Semana passada recebi um convite da escritora britânica Ella Windsor para produzir as imagens de uma reportagem que ela está escrevendo sobre a situação dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul. Fui. E rodamos mais de 700 quilômetros por lá.
Mais uma vez meu trabalho me coloca diante de realidades desconhecidas. Já havia visitado alguns povos indígenas no Norte do Brasil. No entanto, desconhecia a realidade do povo Guarani. Assim como ameaças de morte, assassinatos e centenas de pessoas passando fome. Uma imagem nada coerente com a que eu tinha do estado.
A reportagem vai sair em uma revista do Reino Unido. Posteriormente, deve ser enviada a outras que demonstraram interesse. Mas minhas imagens terão também um outro uso, o que me deixou feliz. Elas foram solicitadas por uma organização de direitos humanos, e vão contribuir para ajudar a vida destes povos.

Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/9.0 Velociadade 1/100 ISO100. Coordenadas: Latitude: 22,2.349-S Longitude: 54,51.923-W+
Realocados em uma reserva próxima à cidade de Dourados, cerca de 13 mil indígenas vivem em uma área de três mil hectares. Muitos buscam manter suas tradições, principalmente a vida espiritual e comunitária, e também se alimentar da caça e da pesca. Em busca de alimento alguns saem da reserva para pescarem nas terras em que um dia foram suas. Hoje em dia, resultado de um programa de colonização, estas terras foram distribuídas pelo governo e agora pertencem a fazendeiros.

Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/7.1 Velociadade 1/125 ISO400. Coordenadas: Latitude: 22,29.7166-S Longitude: 54,38.987-W+
Após anos de disputas judiciais, algumas famílias conseguem reaver a posse de suas terras. A construção de uma casa tradicional e o plantio para subsistência são trabalhos compartilhados por toda a comunidade.

Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/4.5 Velociadade 1/60 ISO500. Coordenadas: Latitude: 22,29.7095-S Longitude: 54,39.0374-W+
Sementes de arroz são estocadas para o plantio da próxima safra.

Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/11.0 Velociadade 1/125 ISO100. Coordenadas: Latitude: 22,54.2834-S Longitude: 54,31.897-W+
Senhor mostra o poço com água contaminada. Algumas famílias vivem em acampamentos nas margens das rodovias. Buscam reaver suas terras e muitas vezes são vitimas de agressões e ameaças. Além de não terem condições mínimas de saúde.

Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/9.0 Velociadade 1/320 ISO100. Coordenadas: Latitude: 22,54.2323-S Longitude: 54,31.8487-W+
Em acampamento nas margens da BR-163, menina bebe água. As condições do acampamento são precárias, colocando em risco a saúde de todos.

Foto: Canon 5D Mark II Lente 200mm f/7.1 Velociadade 1/400 ISO160. Coordenadas: Latitude: 3,7.2587-S Longitude: 60,1.2811-W
Foto: Canon 5D Mark II Lente 200mm f/7.1 Velociadade 1/400 ISO160. Coordenadas: Latitude: 3,7.2592-S Longitude: 60,1.2755-W
Seguem umas imagens dos teste de georeferenciamento que estou fazendo. Há mais de um mês me empenho neste, aparentemente, simples mas árduo projeto. Simples pois basta colocar alguns dados gerados pelo GPS e um programa insere as coordenadas no "meta data" de cada imagem. Árduo pois estou apanhando para sincronizar todo processo, já que só agora descobri que os cálculos que o programa faz sempre apresentam erros. A melhor maneira de resolver o problema foi deixar os relógios do GPS e da câmera fotográfica sincronizados no horário GMT (Greenwich Mean Time), também conhecido por Tempo Universal Coordenado.
Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/5.6 Velociadade 1/250 ISO160. Coordenadas: Latitude: 3,3.9446-S Longitude: 60,1.5953-W
Foto: Canon 5D Mark II Lente 200mm f/5.6 Velociadade 1/640 ISO160. Coordenadas: Latitude: 3,3.9434-S Longitude: 60,1.5932-W
Nestas fotos mostro exemplos de imagens sem referências para identificação do local em que foram obtidas. Como comentado no post anterior, um dos problemas do trabalho na Amazônia é a identificação exata do local em que as fotos foram tiradas. Com o georeferenciamento das fotos posso fazer denúncias de desmatamentos na região norte aos órgãos responsáveis. Além disso, essa ferramenta também dá segurança a alguns clientes, garantindo que a imagem foi feita em um lugar especifico, seja uma vista geral da floresta ou uma espécie de animal ou planta.

