Chega a minha vez. É animador ver a expressão meio abobalhada dos passageiros que descem do pequeno helicóptero à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. O motor nem é desligado, as hélices não param de girar. Corremos com a cabeça abaixada. Atrás de mim sobe um casal de portugueses. Ao meu lado, o piloto Leandro Monçores, muito parecido com o atacante Nilmar, do Internacional.
Apertamos o cinto. Desgarramos rapidamente do chão e logo estamos no meio da lagoa. A subida vertiginosa dá um friozinho na barriga, uma mistura de medo e deslumbramento. Com tanta cara de bobo quanto os turistas que vi sair momentos antes, tenho o Rio a meus pés. O piso de acrílico, embora embace um pouco as fotos, favorece a apreciação da cidade. São praticamente 90 graus de visão à esquerda e à frente - e também para baixo e para cima. Vamos acompanhando o traçado reto do canal do Jardim de Alah, voando sobre a linha divisória do Leblon e de Ipanema. Ao longe, vemos as montanhas de vegetação luxuriante que cada vez mais dão espaço às favelas. Do alto, você percebe que a Rocinha, o Vidigal, a Chácara do Céu e a favela Parque viraram um só complexo, amedrontador. Já alguns metros mar adentro, viramos à esquerda. À medida que aumenta a velocidade, aumenta a beleza. À direita, o farol e os navios que esperam a hora de atracar na Baía de Guanabara. À esquerda, Ipanema, suas areias e suas favelas.
Invadir Copacabana pelo alto é um momento triunfal. Primeiro o Arpoador e suas pedras ficam para trás, depois o forte e seus canhões prateados. Então somos os senhores da Princesinha do Mar. Sei que ninguém repara em mim, mas aceno para banhistas, jogadores de vôlei e surfistas. Tento identificar conhecidos - em vão, claro. Do alto,
o calçadão de Burle Marx fi ca ainda mais belo. Se lá embaixo há trombadinhas, prostitutas e camelôs, do alto Copacabana é a imagem da perfeição.
Quase sem que eu repare, contornamos a pedra nua do Morro da Urca e pousamos no heliponto. "Vamos abastecer rapidamente", diz Leandro. Pulamos do helicóptero e passamos agradáveis momentos a observar a vista. De um lado, Copacabana; do outro, a Enseada de Botafogo. Depois de alguns minutos, voltamos ao helicóptero e voamos pela primeira vez sobre a cidade de concreto. Ganhamos a Baía de Guanabara para, depois,
passar sobre os prédios do centro, o Monumento aos Mortos da Segunda Guerra, o Santos Dumont. Fazemos um traçado quase exato sobre as duas vias principais do centro, a Rio Branco e a Presidente Vargas. Voamos ao lado do Maracanã.
E então iniciamos outra subida, quase tão vertiginosa quanto a decolagem. Vamos acompanhando as encostas, alcançamos a corcova da montanha, o famoso dorso rochoso. Num movimento rápido, chegamos ao topo. Como uma cortina que se abre para baixo, o cenário se apresenta: é o nosso ponto de partida, Lagoa, Ipanema, Leblon, Jardim Botânico, Pedra da Gávea ao longe. Estamos na altura da coroa do Redentor. Um outro helicóptero aparece no lado oposto, cara a cara com Ele. Logo estaremos lá, mas temos de esperar - pois é, tem engarrafamento no céu, isso eu não sabia. Finalmente contornamos a estátua: nesse momento, temos a cidade escancarada por todos os lados. É um triunfo. Estamos ao vivo e em cores no principal cartão-postal da cidade, talvez a imagem mais emblemática do Brasil. Olho nos olhos do Cristo, como só se pode fazer dali.
Apenas quando começamos a descida me dou conta de que o passeio já está perto do fim. Solto o último suspiro. Num movimento rápido mas macio, tocamos o chão. Acabou. No final, passaram-se apenas 15 minutos. Foram, talvez, os momentos mais incríveis da minha vida. Os mais longos, certamente. O Bruno que desceu do helicóptero acha o Rio bem mais bonito do que aquele que subiu.
QUEM LEVA A Helisight (21/2511-2141, helisight.com.br) faz nove roteiros diferentes com preços desde R$ 150 (seis minutos). O passeio realizado pelo repórter custa R$ 350 (preço por pessoa, para grupos de, no mínimo, três passageiros). Há quatro helipontos: Lagoa, Morro da Urca, Mirante Dona Marta e Píer Mauá.
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