos à velocidade do som para nossas necessidades de comunicação mais urgentes. Quando se queria avisar do nascimento de uma criança, sem ter que andar horas ou até dias pela mata, usava-se um código: dois tiros de espingarda significavam que nascera uma menina; três tiros, um menino. Se alguém morresse, eram sete tiros. E no último dia do ano, doze tiros para compartilhar a comemoração do ano novo.


Nosso totem tecnológico era o rádio a pilhas, um bem quase mitificado. Podia faltar tudo, menos pilha para o rádio. O nosso era da marca Canadian. Meu pai, minha mãe e minha irmã mais velha eram os que sabiam manejá-lo. Ficava bem alto, numa pequena plataforma na parede. Minha irmã tinha que subir no banco para alcançar e meu pai e minha mãe ficavam na ponta dos pés.


E ninguém mais podia mexer, para não prejudicar o ajuste e não dar chiado. Para meu pai, era sagrado ouvir a "Voz do Brasil" e os noticiários em português da BBC de Londres e da Voz da América. Minha mãe e minha irmã mais velha gostavam das novelas.


O rádio em si atraía muito minha curiosidade e mesmo com todas as advertências, algumas vezes não resisti e mexi. Levava cada carão, pois, é claro, desajustava as faixas e lá vinha o odiado chiado. Uma vez consegui desparafusar a tampa traseira para ver se havia gente dentro da caixa.


Meu pai gostava muito de informação. Minha mãe sempre pedia ao noteiro - o homem que fazia as contas do saldo dos seringueiros e anotava as encomendas de cada família - revistas velhas porventura descartadas pelos patrões, em Belém. De quando em vez, vinham revistas "Manchete". Minha mãe separava as páginas mais bonitas ou com muitas fotos para forrar as paredes da casa, um costume dos seringueiros. Mas antes que ela recortasse tudo, meu pai lia tudo avidamente, mesmo sendo notícias velhas.


Nunca esqueci as fotos da morte do presidente Kennedy. Meu pai sentado no chão, com a "Manchete" aberta no colo, rodeado de crianças, lia em voz alta e explicava o acontecido. Ele já sabia, como fiel ouvinte da Voz da América, mas agora era diferente, tinha o peso das imagens. Ele dizia “presidente da América do Norte”, e não Estados Unidos. Das coisas que meu pai contou, o que mais me impressionou foi que, ao prenderem o suposto assassino, alguém teria gritado: “quebrem-lhe os polegares!”.


Só que, quando olhávamos fascinados as fotos de Kennedy na "Manchete" de novembro de 1963, já estávamos em 1968, cinco anos depois da tragédia de Dallas. Entre o acontecimento, a informação e a imagem, a completa percepção se arrastara por vários anos. É como se o fato tivesse viajado intacto pelo espaço, em cada detalhe: o estado de choque das multidões, o sangue do presidente, seus filhos tão pequenos, o corpo caído no carro. E de repente tudo isso aterrissou em nosso seringal, sem quebrar a emoção e o impacto, como se fosse uma época invadindo o domínio de outra.


Mas, afinal, o tempo que valia mesmo era o nosso, o das nossas circunstâncias. Não nos incomodamos de saber, com cinco anos de atraso, algo que já era História no restante do mundo. Nossa velocidade, vejo agora, não era veloz. E isso não tinha a menor importância.

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Entretrópicos - de Miami a Ilhabela a bordo de dois catamarãs de 21 pés

Roberto Linsker - 06/11/2009

©Roberto Linsker

Estou de volta aos trópicos. Estranhando um pouco o calor e os ataques insistentes dos Aedes aegypti que voltaram à ativa depois de longo inverno. O Japão ficou do outro lado do planeta e novembro avança incessante. 

 
©Roberto Linsker

 
©Roberto Linsker

Neste próximo dia 10 lançarei pela minha editora, Terra Virgem, um livro muito especial. Especial porque demorou 15 anos para ganhar tinta e luz. Especial porque é um trabalho coletivo realizado no percurso de uma das mais incríveis viagens que já tive a oportunidade de participar.

 
©Gui von Schmidt

O livro Entretrópicos é o relato da viagem que Marcus Sulzbacher e Beto Pandiani, com diversos tripulantes convidados, realizaram em 1994 de Miami a Ilhabela a bordo de dois catamarãs de 21 pés, sem cabine.   