Um problema que enfrento na região da Amazônia é identificar com precisão o local em que fiz a fotografia, seja em uma viagem de barco ou nas documentações aéreas.

A intensificação do local se torna algo subjetivo e, quando o trabalho tem valor científico ou de denúncia, isso pode se tornar um problema. Sendo assim, meus próximos esforços e investimentos serão em mecanismos que me possibilitem o georeferenciamento das imagens produzidas em campo.

Já fiz uns testes com alguns arquivos gerados pelo SPOT. Com auxílio de um programa, as coordenadas geográficas (latitude e longitude) são inseridas diretamente no metadata da imagem. Como o SPOT gera sua exata localização de 10 em 10 minutos, o posicionamento do intervalo fica estimado. Em voo, estamos falando em uma área de 60 Km².

Para resolver isso, vou operar com um GPS (Global Positioning System) de alta sensibilidade que vai gerar um track a cada 2 segundos, me dando uma maior precisão do georeferenciamento. Também vou fazer testes com outro Sistema de Posicionamento Global que fica acoplado diretamente no encaixe do Flash e gera um arquivo a cada disparo feito na própria câmera.

*Fotos: Em único dia é possível voar cerca de 2000Km de floresta. Pedir ajuda para o navegador pode ser uma ótima ideia, mas isso é possível somente quando disponho de um navegador.

