O ponto de partida do passeio é a Vila de Santa Cruz dos Navegantes, cujo maior atrativo é a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, de 1584. Obra de colonizadores espanhóis, foi construída em lugar estratégico, na entrada da Baía de Santos, para defender a região dos invasores. O forte, de muralhas de pedras espessas, passou por algumas restaurações e hoje está aberto à visitação. Dali, uma caminhada fácil de 15 minutos leva até o Góes, uma linda praia com um píer e até árvore com balanço. Mas há um filete de esgoto correndo a céu aberto e construções irregulares sobre ruínas de um fortim.
Mas sigamos adiante. Do Góes há barcos para as próximas praias, como a Cheira Limão, a menos de dez minutos. Do mar, eu não teria nem a visto não fosse o aviso do barqueiro. É que, além de minúscula - uns 20 metros de extensão -, praticamente desaparece na maré alta. Já na maré baixa, a Cheira Limão ganha outros ares. Com pedras aqui e ali, parece uma pintura, emoldurada pela Mata Atlântica. E o melhor é que vive deserta.
Antes, eu até que tentei fazer o caminho por terra até a mesma Cheira Limão, junto com o guia Lucas. Mas depois de uns 20 minutos de subida íngreme em mata fechada, pisando em solo escorregadio, o caminho desapareceu. Chegamos a um ponto onde teríamos de começar a descer um penhasco abrindo a trilha. A frustração só foi recompensada pelo visual lá do alto: numa brecha da mata, com a luz do meio da tarde, víamos barquinhos e barcões cruzando o estuário de Santos.
Sangava é a praia mais bonita do "conjunto". Com cerca de 100 metros de extensão, tem areia grossa e fofa e pedras enormes. O mar é de tombo, e a água verde faz tom com as árvores que rodeiam a baía e garantem sombra para o piquenique. Por ali, nada de tapioca, mate de limão ou suco de abacaxi. Há que se levar o lanchinho e, de preferência, o saco de lixo também. Para quem quiser ir andando, a mesma trilha que sai do Góes e não leva à Cheira Limão se desvia para Sangava. Só que não há sinalização e é preciso enfrentar mais de uma hora de caminhada, com trechos de subida e descida íngremes "A praia é ótima, bem deserta. Só falta melhorar o acesso e a limpeza", diz o técnico em turismo de Campos do Jordão Max Beerman, de 21 anos, que visitou a Sangava com a namorada.
A má notícia é que não há projeto de melhorias na região, segundo Elson Maceió, diretor de Parques e Áreas Verdes do Guarujá. "O morro está em área de propriedade particular. Para sinalizar as trilhas, teríamos de pedir autorização." O diretor diz ainda ter receio de que melhorias tragam degradação. É uma reflexão estranha. Recuperar as trilhas e mantê-las só traria benefícios à cidade.
Mas há ainda outra praia no caminho: a Saco do Major. Essa é bem maior, com 400 metros de extesão e as mesmas pedras grandes, dentro e fora d'água. Num dos cantos da baía, uma biquinha de água doce refresca os poucos visitantes. Movimento, ali, só das lanchas que fazem uma parada para mergulho e dos barquinhos de pescadores. Ou, ainda, da turma dos caiaques e canoas que treina por ali.
A Saco do Major está em área de mar aberto. Se for de barco, esqueça a visita em dias de mar mexido. Há um toque de aventura na hora de subir e descer da embarcação. Dependendo do balanço do mar, você terá de ir nadando. Vai me dizer que não queria se molhar?
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