I love Paris in the Summer
Sara ama seus pais. Mas detesta viajar com eles. Sara ama Orlando. Mas detesta Paris. E é a terceira vez que seus pais vêm para cá e a trazem com eles. Preferia mil vezes ter ido para a fazenda da Pati com as amigas da escola. Mas seus pais querem passar mais tempo com ela. E acabam a levando para lugares que ela não gosta. Seus pais se sentem culpados por passarem pouco tempo com ela durante o semestre e grudam nela nas férias. Ela preferia que ficassem mais tempo nos dias normais e a liberassem nas férias. Sara gostaria de ter férias de seus pais. E se sente, ela também, um pouco culpada por isso. Um pouco. Não muito.
Paris é um saco. Todo mundo é antipático, eles não gostam de crianças. Sara não se considera mais criança. Mas ainda é tratada como se fosse uma delas. E como é estrangeira, Sara é duplamente mal recebida pelos franceses. Paris é uma cidade boa para adultos. Mas uma cidade que não gosta de fast food não pode ser um bom lugar para adolescentes. Passar o dia dentro de museus que não acabam nunca é um saco. Mas o pior de tudo mesmo é ter que tirar fotos em cartões postais da cidade. Sara pensa: se é cartão postal, por que precisam me fotografar? Ela não gosta de ficar fazendo pose. Fica constrangida. Acha que todo mundo num raio de 100 metros está olhando para ela. Então ela olha para baixo, para os lados, quer morrer, quer sair dali logo, desaparecer.
Mal sabe ela que quando lhe bate o embaraço é quando sua carinha fica mais linda, mais radiante, mais graciosa. É o que pensa seu pai, que faz questão de demorar um século para apertar o obturador, enquanto fotografa sua filhota com a retina, para guardar ali, para sempre, uma menina que está passando rapidamente pela sua vida.
Contos de Julho