Foto: Litoral do Rio Grande do Sul, cobertura de telefonia celular se limita a uma pequena parte do litoral (Canon EOS 30D Lente 200mm f/2.8 Velociadade 1/1000 ISO100).
Outro equipamento que disponho é um serviço de telefonia via satélite para ser usado em áreas em que o celular não pega. Esse equipamento não se restringe a Floresta Amazônica. Há mais de quinze anos ando pelo litoral do Rio Grande do Sul e não consigo usar o telefone celular. Por questões de segurança tenho um terminal Wideye Sabre-1, que oferece serviço de web e telefonia via satélite.
Foto: Floresta Amazônica, telefonia satelital pode ser é a única garantia de comunicação (Canon EOS 30D Lente 70mm f/5.6 Velociadade 1/640 ISO250).
Esse equipamento garante conexão em todo o planeta, permitindo solicitação de auxílio e do detalhamento de um eventual problema. Ele não é o meu principal equipamento de salvamento, pois se eu tiver em uma situação de naufrágio, não teria como montá-lo na água. O que me salva nesses momentos é o spot. Atividades diferentes requerem equipamentos diferentes, que se complementem e que possibilitem vários fins.
Foto: Terminal BGAN Modelo: Wideye Sabre -1, permite alem de transmissão de dados, ligações telefônicas via satelite. Case Pelican/Racco 1400 protege contra impactos e é submergível, cases Pelican foram encontrados intactos entras os destroços do voo 447 (Canon EOS 5D Mark II + Speedlite 580EXII disparado com Transmitter ST-E2. Lente 17mm f/5.6 Velociadade 1/125 ISO250).
De nada adianta saber usar um equipamento para pedir socorro ou resgate, se você for a vítima. Em grupo é bom ter o maior número possível de pessoas aptas a utilizá-lo.
Foto: Detalhes como a cor dos cases e onde acomada-los podem facilitar o acesso ao mesmo em situações de emergência (Canon EOS 5D Mark II Lente 17-40mm f/8.0Velociadade 1/320 ISO100).
Onde e como guardá-los também é essencial. Eu qualifico o grau de importância do equipamento pela cor dos cases em que eu os guardo. Por exemplo, o case laranja (Racco 1400), que guardo o telefone satélite/ BGAN chama mais atenção que o case preto (Racco 1520) do meu computador. Em caso de acidente, ele garante uma rápida visualização. Também procuro acomodar tudo para que sua retirada seja rápida de dentro do carro, barco ou avião. Um exemplo disso são as cases Pelican/Racco, que puderam ser facilmente localizadas entre os destroços do vôo 447.
Depois que minha filha nasceu, pude compreender melhor alguns comportamentos básicos de nossa espécie. Foi observando as ações de Alice que descobri o quanto a curiosidade é nata do ser humano. Durante seu desenvolvimento, tenho acompanhado as diferentes fases do descobrimento ou melhor, da necessidade de descobrir o mundo ao qual ela faz parte. 
Observando Alice pude compreender que essa força que parece ter vida própria dentro de mim é apenas a curiosidade que sempre esteve presente - e que tal força faz parte da nossa espécie. Essa força, que move tanto eu quanto Alice (e os demais), faz com que nos aventuremos para alimentar nosso intelecto.
Neste momento, alguns amigos estão sobre um árvore, espiando um ninho de harpia; outros, dentro de um pequeno infalível, coletando DNA de baleia; outros ainda, escalando ou caminhando além das fronteira e Alice está aqui, descobrindo até onde pode e dever ir nas águas do Rio Negro.
Como um curioso nato, sempre incentivei a curiosidade e creio que inconscientemente busquei fazer isso em meu trabalho da mesma forma que busco alimentar isso em minha filha.
Mas, com Alice, eu tenho a oportunidade de colocá-la a par dos riscos, bem como deixar claro que certas ações só podem ser feitas com uma segunda pessoa dando segurança. E por muitas vezes, sem que ela perceba, vou eliminando os fatores de risco e assim deixando que ela se aventure e ao mesmo tempo crie auto-confiança. 
Sei que muitos que navegam por esta página compartilham uma vontade de sair pelo mundo, ficam inquietos ao pensar nessa possibilidade de fazer suas próprias descobertas. Sendo assim, vou escrever alguns posts com dicas de equipamentos que tenho usado e que podem ser de grande ajuda.
Eu, por estar em uma região "remota" do Brasil, onde celulares não costumam funcionar nem mesmo na capital (Manaus), e que em um dia normal posso estar em uma região de floresta 500 km distante da cidade mais próxima, faze com que eu me cerque de equipamentos que me possibilitem enfrentar situações de emergência em ambientes adversos, bem como eventuais pedidos de socorro e resgate. 
Pensando nisso, alguns anos antes de me mudar para o norte do país, me lembrei de um equipamento usado por um piloto de helicóptero, com quem voei sobre o Atlântico Norte, que emitia um sinal de rádio em uma frequência de emergência (radio Beacon). Então, iniciei uma busca na internet e logo descobri o Spot Satellite Messenger, um rastreador pessoal via satélite. Spot é um equipamento que possibilita outras vantagens sobre os rádios Beacon, pois ele envia três diferentes tipos de sinais (dois de "socorro" e um de "OK") e um sinal de "TRACK", para acompanhar o deslocamento do usuário em uma página da Spot na internet.
Os sinais de "Ok" e "Help" podem ser enviados para uma lista de e-mail ou SMS previamente cadastrados. Essas mensagens chegam com a localização exata do usuário, com as coordenadas geográficas e um link de visualização no Google Maps. Um terceiro alerta pode ser enviado, acionando o botão "911", que manda um sinal diretamente para o Centro de Atendimento de Emergência, que informa tanto as autoridades (polícia e defesa civil) como os seus contatos cadastrados.
Outra novidade é que recentemente a Spot lançou o site, onde o usuário pode criar um perfil. Lá é possível compartilhar sua aventuras, trabalhos de campo e até mesmo simples deslocamentos, com fotos georeferenciadas. Para ver o spot, clique aqui.
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