Os turistas, provavelmente, acham que fazem uma boa ação. Ou não acham nada. Os que acham alguma coisa sabem que aquele espetáculo, na verdade, pode ser considerado outra coisa: um show de humilhação. Não é só na Colômbia, claro, que a miséria é explorada como atração. No Brasil, a Rocinha tem jipes que perfazem um roteiro organizado por gente da "comunidade". Tudo com a autorização óbvia do tráfico. A África do Sul tem tours para as favelas do Cape Flats e para o Soweto, em Johannesburgo.
Para que essa equação dê certo, é preciso que os dois lados estejam de acordo. E os pobres - ou aqueles que estão por trás deles - precisam querer ser explorados. Existe um interesse legítimo em usar o turismo para ajudar. Está na moda, na Europa, o "volunturismo". O sujeito viaja para se engajar em atividades sociais ou ambientais. O que é bem diferente de assistir de camarote, com uma Nikon na mão, aos miseráveis, atirando-lhes esmolas como se fossem sardinhas para focas, achando que essa é uma contribuição para um mundo mais bacana - ou só mais uma diversão incluída no pacote.
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