viajeaqui.com.br - Planeje sua viagem, Destinos, Blogs, Fotos e Vídeos
Busca específica na National Geographic Brasil

Roberto Linsker

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Sobre este Blog

Roberto Linsker Roberto Linsker, fotógrafo e editor da Terra Virgem, está há 44 anos tentando entender o mundo através das imagens que o enraízam à geografia e revelam a sua essência. “Mar de Homens”, o seu mais recente trabalho autoral, documenta um Brasil essencial.

Recentes

Mais comentados

Entretrópicos - de Miami a Ilhabela a bordo de dois catamarãs de 21 pés

Roberto Linsker - 06/11/2009

©Roberto Linsker

Estou de volta aos trópicos. Estranhando um pouco o calor e os ataques insistentes dos Aedes aegypti que voltaram à ativa depois de longo inverno. O Japão ficou do outro lado do planeta e novembro avança incessante. 

 
©Roberto Linsker

 
©Roberto Linsker

Neste próximo dia 10 lançarei pela minha editora, Terra Virgem, um livro muito especial. Especial porque demorou 15 anos para ganhar tinta e luz. Especial porque é um trabalho coletivo realizado no percurso de uma das mais incríveis viagens que já tive a oportunidade de participar.

 
©Gui von Schmidt

O livro Entretrópicos é o relato da viagem que Marcus Sulzbacher e Beto Pandiani, com diversos tripulantes convidados, realizaram em 1994 de Miami a Ilhabela a bordo de dois catamarãs de 21 pés, sem cabine.   

  
©Roberto Linsker

Com esmerada direção de arte do Marcus, textos manuscritos pelo próprio Beto e textos narrativos do jornalista Xavier Bartaburu, Entretrópicos é um ensaio fotográfico com imagens de André Andrade, Gui von Schmidt  e minhas. Os textos relatam os 289 dias que foram necessários para cruzar do Trópico de Câncer ao Trópico de Capricórnio, incluindo, no meio do caminho, 5 mil quilômetros de rios amazônicos. 

 
©Roberto Linsker

Inspirados pela experiência do naturalista Alexander von Humboldt, realizada em 1800, navegamos do Caribe ao Amazonas por dentro do continente conectando as bacias do Orinoco e do Amazonas através do Canal do Casiquiare.

 
©Roberto Linsker

Eu não sou um homem de mar. Apesar de ter embarcado em inúmeras jornadas oceano adentro, para o extenso trabalho de documentação do projeto Mar de Homens, a minha praia é outra. Sou mais feliz à beira-mar ou na terra, no topo das montanhas.

 
©Roberto Linsker

©Roberto Linsker

Por isso, quando Beto me contou do projeto Entretrópicos e me convidou para participar, rapidamente escolhi os rios no seu trecho mais selvagem e desabitado e fiz uma sugestão: já que estaríamos tão próximos, que tal escalarmos o Pico da Neblina e assim marcarmos um "ponto alto" nessa expedição?

©Roberto Linsker

 
©Roberto Linsker

A expedição foi um sucesso em todos os seus propósitos e, individualmente, uma inesquecível experiência amazônica - todas elas sempre são, mas esta teve um gostinho especial. 

©Gui von Schmidt

Editar o livro 15 anos depois se mostrou um processo quase arqueológico; na busca de slides, descobrimos lembranças enevoadas pelo tempo. 

©Andre Andrade

Quem quiser conferir está convidado para o evento, nesta terça-feira, 10 de novembro, a partir das 19h, na livraria FNAC Pinheiros (Avenida Pedroso de Morais, 858, São Paulo).

©Roberto Linsker

Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.

Adicione esta página aos seus favoritos(2) comentáriosLink permanente do postEnvie este post para um amigoImprima o post

Jornadas no Oriente - parte III

Roberto Linsker - 26/10/2009





Continuo em Tóquio, percorrendo bairros e ruas que parecem não ter fim. Os trens não param nunca, tampouco se atrasam. Não sei que horas a cidade acorda, começo a suspeitar que nunca dorme. Outro dia cruzei no elevador um dos moradores deste bloco de apartamentos no qual me hospedo, eram oito horas da manhã, eu voltava de comprar qualquer coisa para o café-da-manhã  e ele retornava, terno e pasta de executivo, imagino que do trabalho, imagino que para dormir.





Entrar em um supermercado é um atraente perigo, pode se passar horas tentando decifrar o que as embalagens claramente explicitam, em japonês, e no final arriscar levar algo que poderá não ser nem de longe aquilo que você acreditava pudesse ser.  Anteontem comprei uma verdura que era o que mais se parecia com espinafre, mas claro que não era, o talo era muito grosso. Enquanto refogava a tal verdura, fui acometido por um pensamento quase tétrico: e se essa verdura fosse que nem a mandioca brava que precisa ser cozida durante horas a fio para liberar as suas toxinas? Felizmente a minha curiosidade foi mais forte que os temores. E como dois dias já se passaram e, estou escrevendo este post, deverei sobreviver.


 




Gosto de experimentar novidades. Encontrei expostos na seção de peixes, alguns pedaços, que acreditei, fossem de alguma espécie de carne branca, com o detalhe de estarem escarificados transversal e perpendicularmente. Numa bandeja havia alguns temperados com alguma pasta de pimenta e noutra com ervas frescas. Comprei um de cada. Chegando na cozinha rapidamente fui ver de que se tratava, joguei na frigideira para selar e qual não foi a minha surpresa ao constatar que parecia imune ao fogo, ou seja queimava mas parecia não cozinhar por dentro, não aumentava nem diminuía de tamanho. Mesmo assim experimentei. Não consegui identificar. A textura parecia de polvo e o sabor relembrava vagamente nuanças de algum ser do mar.

