O Cisv organiza diferentes tipos de programa internacional: acampamentos (village, Summer ou seminar) e moradia temporária em lares de famílias "cisvianas" (interchange) são alguns deles. Os acampamentos acontecem, em geral, em julho, em uma escola ou um clube de uma grande cidade ou em uma vila em lugares mais isolados. A brasileira Ana Gabriela Godoy participou de um village na cidade de Luckynow, no norte da Índia, quando tinha 11 anos. "É diferente dos acampamentos brasileiros. Nos do Cisv, ninguém de fora da organização entra - nem para fazer o serviço de limpeza ou a comida. Quem faz tudo é o staff responsável ou os cisvianos", explica ela. Nesses acampamentos, não há cursos de línguas nem é necessário falar inglês. A ideia é que jovens do mundo todo participem de atividades culturais, sociais e ecológicas, além de brincadeiras em equipe. Há delegações de 12 países. A irmã de Ana Gabriela, Ana Carolina, também experimentou um village, aos 11 anos, em Detroit, nos Estados Unidos. "Minha melhor amiga era sueca. Nós não falávamos inglês, mas a gente se entendeu tão bem por olhares, risos e gestos que era impossível uma ficar longe da outra", conta.
Já no programa interchange, o jovem fica hospedado, durante quase um mês, na casa de uma família em um dos 60 países em que o Cisv atua. O barato dessa experiência é vivenciar outra cultura e ter de se virar sozinho, lidando com dinheiro, comida, outra língua... "Quando você está num acampamento ou na casa de uma família, precisa saber superar as diferenças e se virar para se encaixar. Morei em Roma, e minha família italiana não falava inglês. O começo foi um pouco complicado, mas rapidamente nos entendemos e a experiência foi maravilhosa", conta Adriana Foz, a Dida, que hoje tem 26 anos e participa desde os 14 de acampamentos e interchanges.
JUNTE-SE AO CLUBE
O Cisv existe no Brasil desde 1972 e hoje possui filiais em dez cidades do país. Por aqui, são mais de 6 mil associados - somente no estado de São Paulo há 5 144 membros. "Nos meses de julho, mandamos entre 450 e 500 adolescentes brasileiros para fora do país", diz Rita Costa. Nem a família nem o adolescente podem escolher o destino. A família tem a liberdade de recusar, o que não significa que o adolescente ficará excluído de outros possíveis convites. Nessa convivência internacional, todos vão aprendendo o real significado da expressão "jogo de cintura", além de aprender a respeitar outros costumes.
"Fui recebida pela família em Roma com uma bela macarronada e eu detestava massa. Comi. Eu ia fazer o quê?", diz Adriana. Já Ana Carolina passou por um susto. Ela viajava com uma família indonésia quando a tragédia do tsunami arrebatou o país. A família não comentou nada. Ela soube pelos monitores do programa. "Fiquei surpresa com a reação deles, mas entendi que não havia frieza na postura que adotaram porque notei que Jacarta não parou, não faltou comida nem nada. Eles encararam como um fato da vida", conta.
Todos os programas incluem, além de atividades especialmente programadas pelo Cisv, passeios culturais pela cidade onde os adolescentes estão. Também ocorrem visitas a escolas para desenvolver trabalhos ecológicos ou sociais. No Open Day, por exemplo, o cisviano faz uma apresentação para a família do país que o recebe ou o grupo de determinado país faz o mesmo para as outras delegações no acampamento. "Já dancei frevo e fiz brigadeiro para meus colegas", lembra Adriana. Foi também num Open Day no village em Detroit, nos Estados Unidos, que Ana Carolina experimentou carne de baleia, levada pela delegação das Ilhas Faroe, na Dinamarca.
E QUEM FICA?
Para os acampamentos seguem pelo menos quatro jovens, sempre acompanhados de alguém do Cisv com mais de 21 anos, que é chamado de líder. Os adolescentes podem ficar em locais sem acesso a internet ou celular. Mas sempre é possível falar com o líder em um telefone fixo. "Não falar com a Dida era a morte", lembra Mônica Foz, que ficou separada da filha caçula por 28 dias quando ela esteve num village na Guatemala, em 1994. Os pais, porém, sabem que, se há algum risco, os programas são cancelados. E, se acontece alguma emergência, o adolescente é trazido de volta o mais rápido possível. "Já trouxemos cisvianos de volta por doenças, mas nunca porque alguém não se adaptou", diz a presidente do Cisv Brasil. Rita está na organização há 18 anos, e seus dois filhos fizeram todos os programas internacionais.
Outra particularidade da organização é justamente dar aos integrantes a oportunidade de progredir e trabalhar voluntariamente no Cisv. Dida fez todos os programas e chegou a comandar um acampamento: aos 11 anos, foi para a Cidade da Guatemala. Aos 14, morou em Roma. Aos 18, esteve no Cairo, no Egito. Aos 20, foi para Bergen, na Noruega, como líder júnior (auxiliando a líder). E, como líder, esteve em Dallas, nos Estados Unidos, aos 22 anos, e em Amã, na Jordânia, aos 23. "Hoje, estou afastada da organização por força da profissão. Mas sinto saudade das crianças, de trabalhar minha liderança em todos os níveis - e das viagens, claro", conta.
Ana Carolina também pretende ser líder. "Quero devolver ao Cisv a dedicação das pessoas que viajaram comigo. Sempre fui muito feliz nas viagens." Já Ana Gabriela não sabe se continua ou não. "Sou muito tímida. Sinto que acabo fazendo menos do que posso nas viagens. Gosto do conceito do Cisv e de colocá-lo em prática, além de viajar. Mas não decidi o que farei no futuro." Independentemente do caminho que irão seguir, Dida, Carol e Gabriela aprenderam lições valiosas: o grande barato de respeitar as diferenças e ser impactado por elas; fazer amigos em quase todos os cantos do planeta; e, principalmente, sentir que são cidadãs do mundo. "Quando fui para a Cidade da Guatemala, nem sabia que existia um país chamado Guatemala. Hoje sei onde ele fica, que língua se fala lá e quais problemas a população enfrenta", diz Dida.
Conheça:
Guia Quatro Rodas
| National Geographic Brasil
| Viagem e Turismo
Expediente
| Mapa do site
| Política de privacidade
| Anuncie
| Faleaqui
Copyright © 2008, Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados. All rights reserved.
Site melhor visualizado em 1024x768