São Paulo não tem praias, não tem mulheres de microshorts e homens sem camisa nas ruas. Mas é sexy. Corpos atraentes e olhares libidinosos estão em muitos lugares. Não importa se você nunca ouviu falar em Victor & Leo, se não gosta de samba ou se acha que forró só deveria existir bem longe daqui. A ideia é vestir sua melhor - ou menor -roupa, chegar sozinho e só ficar desacompanhado se quiser. O
Villa Country (Avenida Francisco Matarazzo, 774, 3868-5858;
villacountry.com.br; 5a/dom 20h/5h; de R$ 20 a R$ 40; Cc: D, M, V; Cd: M, V), na Água Branca, é um parque temático do sertanejo. São 12 mil metros quadrados com diversos ambientes e shows variados. As mulheres vão maquiadas, com roupa justa, decote e salto. Os homens, de jeans, camiseta e exalando testosterona. Quando eles não vêm, elas dançam entre elas; quando a letra fala de um amor perdido, eles cantam apoiados nos amigos. "Ficar sozinho não rola", diz o refrão de uma canção. E um sujeito canta olhando para mim e apontando para si próprio como quem diz: "Vem cá, bonita". Eu não fui. Se déssemos esmola para todos os pedintes, onde iríamos parar?
No Você Vai Se Quiser (Rua João Guimarães Rosa, 241, 3129-4550; sáb 13h/21h; Cc: todos), todo cuidado é pouco. Mais conhecido como "samba da Praça Roosevelt" por estar ao lado da praça, lota nas tardes de sábado. Como cheguei sozinha, preferi esperar uns minutos por meus amigos. Foi a deixa para o porteiro perguntar se eu estava só e se era "minha primeira vez". Decidi dizer sim para as duas questões. "Você será pedida três vezes em casamento." Batata. É preciso jogo de cintura para se esquivar dos convites para dançar feitos em linguagem corporal. Aceito um; assim que o tamborim dá uma trégua, surge, ao pé do ouvido, o primeiro "quer casar comigo?" Deve fazer parte da cartilha de conduta do lugar. Três danças, três pedidos. O porteiro acertou em cheio.
Um ambiente mais comportado, mas não menos "físico", é o
Andrade (Rua Artur de Azevedo, 874, 3064-8644,
restauranteandrade.com.br; 3a/sáb 21h15/1h, dom 13h30/17h; couvert de R$ 5 a R$ 13; Cc: todos; Cd: todos), tradicional restaurante nordestino de Pinheiros, com baião de dois e doce de jaca - e forró todas as noites. A improvisada pista de dança está sempre cheia de gente agarradinha. Parece um clube do interior onde todos convidam a moça bonita da mesa ao lado para dançar.
Tímidos de ouvidos aguçados podem preferir lugares em que o protagonista é a música. No
Syndikat Jazz Club (Rua Moacir Piza, 64, 3086-3037,
syndikat.com.br; 3a/sáb 20h; de R$ 8 a R$ 12; Cc: A, D, M, V; Cd: todos), no Jardim Paulista, os shows intimistas de jazz rivalizam com as cervejas alemãs Bitburger e Weihenstephaner-Dunkel. O clima meio privé começa na viela de prédios baixos e casinhas charmosas. Dentro, as paredes verdes, os abajures, a luz ambiente e as almofadas coloridas aconchegam, e os clientes fecham os olhos durante os shows, que são diários, por volta das 22h30. Já o
Bar B (Rua General Jardim, 43, 3129-9155;
barbsp.com.br; 3a/dom, 18h/0h; de R$ 5 a R$ 7; Cc: M, V; Cd: R, V) está num lugar historicamente libidinoso, na tal Boca do Luxo. À noite, por ali, muitas moças exibem o corpo e oferecem serviços olhando nos olhos. Mas, se seu ponto G está no ouvido, o clímax é o Bar B, onde um instrumental bem executado atravessa a enorme janela. Bandas se apresentam no pequeno palco, ao fundo. Nas mesas, gente de 20 e 30 anos que interage com a mesa ao lado sem inibição.
O Casa de Francisca (Rua José Maria Lisboa, 190, 3052-0547, casadefrancisca.art.br; 3a/sáb 20h/0h; dom 19h30/0h; de R$ 17 a R$ 19), misto de chalé suíço, cabaré francês e casa da avó, tem shows em que desconhecidos reinterpretam clássicos da MPB ou canções do Leste Europeu. É um lugar perfeito para fazer a linha "disfarça e chora" e atrair gente com vocação para enfermagem amorosa. Se a caça no "horário normal" for infrutífera, há sempre lugares como Love Story (Rua Araújo, 232, 3231-3101; 2a/sáb 1h/5h; R$ 50; Cc: todos), no centro, a autoproclamada "casa de todas as casas", que só fecha ao cantar do galo. Ali, manos e playboys contracenam com profissionais (da mais antiga) da região. No bar Amistosas (Rua Martins Fontes, 389, 3255-2619), no Baixo Augusta, garotas de programa fazem um gênero mais existencialista - e trocam o som alto por uma conversa com atores e escritores.
Mas, se a parada já está ganha, é hora da manutenção. Nesse caso, alguns restaurantes são boas sugestões. O Le Vin Bistrô (Alameda Tietê, 184, 30813924, levin.com.br; Cc: todos; Cd: todos), com jeito de bistrô francês, tem ostras catarinenses. De inspiração asiática, o Tantra (Rua Chilon, 364, 3846-7112, tantrarestaurante.com.br; Cc: todos; Cd: todos) é mais explícito. Além do nome que remete às maravilhas do amor-sem-fim, serve o coquetel "orgasmo", que leva vodca Absolut Vanilla, licor de pêssego, suco de abacaxi e um "energético natural". Os desenhos das posições do Kama Sutra no banheiro
forçam um pouco a barra. Mas o lugar é aromaticamente sexy. Começa pelo cheiro de dama-da-noite na entrada e chega ao cardápio, em que mais de 20 temperos e ingredientes, como açafrão, curry e amendoim, são usados fartamente nos pratos. O resto é com vocês.
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Por: Sara Stopazzolli |
Foto: Ronaldo Franco
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