Pegar uma bicicleta em uma estação de metrô e sair por aí pedalando não requer muita técnica ou esforço. Já preparar-se para uma grande jornada de bike não é tão simples quanto se atirar numa viagem tradicional. O segredo é planejar, decidindo logo de cara se seu objetivo é se virar sozinho ou usar o auxílio de agências especializadas. Não deixe de conversar com ciclistas que já fizeram o passeio que você escolher. Nos sites amigosdab ike.com.br e mochileiros.com.br, é fácil ler o depoimento de quem já foi e pedir ajuda.
Tente não superestimar seu condicionamento físico e, se possível, visite um médico para se preparar para roteiros mais puxados. "Antes de pedalar, é bom alongar o corpo para evitar distensões", diz o ortopedista Ricardo Munir Nahas.
VIAGENS LONGAS
CHAPADA DOS VEADEIROS
Para descobrir por si mesmo o que há de verdade no misticismo da chapada, opte por uma trilha que não exija muito preparo físico, embora tenha 56 quilômetros de extensão. O segredo é dividir entre os trechos de pedalada e os de descanso. Há roteiros de cinco dias vendidos por agências especializadas. Eles passam por Brasília, São Jorge (capital do ecoturismo na chapada) e Alto Paraíso (principal município da região). Os terrenos variam: são planos no asfalto, acidentados nas estradas secundárias e de terra nas trilhas. "Leve uma capa de gel para o selim da bike para ficar mais confortável", diz Marina Zalszupin, administradora de empresas que fez o passeio no último inverno. "Sugiro também uma mochila com maiô, papel higiênico, saquinho plástico, água ou algum suplemento alimentar." Você passa por cachoeiras do parque nacional e verifica de perto os segredos das formações rochosas do Vale da Lua. Um ponto alto do passeio (perdoem o trocadilho) é Alto Paraíso, local em que predominam as descidas, garantia de uma pedalada tranquila até os cânions do Vale do Macaquinho.
A Auroraeco (11/3086-1731, auroraeco.com.br) tem um pacote sem a parte aérea por R$ 2 566, em apartamento duplo com café da manhã, para grupos de no mínimo seis pessoas. Almoços, jantares, piqueniques, lanches, bicicleta, mapas, carro de apoio, transfers rodoviários e seguro-viagem estão incluídos. Procure ir de maio a novembro. Evite a temporada do verão, pois, com as chuvas, os rios transbordam facilmente e os passeios ficam interditados.
VALE DO LOIRE
Se você não tem a força de um Lance Armstrong, o americano que ganhou o Tour de France por sete vezes consecutivas, esse passeio de 180 quilômetros pelo mesmo cenário pode ser uma alternativa honesta. São 30 quilômetros diários, mas cada pessoa pode pedalar em seu ritmo. O ponto de partida é o hotel Relais & Chatêau d'Artigny, próximo à cidade de Tours. O caminho passa por Montbazon e pequenos vilarejos até chegar a Angers. Durante o passeio, além de apreciar a natureza, suas pernas o levarão a estradas pouco movimentadas e à contemplação da pacata vida local no interior da França. É possível encostar a bicicleta em charmosas boulangeries e se deliciar com a culinária francesa - o roteiro inclui algumas refeições. Para variar um pouco, informe-se com o pessoal da Backroads (empresa americana que prepara o roteiro no país), que conhece os restaurantes locais como a palma de suas luvas. A Backroads ainda organiza piqueniques e degustações de vinhos para os ciclistas. Todos os passeios e os roteiros são fechados no Brasil com pacotes que incluem a bicicleta, os equipamentos de segurança, a bolsa com lanches, os mapas e a companhia de uma van.
A Teresa Perez Tours (11/3799-4000, teresaperez.com.br) tem pacotes que variam conforme a data de saída, mas que ficam em torno dos US$ 5 000 por pessoa em quarto duplo. Há também opções para saídas especiais para famílias com datas específicas. O melhor período para ir é de abril a junho, quando a temperatura é agradável, ou setembro e outubro, no outono. Julho é quente demais, e agosto é o período de férias dos europeus, o que deixa os lugares lotadíssimos.
NOVA ZELÂNDIA
A Queen Charlote Track é o trajeto mais popular na Nova Zelândia para quem pretende fazer uma trilha de mountain bike. Um dos pontos de partida do passeio pode ser Ship Cove, um porto fundado no século 18. Não se preocupe em levar sua bicicleta. A Marlborough Sounds Adventure Company, uma empresa local, tem uma coleção de bicicletas para alugar com diárias desde 50 dólares e mecânicos disponíveis para qualquer tipo de reparo. É fácil se virar por lá, independentemente de sua desenvoltura sobre duas rodas. A trilha é dividida em partes e você pode fazer o roteiro inteiro ou es colher algumas partes mais difíceis. Se você gosta de ladeiras, vá de Ship Cove até Resolution Bay. A partir daí são quase 10 quilômetros até Furneaux Lodge, cercados de árvores e pássaros nativos. "Eu mal pude acreditar na paz que é fazer essa trilha e o quanto é maravilhoso o cenário de Marlborough Sounds. Um pássaro local nos seguiu durante todo o caminho e isso me lembrou o quanto é importante o contato com a natureza", diz Ricky Brennan, australiano que fez a trilha no ano passado. Se você preferir ajuda terceirizada, pode comprar o roteiro pronto de agências.
Para alugar uma bicicleta em London Quay, na cidade de Picton, a Malborough Sounds Adventure (64-3/573-6078, marlboroughsounds.co.nz) é a melhor opção. Um pacote fechado pode ser comprado no Brasil pela Butterfield & Robinson (11/3071-4590, butterfield.com.br) por US$ 8 795 por pessoa. Dura nove dias, com pernoite em cinco lugares diferentes. A melhor época é de março a novembro.
TOURS URBANOS
PARIS
Em 2007, a prefeitura da cidade de Paris lançou um serviço de transporte público alternativo para desafogar o trânsito urbano. O Vélib', como foi batizado o serviço (trata-se de um trocadilho com as palavras "bicicleta" e "liberdade"), corresponde hoje a 30% do tráfego urbano da cidade. Ninguém esperava um sucesso como esse. A ideia é simples. Qualquer pessoa pode pegar emprestada uma bicicleta por um período de 30 minutos sem pagar. Esse tempo foi estipulado com base nas distâncias médias entre os pontos da cidade. A devolução pode ser feita em qualquer outro posto do Vélib' - há atualmente 1 450 espalhados pela cidade. O usuário pode pegar, mais tarde, outra bicicleta por mais 30 minutos por meio de um código válido por um dia. Caso exceda esse tempo de 30 minutos, a taxa de 1 euro será cobrada pela primeira meia hora, 2 euros pela segunda meia hora e assim por diante. A solicitação e o pagamento do Vélib' devem ser feitos diretamente nos locais onde ficam estacionadas as bicicletas e é preciso de cartão de crédito com um crédito mínimo disponível de 150 euros. O programa disponibiliza atualmente 20 600 bicicletas Todas elas têm protetor de coroa e corrente, selim com suspensão e cestinha para carregar a típica baguete parisiense. Se você vai ficar bastante tempo em Paris, prefira comprar um passe semanal, por apenas 5 euros.
Para saber mais sobre o programa, acesse o site velib.paris.fr (disponível em francês, inglês e espanhol). Não há roteiro específico para andar de Vélib'. Um clássico seria cruzar a Avenida Champs-Élysées em direção ao Arco do Triunfo e, então, para o Louvre. Mas a graça está em se deixar levar, colocando em prática a definição da palavra "fl anar", de origem francesa: "avançar lentamente e sem direção certa".
SAN FRANCISCO
Quando se pensa na cidade de San Francisco, logo vem à cabeça a imagem de uma série interminável de ladeiras cortadas por bondes. Embora esse seja um dos grandes cartões-postais do lugar, a cidade possui também grande área plana. Com vasta quantidade de empresas de aluguel de bicicletas - cujas diárias vão de 20 a 60 dólares -, San Francisco é a meca do cicloturismo nos Estados Unidos. A dica é avaliar bem a topografia da cidade e inventar um roteiro seu, meio sem destino demarcado. Vale lembrar que, no período do verão, as temperaturas são extremamente altas - um problema facilmente contornado com a ajuda da brisa fresca que vem da baía. O lado oeste da baía é o local em que se encontra o maior número de ciclovias interligadas e também mais próximo ao centro. A outra opção é acampar em Angel Island. O cume dessa ilha permite uma visão de 360 graus da região, sem contar que boa parte da estrada é rodeada por um parque. Para chegar lá, é preciso pegar um ferry no píer 43 de San Francisco.
A San Francisco Bicycle Coalition (1-415/431-2453, sfbike.org) é uma ONG que organiza eventos para os ciclistas na cidade. O Parque Angel Island (415/435.3972, angelisland.org) é um dos mais preparados para pedalar. Para alugar uma bicicleta in loco, tente a Bike & Roll Bike Rentals (1-415/229-2000, adventurebike.com), com diárias entre US$ 28 e US$ 45.
SÃO PAULO
Inspirada no Vélib', a seguradora brasileira Porto Seguro e a rede de estacionamentos Estapar iniciaram um projeto de empréstimo de bicicletas em estacionamentos da marca nas proximidades da Avenida Paulista, das 6 às 22 horas. Basta comparecer a um dos estacionamentos Estapar ou estações de metrô em que haja um bicicletário do projeto munido de RG, CPF e um cartão de crédito. A primeira hora é grátis e cada hora excedente custa 2 reais. Nos fins de semana, a prefeitura de São Paulo reserva aos ciclistas duas faixas de avenidas que levam aos parques do Ibirapuera, das Bicicletas e do Povo. É o projeto Ciclofaixas, que funciona aos domingos, das 7 às 14 horas, nas avenidas República do Líbano, Faria Lima, Juscelino Kubitschek e Hélio Pellegrino.
Visite o site da Porto Seguro (portoseguro.com.br) para descobrir os lugares de empréstimo de bikes no Projeto Bicicletários. Se quiser juntar-se a algum grupo de ciclistas, experimente os Night Bikers (nightbikers. com), que organizam animados passeios noturnos.
RIO DE JANEIRO
Há várias empresas que fazem passeios de bicicleta partindo do Hotel Copacabana Palace, passando pelas praias do Arpoador e Ipanema, alguns pontos históricos, como a estátua de Carlos Drummond de Andrade e o Bar Garota de Ipanema até chegar à Lagoa Rodrigo de Freitas e ao Parque da Catacumba. O melhor período para realizar esse tipo de passeio é de manhã. Outra rota que também sai do Copa é feita de tarde e segue em dire ção à Praia do Leme, passa pela Praia de Botafogo e chega ao monumento em homenagem a Estácio de Sá. Em seguida, os ciclistas vão à Urca, chegando ao Pão de Açúcar. Outro projeto bacana para quem deseja pedalar no Rio tem o nome inzoneiro de Samba (sigla de Solução Alternativa para Mobilidade por Bicicleta de Aluguel) e também foi inspirado no Vélib', de Paris. O aluguel das bicicletas, que ficam em Copacabana, é de graça nos primeiros 30 minutos. A partir daí é cobrado 10 reais pelo dia, 30 pela semana e 350 para o ano inteiro. Todos os usuários têm de fazer um cadastro no site e deixar uma caução de 350 reais por meio de um cartão de crédito. Por enquanto, são oito estações e 80 bicicletas em Copacabana, e o horário de funcionamento é das 6 às 22 horas. O projeto chegou a Ipanema, Leblon e Lagoa, entre junho e julho deste ano, e a próxima fase, prevista para outubro de 2009, atingirá Botafogo, Flamengo, centro e Tijuca, gerando um total de 50 estações e 500 bicicletas. Os ciclistas poderão retirar a bike em uma estação e entregá-la em qualquer outra.
O passeio que sai do Copacabana Palace é organizado pela agência Bike Tour Rio (21/3183-7974, biketourrio.com.br). Para pedalar por conta própria, visite o site do Projeto Samba (mobilicidade.com.br), em que você pode comprar passes que dão direito ao empréstimo de bicicletas em estações públicas. Há oito delas nas imediações da Avenida Atlântica, em Copacabana.
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