  
©Roberto Linsker

Com esmerada direção de arte do Marcus, textos manuscritos pelo próprio Beto e textos narrativos do jornalista Xavier Bartaburu, Entretrópicos é um ensaio fotográfico com imagens de André Andrade, Gui von Schmidt  e minhas. Os textos relatam os 289 dias que foram necessários para cruzar do Trópico de Câncer ao Trópico de Capricórnio, incluindo, no meio do caminho, 5 mil quilômetros de rios amazônicos. 

 
©Roberto Linsker

Inspirados pela experiência do naturalista Alexander von Humboldt, realizada em 1800, navegamos do Caribe ao Amazonas por dentro do continente conectando as bacias do Orinoco e do Amazonas através do Canal do Casiquiare.

 
©Roberto Linsker

Eu não sou um homem de mar. Apesar de ter embarcado em inúmeras jornadas oceano adentro, para o extenso trabalho de documentação do projeto Mar de Homens, a minha praia é outra. Sou mais feliz à beira-mar ou na terra, no topo das montanhas.

 
©Roberto Linsker

©Roberto Linsker

Por isso, quando Beto me contou do projeto Entretrópicos e me convidou para participar, rapidamente escolhi os rios no seu trecho mais selvagem e desabitado e fiz uma sugestão: já que estaríamos tão próximos, que tal escalarmos o Pico da Neblina e assim marcarmos um "ponto alto" nessa expedição?

©Roberto Linsker

 
©Roberto Linsker

A expedição foi um sucesso em todos os seus propósitos e, individualmente, uma inesquecível experiência amazônica - todas elas sempre são, mas esta teve um gostinho especial. 

©Gui von Schmidt

Editar o livro 15 anos depois se mostrou um processo quase arqueológico; na busca de slides, descobrimos lembranças enevoadas pelo tempo. 

©Andre Andrade

Quem quiser conferir está convidado para o evento, nesta terça-feira, 10 de novembro, a partir das 19h, na livraria FNAC Pinheiros (Avenida Pedroso de Morais, 858, São Paulo).

©Roberto Linsker

Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.

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Jornadas no Oriente - parte III

Roberto Linsker - 26/10/2009





Continuo em Tóquio, percorrendo bairros e ruas que parecem não ter fim. Os trens não param nunca, tampouco se atrasam. Não sei que horas a cidade acorda, começo a suspeitar que nunca dorme. Outro dia cruzei no elevador um dos moradores deste bloco de apartamentos no qual me hospedo, eram oito horas da manhã, eu voltava de comprar qualquer coisa para o café-da-manhã  e ele retornava, terno e pasta de executivo, imagino que do trabalho, imagino que para dormir.





Entrar em um supermercado é um atraente perigo, pode se passar horas tentando decifrar o que as embalagens claramente explicitam, em japonês, e no final arriscar levar algo que poderá não ser nem de longe aquilo que você acreditava pudesse ser.  Anteontem comprei uma verdura que era o que mais se parecia com espinafre, mas claro que não era, o talo era muito grosso. Enquanto refogava a tal verdura, fui acometido por um pensamento quase tétrico: e se essa verdura fosse que nem a mandioca brava que precisa ser cozida durante horas a fio para liberar as suas toxinas? Felizmente a minha curiosidade foi mais forte que os temores. E como dois dias já se passaram e, estou escrevendo este post, deverei sobreviver.


 




Gosto de experimentar novidades. Encontrei expostos na seção de peixes, alguns pedaços, que acreditei, fossem de alguma espécie de carne branca, com o detalhe de estarem escarificados transversal e perpendicularmente. Numa bandeja havia alguns temperados com alguma pasta de pimenta e noutra com ervas frescas. Comprei um de cada. Chegando na cozinha rapidamente fui ver de que se tratava, joguei na frigideira para selar e qual não foi a minha surpresa ao constatar que parecia imune ao fogo, ou seja queimava mas parecia não cozinhar por dentro, não aumentava nem diminuía de tamanho. Mesmo assim experimentei. Não consegui identificar. A textura parecia de polvo e o sabor relembrava vagamente nuanças de algum ser do mar.

Passos
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