Na manhã seguinte, a bordo de uma minivan, saí de Pucón com um grupo de 20 pessoas. Doze quilômetros depois, chegamos a Rucapillán, onde começa a capa de neve do vulcão (essa área, que no inverno se transforma em pista de esqui, só pode ser alcançada de carro entre dezembro e março, meses ideais para a escalada). Com calças impermeáveis, grampões de aço nas botas, luvas e picaretas de escalada, os turistas receberam uma orientação básica de uso do equipamento enquanto se lambuzavam de protetor solar fator 60.
Liderados pelo guia Bernardo Rojas, de 21 anos, começamos a subida no vulcão por volta das 8 horas, seguindo um caminho que ele dizia já ter feito mais de 30 vezes. Com inclinação suave, a trilha segue em ziguezague pelo Parque Nacional Villarrica. Fui me acostumando com o uso dos equipamentos: a cada encravada dos grampões na neve, a ascensão parecia mais fácil.
Chegamos ao topo após cinco horas de caminhada. Compartilhando do êxtase coletivo, eu não sabia dizer se estava entorpecido pela endorfi na liberada durante a caminhada ou sob efeito dos gases tóxicos que saíam da cratera. Ruídos da atividade vulcânica, sopros de calor e fumarolas de gás sulfúrico intimidavam os visitantes. "O Villarrica assusta desde que os primeiros espanhóis exploraram a região, no século 16. A erupção mais forte e danosa aconteceu em 1971, provocando mortes e destruição", diz o geólogo Javier González, que monitora a atividade vulcânica no parque. Como o vento soprava forte para oeste, carregando os gases tóxicos, nosso guia conduziu o grupo para a direção oposta. Quem, como eu, quis se aproximar da boca do vulcão ganhou uma máscara. Apoiado em uma pedra, olhei para o fundo da cratera e vi: o caldeirão fumegante, um lago de lava vermelha em movimento, mais parecia a entrada do inferno.
Eu estava me preparando para a longa caminhada de volta quando recebi a melhor notícia do dia: um tobogã na neve, escavado por escaladores, nos esperava. Após rápida orientação de como utilizar a picareta como freio, deslizei montanha abaixo, alcançando a base da montanha em divertidos 15 minutos. Sorridente, nosso jovem guia recolhia os equipamentos e tentava convencer alguns turistas a viver novas aventuras no dia seguinte - rafting no Rio Trancura, mountain bike ou cavalgada à margem dos lagos andinos. Seguindo o exemplo do casal alemão, fiz tudo, e escolhi terminar o dia com um relaxante passeio de caiaque a poucos quilômetros dali, nas águas tranqüilas do Calafquén.
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