Passos
Sempre gosto de cuidadosamente reconhecer o terreno que piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.

 


Adicione esta página aos seus favoritos(5) comentáriosLink permanente do postEnvie este post para um amigoImprima o post

Jornadas no Oriente - Parte II

Roberto Linsker - 16/10/2009



Foi inesperada e bem-vinda a ausência de barulho no Japão. Talvez por ter como referência a compulsão musical e verbal que emana do Brasil, eu tenho me surpreendido com a quietude nestas metrópoles.




Ninguém grita, ninguém buzina, todos os motores parecem conspirar com esse silêncio. Há um incessante movimento e uma intensa atividade mas parece que tudo foi azeitado, lubrificado, para evitar os rangidos, os atritos, poupando assim o entorno de decibéis desnecessários.




Todas as cidades do planeta têm o seu respirar próprio, quase um zunido, que pode ser ouvido de longe. Um somatório de pequenos ruídos que criam a identidade sonora do lugar. Por aqui, a minha leitura é que essa assinatura tem pinceladas minimalistas, talvez para ser coerente e consoante com a arquitetura despojada dos templos, com a culinária de muitos itens e poucas misturas, quiçá para poder conversar em voz baixa com a delicadeza dos detalhes que nunca são barrocos. E, principalmente, para manter a harmonia social.  


Aqui, tanto em Tóquio quanto em Kyoto, há no entanto um som que foge ao padrão estabelecido. O dos corvos. Centenas, milhares deles - incontáveis - estão em todos os cantos das cidades. Em duplas ou pequenos bandos, nas árvores e nos altos edifícios. Acordados dia e noite, pontuando de forma estridente o silêncio que os homens tentaram delinear. Não chegam a incomodar, ao menos não ainda, mas provocam uma certa estranheza.


Passos
Sempre gosto de cuidadosamente reconhecer o terreno que piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.



Adicione esta página aos seus favoritos(7) comentáriosLink permanente do postEnvie este post para um amigoImprima o post

Jornadas no Oriente - parte I

Roberto Linsker - 13/10/2009



Eu não falo japonês, bem que eu tentei através de um curso-relâmpago aprender alguns conceitos básicos. Mas infelizmente, e aqui vale o trocadilho, não tem conversa. O mundo que me rodeia é um enigma.







Ainda ficarei algum tempo por aqui e sei que cronos é transformador. O jet-lag já terá passado e poderei recontar o que os meus olhos observam, talvez com mais clareza.







Enquanto isso solicito à minha amiga Marta, que aqui mora, que nos conte um pouco mais. Aguardarei seus comentários.





Passos
Sempre gosto de cuidadosamente reconhecer o terreno que piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.



Adicione esta página aos seus favoritos(3) comentáriosLink permanente do postEnvie este post para um amigoImprima o post

Notícias esparsas do Sul

Roberto Linsker - 05/10/2009

Meu ultimo post  de 18 de setembro foi enviado de Montevideu no Uruguai, onde estava documentando parte de uma história para a  National Geographic Brasil, para uma reportagem que será publicada em 2010. 

Retornando ao Brasil passamos pela cidade de Rio Grande, cidade portuária com um interessante casario. No porto inúmeros barcos pesqueiros estavam ancorados à espera do bom tempo. Nesses dias ventos que atingiram velocidade de até 70km/h impediam as embarcações de se lançarem ao mar.

No dia 20 de setembro, já em Porto Alegre, me deparei com  um dos grandes momentos da pátria gaucha, a comemoração da revolução farroupilha.



Que nenhuma região do Brasil defende a sua identidade com tanta energia quanto o Rio Grande do Sul, isso é de domínio publico, mas o acampamento que é montado no parque próximo ao Guaiba surpreende quem nunca viu, tamanha a quantidade de participantes e empenho. Assemelha-se a uma cidade cenográfica.

 

Nesse dia, coincidentemente rolava o "Último rolo de Kodachrome". A ideia foi do Dimitri Lee, fotógrafo amigo que queria se despedir desse filme, pois a Kodak decretou o fim do processo Kodachrome e somente até dezembro de 2009 poderão ser revelados os exemplares ainda circulando por todos os continentes. Depois disso, nunca mais.

Dimitri convidou 30 amigos, deixou um rolo de 36 poses com cada, com o compromisso de utilizá-lo no dia 20. Bom, agora só resta aguardar, pois o resultado poderá ser visto somente em algumas semanas.

Até 2006 eu não utilizava câmeras digitais. Hoje totalmente adaptado a esse novo mundo, parece muito distante esse passado analógico. Nada de saudosismo, ficou muito mais fácil produzir imagens, sobrando mais tempo para pensar.

E no dia 25, em vez de escrever o meu post, fui participar do Paraty em Foco: rever os amigos que moram distantes e aqueles, que mesmo próximos, raras vezes temos a chance de encontrar.

Para mim é cada vez mais notório que a fotografia no Brasil ganhou um enorme impulso. Tornou-se presente em espaços antes restritos às outras artes, desenvolveu festivais, encontros, galerias, novas publicações e principalmente público. Enfim, está cada vez mais democrática e isso é claramente uma vitória do advento digital, tanto aqui quanto no resto do mundo.

Postei aqui uma imagem que reproduzi de um negativo em vidro no Instituto histórico de Jaguarão. Desta forma, quem quiser rememorar o passado analógico, pode revelar esta imagem no Photoshop. O autor é desconhecido mas obviamente trata-se de um gaucho, seu cavalo e seu cachorro.

Passos
Sempre gosto de, cuidadosamente, reconhecer o terreno onde piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.


Adicione esta página aos seus favoritos(1) comentáriosLink permanente do postEnvie este post para um amigoImprima o post

Patrocínio: