Com tanta gente escrevendo, fica complicado separar o que é confiável do que é apenas lixo virtual. "Criar um blog é fácil. O difícil é fazer com que ele tenha crédito e se mantenha vivo", diz Luli Radfahrer, professor de comunicação digital da Universidade de São Paulo (USP). Grande parte dos blogs de viagem é feita por amadores que nem sempre entendem do que estão falando. Há exceções, é claro, mas procurar blogueiros vinculados a grandes portais pode ser um bom começo. "Um blog que começa alicerçado por uma empresa está um passo à frente de outro independente", diz.
A VT estabeleceu cinco critérios para definir se um blog de viagem merece ser gravado em seus Favoritos.
1. CONTEÚDO
Não há boa ideia que se salve se o blogueiro não sabe escrever de forma clara e correta. O português é a primeira vítima (não é difícil encontrar pérolas como "trace uma viagem que tem haver com você"). E, além de se dar bem com as palavras, é desejável que o blogueiro segure as pontas como fotógrafo. Afinal, alguns posts são apenas sequências de imagens e legendas - Emília Fernandes, do A Turista Acidental, faz isso muito bem.
Mas não basta escrever com correção e tirar fotos razoavelmente: é preciso tratar de temas relevantes. Alguns blogueiros cumprem esse papel seguindo as novidades do turismo. Os mais antenados competem de igual para igual com o noticiário dos grandes portais. Rodrigo Purisch, do Aquela Passagem, é um dos mais eficientes nesse estilo de blogar. Especializado em viagens de avião, ele produz notas rápidas e diretas - em geral, diárias - sobre promoções nas passagens, mudanças em programas de milhagem ou novas rotas.
Outro caminho possível para um blog de viagem é o das dicas fora da curva, como o endereço daquele bistrô sensacional ao qual (quase) nenhum turista foi. A jornalista Adriana Setti, do Achados, mora na Espanha desde 2000 e já viajou por boa parte
da Europa e da Ásia, sempre explorando o lado B de lugares muito conhecidos ou descobrindo destinos.
Mesmo escrevendo bem e abordando temas atraentes, os blogueiros de viagem ainda precisam cumprir outro pré-requisito: dar ao leitor as informações práticas de que ele precisa. Alguns falam de restaurantes, hotéis e atrações e não informam um mísero telefone ou endereço.
2. CREDIBILIDADE
Lembra daquela história de não confiar em estranhos? Esse é um bom ponto de partida para escolher que blogs seguir. "Não é preciso ser jornalista para fazer um blog, mas jornalismo, sim. Um bom blogueiro tem de checar a fonte", diz Radfahrer, da USP. E outra: ele precisa também dominar o assunto. A experiência diminui a chance de se impressionar com qualquer coisa - e sair falando bem de um hotel só por tê-lo visto numa revista estrangeira. Blogueiro contumaz, Ricardo Freire, do Viaje na Viagem, por exemplo, já publicou cinco livros sobre viagens. Depois de um ano e quatro meses hospedado no viajeaqui, optou por voltar a ser um blogueiro independente.
Atualmente, o time do viajeaqui inclui Rachel Verano (do Viajar Bem e Barato), que foi editora da VT, e Alexandra Forbes (do Boa Vida), que foi editora da revista Vip. Estar sob a marca de grandes portais e veículos de comunicação é também um sinal de que o blog é confiável. Além de contar com a estrutura de empresas já consolidadas, ele tem uma responsabilidade maior sobre aquilo que escreve.
3. PERIODICIDADE
No mundo dos blogs de viagem há um mal que costuma atacar os blogueiros independentes: a morte súbita. Sabe quando você está acompanhando aquela série de TV e, de repente, a emissora para de exibir os episódios? Pois é. Alguns blogs desaparecem porque a grana para rodar o mundo acabou ou o autor teve filhos e parou de viajar.
Bons textos e boas ideias não bastam se o autor não atualizar a página regularmente. "Se o blog se propõe a informar sobre determinado tema, ele tem de considerar a periodicidade das postagens como qualquer outro veículo de comunicação", diz Radfahrer, da USP. "Quando alguém resolve começar um blog, precisa ter material suficiente para manter o canal ativo."
4. INTERAÇÃO
A grande ferramenta que diferencia os blogs dos sites comuns é a possibilidade de comunicação mais rápida entre quem faz e quem lê. Ao alimentar esse elo, o blogueiro ganha credibilidade e fidelidade dos leitores. Alexandra Forbes e Rachel Verano, do viajeaqui, por exemplo, respondem sistematicamente às mensagens que pedem sua opinião e também participam dos debates na caixa de comentários - sejam eles contra ou a favor dos posts. Essa participação dos autores mostra interesse na opinião de quem está lendo o blog e mantém o endereço ativo. No entanto, vale reparar também no teor dos comentários. E não só. Como diz o ditado, os iguais se reconhecem. Portanto, quem é bom costuma indicar (ou seja, linkar em sua página) outros endereços confiáveis e úteis.
5. FOCO E ORGANIZAÇÃO
Como os blogs nasceram sob a premissa de ser diários virtuais, há autores que escrevem sobre o que comeram no café da manhã. Isso não é necessariamente um problema, ainda mais se o café da manhã tiver sido num hotel cinco-estrelas. Mas é preciso que essas postagens tenham a ver com a linha do blog. Um bom exemplo de foco é o Conexão Paris, da historiadora Maria Lina, que vive desde 1983 na capital francesa. Ela escreve para quem deseja encontrar a Paris dos parisienses (a melhor baguete, como não pegar fila no metrô etc.).
Outros detalhes que denunciam o grau de comprometimento do blogueiro são a organização e a facilidade para navegar em sua página. De que adianta fazer um post superbacana sobre os cafés mais charmosos de Buenos Aires se o texto fica esquecido
nos arquivos mais antigos? No A Janela Laranja, Marcio Nel Cimatti separou os posts por destinos, o que facilita muito a vida. Para fazer como ele, basta criar seções dentro do blog. Inserir tags (palavras-chave) no próprio post e repeti-las no decorrer do texto também é uma boa ideia. Isso aumenta a visibilidade do blog.
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