No check-in, uma boa notícia: me deram upgrade! O quarto não estava pronto, então lá fui eu tomar um trago no lobby. O Ace old-fashioned levava uma tequila especial envelhecida e cerejas curtidas no conhaque. Céus. Coisa boa! Nisso, fui observando a fauna. Nenhuma roupa colorida exceto camisas xadrez. Ninguém com mais de 50 anos. Ninguém obeso. Ninguém com cara de turista.
O lobby tinha clima de biblioteca universitária, gente grudada no laptop ou nos fundos sofás, distraída com seus fones de ouvido. Estantes com livros velhos. Bichos empalhados. Máquina de tirar foto (como as de shopping). Um estilo sebo-chic-surrealista.
A horas tantas, o quarto ficou pronto e eu peguei o elevador com um cara de 2 metros, todo de preto, lápis preto no olho e esmalte semidescascado azul nas unhas. Imediatamente, pensei: esse cara resume tudo. Poderia ser o garoto-propaganda do Ace!
Um corredor escuro (óbvio), com cara de velho e gasto, embora não seja nem uma coisa nem outra, levava ao meu quarto. A primeira impressão que tive foi a de voltar aos tempos dos dorms (residências estudantis). A vista era inexistente e o banheiro, apertadinho, mas eu a-do-rei a mesona de jantar de madeira rústica com quatro cadeiras e os preços do minibar:não sei se o vinho presta. Mas, a 25 dólares e com um rótulo lindo daqueles, quem se importa?
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