Do Porto dos Tatus, onde embarcamos, à Ilha das Canárias, já no Maranhão, seriam 20 minutos de travessia em linha reta. Nosso comandante diz promover um "passeio ecológico" e dá o exemplo jogando as primeiras cascas de melancia servidas a bordo no rio. "Os peixes comem." Tripulação e passageiros o seguem. Agora estamos num estreito igarapé para que possamos nos enfiar no mangue e catar caranguejos.Alguns poucos descem, mas a coleta é infrutífera. Também ficamos a não ver macacos - o barulho das raízes aéreas do mangue que se quebram com a passagem do barco e o forró ("Bebo pra dormir/acordo pra beber...") nas caixas acústicas afugentam os guaribas. Os "Lençóis Piauienses" são a continuação natural dos maranhenses, sem tirar nem pôr. Têm duna, lagoa no meio da duna, mangue e caranguejouçá, que é extraído às toneladas e servido na Praia do Futuro, em Fortaleza. As dunas, como em tantas outras partes do Nordeste, avançam, soterrando casas e interrompendo estradas. Em suma, um lugar lindo e muito delicado, ainda imune ao turismo de massa.
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